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Com alcance de 300 km e ogivas projetadas para romper concreto enterrado, a Coreia do Sul ativa um míssil tático para destruir bunkers subterrâneos e desafiar a arquitetura defensiva da Coreia do Norte

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 21/01/2026 às 22:10
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Míssil sul-coreano de 300 km e ogivas perfurantes mira bunkers subterrâneos, altera equilíbrio estratégico com a Coreia do Norte e já está operacional.

A península coreana é um dos cenários militares mais tensos do mundo e também um dos menos entendidos por quem observa de fora. Ao contrário de conflitos convencionais, a estratégia na região não gira apenas em torno de tanques, navios ou caças, mas principalmente sobre a capacidade de destruir ou proteger alvos que a maioria dos civis jamais veria: túneis, depósitos, centros de comando, fábricas e silos escondidos dentro de montanhas e no subsolo. É nesse ambiente que surge o KTSSM-II, o míssil tático sul-coreano projetado para perfurar concreto, atravessar camadas de solo e explodir apenas depois de invadir a estrutura, um tipo de armamento classificado como “bunker buster”, tradicionalmente usado por grandes potências, como os Estados Unidos.

O objetivo central não é apenas atacar alvos de superfície, mas neutralizar o elemento mais estratégico da defesa norte-coreana: infraestruturas profundamente enterradas e protegidas.

Uma arma pensada para um tipo específico de guerra

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Enquanto outros países investem em mísseis antinavio, hipersônicos ou vetores balísticos, a Coreia do Sul desenvolve sistemas desenhados quase sob medida para o vizinho do norte. Isso não é retórica; é engenharia aplicada ao contexto. A Coreia do Norte possui milhares de estruturas subterrâneas distribuídas ao longo de seu território, uma rede que inclui:

• Centros de comando e comunicação
• Depósitos de munição e combustível
• Fábricas de mísseis
• Abrigos para artilharia pesada
• Túneis interligando posições táticas

Esses sistemas não são periféricos; eles são o coração da estratégia do regime. Desde a Guerra da Coreia, Pyongyang opera com o princípio de que o subsolo é o último nível de sobrevivência militar. Não por acaso, vários relatórios militares ocidentais apontam que mais de 60 por cento de parte da infraestrutura do país é enterrada ou escavada em montanhas.

O KTSSM-II nasce para neutralizar exatamente isso.

Como funciona um míssil perfurante

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O conceito de perfuração é simples de explicar, mas difícil de executar. Não basta lançar um míssil e esperar que ele atravesse concreto. É preciso combinar:

Velocidade terminal alta (para gerar energia cinética)
Ogiva retardada (que explode após penetrar)
Geometria projetada para impacto

No caso do KTSSM-II, relatórios militares indicam que o míssil utiliza ogivas de penetração capazes de romper camadas de concreto reforçado e solo compactado antes da detonação. Esse tipo de sistema é comparável aos “Deep Strike” ocidentais e se aproxima do funcionamento dos mísseis táticos americanos ATACMS quando usam ogivas semelhantes.

O design do KTSSM-II também contempla orientação guiada, permitindo que o míssil atinja uma entrada específica de túnel, por exemplo, ou uma abertura de ventilação, algo que historicamente é mais eficiente do que simplesmente golpear o topo de uma montanha.

300 km de alcance e um novo mapa tático

O alcance de 300 km não é um número aleatório. Ele permite que a Coreia do Sul atinja praticamente qualquer alvo estratégico no norte sem que a aeronáutica precise cruzar fronteiras, reduzindo riscos de retaliação imediata.

Na prática, isso significa que o míssil pode ser lançado de regiões protegidas do sul e ainda assim atingir os seguintes centros militares estratégicos:

• Wonsan
• Pyongyang
• Hyesan
• Hamhung

Essa distância é suficiente para redefinir o cálculo estratégico norte-coreano, pois obriga o regime a reconsiderar se seus abrigos subterrâneos são realmente “inalcançáveis”.

Por que isso importa para a estabilidade regional

A península coreana é um curioso caso em que a ofensiva pode funcionar como forma de defesa. A lógica é a seguinte: se um país consegue neutralizar bunkers e centros de comando subterrâneos, ele reduz o risco de uma guerra prolongada e imprevisível.

Esse é o princípio por trás do programa sul-coreano: negar ao inimigo a capacidade de resistir sob o solo.

Isso também cria um efeito secundário relevante: dissuadir, ou seja, desencorajar ações hostis ao elevar o custo potencial da agressão. Pyongyang sabe que perder seus centros subterrâneos significa perder sua capacidade de sobreviver a um ataque, e esse tipo de percepção pesa nas decisões políticas.

Tecnologia nacional e independência estratégica

Outro ponto pouco divulgado é que o KTSSM-II é parte de um movimento maior dentro da Coreia do Sul: o de autossuficiência de sistemas militares de precisão. Durante décadas, o país foi dependente de armamentos ocidentais, principalmente dos Estados Unidos. Hoje, essa dependência está diminuindo.

Além do KTSSM-II, a Coreia do Sul investe em:

• Caças desenvolvidos localmente (KF-21)
• Submarinos com mísseis balísticos (KSS-III)
• Sistemas antiaéreos nacionais
• Mísseis ar-terra e ar-mar independentes

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Esse processo coloca o país na mesma prateleira tecnológica de estados avançados do ponto de vista militar.

Reação regional e silêncio estratégico

O desenvolvimento do KTSSM-II não chamou tanta atenção global quanto deveria. Em parte, porque não é um míssil hipersônico, e a mídia concentra suas manchetes nesse tipo de sistema. Em parte, porque o próprio governo sul-coreano mantém discrição sobre as especificações exatas do armamento.

No entanto, especialistas em defesa e organizações de análise militar, como o IISS (International Institute for Strategic Studies) e o CSIS (Center for Strategic and International Studies), monitoram o avanço da família de mísseis sul-coreanos como um dos programas mais sofisticados em andamento neste lado do mundo.

Enquanto isso, China, Japão e Estados Unidos acompanham de perto. Não se trata de alarmismo. Trata-se de acompanhamento de cenário: países vizinhos analisam como o avanço sul-coreano pode alterar alianças, competições industriais e até contratos de exportação.

Da teoria ao campo: o míssil já está operacional

O ponto mais relevante é que o KTSSM-II não é um protótipo e tampouco um projeto cancelado. Ele se encontra em fase de adoção e integração real, sendo considerado um dos principais pilares futuros da capacidade de ataque sul-coreana.

Isso muda o status do sistema. Ele deixa de ser apenas uma curiosidade tecnológica e se transforma em vetor real e incorporado, com consequências práticas.

Na superfície, o KTSSM-II é apenas mais um míssil tático com 300 km de alcance. Mas basta observar o contexto para entender o seu peso real. Ele foi criado para destruir o que o adversário considera indestrutível. Foi projetado para atacar onde o inimigo considera seguro. E foi desenvolvido para operar em silêncio, sem que caças cruzem fronteiras e sem que marcações aéreas exponham rotas estratégicas.

Em uma península onde a guerra nunca acabou, esse tipo de tecnologia não muda somente o campo de batalha. Ela altera cálculos diplomáticos, redesenha alianças e obriga a Coreia do Norte a admitir que a era da “proteção garantida pelo subsolo” pode estar chegando ao fim.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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