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Com 40% de sargaço, 3.000 Sargablocks por dia e 40 toneladas coletadas, o México aposta em tijolos que viram casas pós furacão, enquanto hotéis pagam milhões para sumir com algas na costa até 2023

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 16/02/2026 às 09:38 Atualizado em 16/02/2026 às 09:41
Assista o vídeoSargaço vira Sargablocks em Puerto Morelos, Quintana Roo, México e transforma custo de limpeza em tijolos com 40% de alga, usados para erguer casas simples após furacões.
Sargaço vira Sargablocks em Puerto Morelos, Quintana Roo, México e transforma custo de limpeza em tijolos com 40% de alga, usados para erguer casas simples após furacões.
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Na faixa litorânea de Puerto Morelos, em Quintana Roo, o sargaço invasor deixou de ser sujeira cara para hotéis e virou insumo quando Omar Vazquez seca, mói e mistura a alga com terra reaproveitada, criando Sargablocks recicláveis que já levantaram dezenas de casas para famílias resistentes e térmicas no México.

O sargaço que encosta em praias do México não chega em pequenas porções. A dinâmica descrita por equipes locais envolve milhões de toneladas acumuladas ao longo do ano em diferentes trechos do litoral, com decomposição que piora o ar e pode trazer desconforto respiratório, além de um custo de limpeza que pressiona prefeituras e hotéis.

Em Quintana Roo, a resposta mais visível sempre foi retirar a alga o mais rápido possível para preservar a faixa de areia. A novidade é que parte desse esforço passou a alimentar uma cadeia produtiva que transforma sargaço em Sargablocks e tenta converter um passivo ambiental em material de construção para moradias simples.

Sargaço vira gargalo ambiental e custo permanente no litoral

Sargaço vira Sargablocks em Puerto Morelos, Quintana Roo, México e transforma custo de limpeza em tijolos com 40% de alga, usados para erguer casas simples após furacões.

O sargaço é descrito como uma espécie invasora que aparece e se decompõe nas praias, criando um cenário que mistura odor, perda de paisagem e risco de incômodo respiratório para trabalhadores e moradores.

Quando a maré de sargaço cresce, o problema deixa de ser pontual e vira rotina operacional, com equipes e máquinas dedicadas apenas a retirar algas.

O impacto econômico aparece no caixa de quem depende do turismo.

Em Quintana Roo, hotéis pagam para manter o sargaço fora do campo de visão, e a limpeza pode custar milhões.

Esse tipo de gasto não se limita a uma única temporada, porque o fenômeno se repete e exige logística diária, com caminhões, caçambas e mão de obra dedicadas.

Puerto Morelos e a coleta antes do amanhecer como parte do serviço

Sargaço vira Sargablocks em Puerto Morelos, Quintana Roo, México e transforma custo de limpeza em tijolos com 40% de alga, usados para erguer casas simples após furacões.

A operação relatada em Puerto Morelos começa cedo, por volta das 5 da manhã, com a equipe indo direto à linha da maré para recolher a massa de sargaço.

O objetivo é simples e pragmático, retirar a alga antes que o sol acelere a decomposição e antes que o fluxo de turistas tome a praia.

O volume diário citado é alto para uma cidade litorânea, cerca de 40 toneladas métricas de sargaço por dia, o suficiente para encher grandes recipientes.

A escala ajuda a explicar por que Puerto Morelos virou um ponto estratégico em Quintana Roo quando a ideia de reaproveitar o material ganhou forma, especialmente após 2018, ano em que mais de 50.000 toneladas métricas invadiram a costa e expuseram a fragilidade do modelo baseado apenas em remoção.

Como nascem os Sargablocks com 40% de sargaço e terra reaproveitada

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O processo do Sargablocks parte do sargaço seco. Trabalhadores moem a alga até virar um pó fino, esmagando o material com pedras, e depois misturam com terra reaproveitada de canteiros de obras.

A mistura passa por uma grade para retirar pedaços maiores e, na sequência, recebe água até virar uma pasta espessa.

A receita exata não é divulgada, mas a composição descrita indica que cada tijolo tem cerca de 40% de sargaço.

A proposta técnica é que o Sargablocks possa ser reciclado inúmeras vezes, reduzindo desperdício e permitindo reaproveitamento em novas obras.

Com uma máquina, a produção chega a até 3.000 Sargablocks por dia, e o inventor relata ter testado oito protótipos antes de chegar ao formato atual.

A linha de produção também define escala e emprego. Há seis funcionários em tempo integral dedicados aos Sargablocks, e alguns deles também atuam na construção das casas.

O plano operacional citado é ampliar a capacidade com uma máquina maior, chegando a 8.000 tijolos por dia, sem depender de uma expansão proporcional de equipe em Puerto Morelos e Quintana Roo.

Casas em Quintana Roo e o teste real após um furacão

Desde 2018, Omar Vazquez afirma ter construído mais de 40 casas com Sargablocks, somando unidades vendidas e doadas.

Ele relata que já vendeu mais de 20 casas e doou outras 15, e sustenta que as estruturas são simples, porém duráveis, incluindo a alegação de que podem resistir a furacões.

A história pessoal aparece como parte do contexto operacional.

Ele afirma ter migrado com a família para os Estados Unidos aos 8 anos, ter vivido décadas sem casa própria e retornar ao México em 2014 com 55 dólares, antes de levantar recursos com compra e venda de plantas e montar a oficina em Quintana Roo.

O uso do Sargablocks ganhou relevância prática depois de um furacão em 2021 que destruiu a casa de uma família atendida pela iniciativa.

A reconstrução com tijolos de sargaço é apresentada como resposta de baixa complexidade logística, com foco em durabilidade e em um desempenho térmico citado por estudos, mantendo a casa mais fresca no verão e com melhor retenção de calor no inverno em Quintana Roo.

Por que a solução do México chama atenção e onde o problema também aparece

Ao longo da última década, as ondas de sargaço ficaram tão grandes que podem ser detectadas do espaço, e o fenômeno se espalhou além do México, alcançando áreas como Flórida, Texas e partes do Caribe.

A causa exata do aumento não é apontada como consenso, mas há especialistas que associam o avanço a níveis elevados de nitrogênio no mar por escoamento de resíduos agrícolas e desmatamento.

Os números citados ilustram a pressão pública e privada em Quintana Roo. Em 2020, o governo mexicano recolheu 19.000 toneladas métricas de sargaço das praias do estado, e em 2021 esse volume dobrou.

Em 2023, a Associação de Hotéis de Cancún destinou mais de 20 milhões de dólares para remover sargaço, o que ajuda a explicar por que soluções industriais atraem atenção fora do setor público.

Nesse ambiente, Omar Vazquez relata contatos de investidores e empresas de mais de uma dúzia de países e estuda licenciar a receita do Sargablocks para replicar o modelo.

Em paralelo, outros empreendedores testam novos usos do sargaço no México, como cadernos e calçados, enquanto uma startup britânica, Seaweed Generation, explora o uso do sargaço para capturar carbono e armazenar o material no fundo do oceano.

Entre o sargaço que encosta na areia e o tijolo que vira parede, o caso de Puerto Morelos mostra um caminho pragmático para reduzir custo de limpeza e ampliar acesso a moradia simples em Quintana Roo e no México. A grande pergunta é se a próxima crise de resíduo costeiro vai continuar sendo só despesa ou pode virar infraestrutura, mesmo que em escala local.

Na sua cidade, que resíduo vira problema recorrente e você confiaria em um material alternativo como o sargaço e os Sargablocks para uma obra básica, ou acha que o risco ainda é alto demais?

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