Com investimento de R$ 30 milhões, Lupo abre fábrica no Paraguai em Ciudad del Este para reduzir o peso dos impostos brasileiros, enfrentar a concorrência de produtos asiáticos e manter competitividade em um mercado cada vez mais pressionado pelo custo tributário.
A decisão de que Lupo abre fábrica no Paraguai não é apenas um movimento de expansão internacional, mas uma resposta direta ao ambiente tributário brasileiro. A presidente da companhia, Liliana Aufiero, resumiu o cenário ao afirmar que não foi a Lupo que simplesmente escolheu sair, e sim que o Brasil empurrou a empresa para o Paraguai, em referência à queda de lucratividade após mudanças nas regras de tributação de incentivos ligados ao ICMS.
Ao instalar uma planta em Ciudad del Este, a empresa passa a operar em um contexto em que os custos são cerca de 28% menores, o que ajuda a proteger margens e a sustentar um plano de produção robusto. A nova fábrica recebeu R$ 30 milhões em investimentos, emprega cerca de 110 pessoas e tem capacidade para produzir até 20 milhões de pares de meias por ano, reforçando o papel da marca como referência em meias e moda íntima na América do Sul.
Por que a Lupo abre fábrica no Paraguai para manter competitividade

A frase da CEO resume o diagnóstico interno: os impostos estavam “comendo a operação de forma violenta”, reduzindo gradualmente a margem de lucro no Brasil. A aprovação da Lei 14.789 de 2023, que alterou a forma de tributação de incentivos fiscais concedidos pelos estados no ICMS, foi um ponto de virada.
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Na prática, isso significou que benefícios regionais que ajudavam a equilibrar custos industriais perderam força, pressionando empresas intensivas em produção, como é o caso da Lupo.
Em um setor em que o preço final é decisivo para o consumidor, manter a mesma estrutura produtiva apenas no Brasil passou a significar disputar mercado com menos fôlego frente a concorrentes com bases mais baratas.
Como funciona a nova planta da Lupo em Ciudad del Este
A fábrica inaugurada em junho em Ciudad del Este é a primeira unidade produtiva da Lupo fora do território brasileiro. A planta foi projetada para produzir até 20 milhões de pares de meias por ano, volume suficiente para impactar de forma relevante o abastecimento da marca na região.
Com cerca de 110 funcionários, a nova unidade faz parte de uma rede industrial mais ampla que inclui cinco fábricas no Brasil, três centros de distribuição e uma malha de 911 franquias, além de nove lojas próprias.
A estratégia é usar a planta paraguaia como reforço produtivo em um ponto onde o custo é mais baixo, sem abrir mão da sede e da base histórica em Araraquara, em São Paulo.
Lei 14.789 e a pressão dos impostos sobre a indústria têxtil
A decisão de que Lupo abre fábrica no Paraguai está diretamente ligada à Lei 14.789 de 2023, que mexeu nas regras de tributação dos incentivos fiscais estaduais de ICMS.
Para uma indústria com grande volume e margens apertadas, qualquer mudança no tratamento tributário muda o cálculo de viabilidade.
Segundo Liliana Aufiero, o lucro começou a cair justamente após a mudança nas regras, evidenciando que a combinação de impostos elevados e perda de incentivos regionais reduziu o espaço para erro.
Diante desse cenário, buscar um ambiente tributário menos agressivo no país vizinho passou a ser não apenas uma oportunidade, mas quase uma necessidade para manter investimentos, empregos e competitividade.
Concorrência asiática e a disputa por preço no mercado brasileiro
Além do peso dos impostos, outro fator pesou na decisão: a concorrência direta de uma fábrica de meias administrada por um empresário chinês no próprio Paraguai, que envia produtos para o mercado brasileiro com custos mais baixos.
Liliana deixou claro o raciocínio estratégico. Se um concorrente consegue vender no Brasil sem investir em marca, operação local e estrutura equivalente, e ainda assim chega ao consumidor com preços competitivos, a Lupo precisava acessar condições semelhantes de custo para não perder espaço.
A leitura é objetiva: para enfrentar concorrência asiática, era preciso se aproximar das mesmas vantagens estruturais, entre elas energia e impostos mais baratos.
O que muda para a operação da Lupo no Brasil
Mesmo com a nova fábrica no exterior, a estrutura brasileira continua sendo o coração da companhia. Com sede em Araraquara, a Lupo mantém suas cinco fábricas, três centros de distribuição e 911 franquias espalhadas pelo país, além de nove lojas próprias.
A empresa emprega cerca de 9 mil pessoas e faturou R$ 1,85 bilhão em 2024, consolidando sua posição como líder em meias e forte referência em moda íntima.
O movimento em direção ao Paraguai, portanto, não representa abandono do Brasil, e sim reorganização do mapa de custos para viabilizar crescimento futuro.
Ao baratear parte da produção, a Lupo cria margem para continuar investindo em marca, inovação e rede de franquias no mercado brasileiro, que continua sendo seu principal destino de vendas.
Lupo abre fábrica no Paraguai e prepara transição na liderança
Enquanto Lupo abre fábrica no Paraguai e reorganiza sua estratégia industrial, a empresa também passa por um momento de transição na liderança. Liliana Aufiero, neta do fundador Henrique Lupo, deve passar o comando ao atual vice-presidente, Carlos Alberto Mazzeu.
Essa mudança ocorre em um momento em que a companhia combina expansão internacional, pressão tributária e desafios competitivos.
A nova gestão terá a missão de equilibrar tradição e adaptação, mantendo a identidade de uma marca centenária ao mesmo tempo em que opera em mais de um país, com estruturas de custo muito diferentes entre si.
Diante desse cenário, uma questão fica no ar: você acha que movimentos como o da Lupo, abrindo fábrica no Paraguai para reduzir custos, são uma saída inevitável para a indústria brasileira ou deveriam ser um alerta para uma revisão urgente do ambiente de negócios no Brasil?

Uma indústria abrir em outro país buscando economia e mão de obra barata sempre aconteceu e sempre acontecera, a Lupo detém várias marcas como a Trifil e a Hang Loose entre outras e faz tempo q cresceu muito e extrapolou as dividas do país, muitas cm ela de outros países já vieram para o Brasil pelo mesmo motivo,p os tempos mudam e o Brasil hj tá em outro patamar, qto a imposto no Paraguai sempre foi baixo nem por isso as empresas
” debandaram” pra lá.
É óbvio que com nossos governantes e políticos atuais o empresário irá cada vez mais buscar alternativas. Vocês estão presenciando o assassinato da galinha de ovos de ouro. Confiram