Projeto feito pela PT PAL e Naval Group prevê transferência de tecnologia, treinamento na França, sistema Subtics, baterias de íon-lítio e planos indonésios para alcançar autossuficiência submarina até a década de 2040
A Indonésia iniciou a construção de dois submarinos Scorpène em parceria entre a estatal PT PAL e a francesa Naval Group, em um programa que combina transferência de tecnologia, treinamento industrial e uso de baterias de íon-lítio para alcançar até 80 dias de autonomia de missão. Os dados deste artigo são do Interesting Engineering.
Construção marca nova etapa da parceria entre PT PAL e Naval Group
A construção dos dois submarinos da classe Scorpène começou na Indonésia sob responsabilidade da PT PAL, em colaboração com a Naval Group.
O projeto envolve a versão Scorpène Evolved, escolhida pelo país como parte de uma estratégia de longo prazo para ampliar sua capacidade submarina.
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Há três meses, a Naval Group informou que o acordo firmado entre o Ministério da Defesa da Indonésia e o consórcio Naval Group-PT PAL garante uma colaboração otimizada entre as partes.
A escolha da Indonésia pelo Scorpène Evolved representa o primeiro pedido de exportação da variante equipada com bateria de íon-lítio dentro da família Scorpène.
Submarinos Scorpène usarão aço dos submarinos de ataque franceses
Um dos pontos centrais do programa é o material usado na construção. Segundo a empresa, no artigo da Interesting Engineering, os futuros submarinos indonésios utilizarão o mesmo aço empregado nos submarinos de ataque franceses.
Esse tipo de aço exige parâmetros especiais, principalmente na soldagem. O processo inclui várias etapas de inspeção e critérios de aceitação considerados extremamente rigorosos para garantir uma solda perfeita.
Para atender a essa exigência, vinte profissionais indonésios da PT PAL passaram por treinamento de dois a três meses em Cherbourg, na França.
A formação envolveu soldagem, pré-aquecimento e controle de qualidade, com especialistas da área.
Nova versão terá baterias de íon-lítio e sistema de combate Subtics
O Scorpène Evolved indonésio reúne inovações como novo sistema de motor, baterias de íon-lítio e o sistema de combate Subtics.
Com uma configuração completa de baterias de íon-lítio, o submarino terá autonomia de missão de até 80 dias.
A embarcação também poderá transportar uma carga mista de até 18 torpedos pesados e mísseis Exocet SM39.
A Naval Group confirmou ainda que o Scorpène Evolved será capaz de disparar o Exocet SM40, míssil de próxima geração lançado de submarino e atualmente em desenvolvimento pela MBDA, conforme informou a Naval News.
Sistema de controle gerencia energia, propulsão e segurança de mergulho
Outro componente destacado é o sistema de gerenciamento de plataforma, conhecido como PMS. Ele é essencial para a operação do submarino e integra o pacote de Sistemas Digitais Distribuídos, chamado DDiS.
O PMS supervisiona e gerencia áreas como energia, propulsão, segurança de mergulho e sistemas auxiliares. Para isso, recebe informações e controla instalações por meio de controladores lógicos programáveis distribuídos pela embarcação.
No Scorpène, há cerca de dez desses controladores. O sistema centraliza os dados recebidos e envia informações de volta aos controladores, dando suporte à operação dos sistemas do submarino.
Indonésia mira autossuficiência submarina na década de 2040
A Indonésia considera o programa um passo importante para alcançar autossuficiência submarina no longo prazo.
Os planos nacionais preveem desenvolver capacidade para projetar, construir e eventualmente exportar submarinos de fabricação nacional durante a década de 2040.
A PT PAL e a Naval Group também discutiram a possibilidade de transformar a Indonésia em um centro regional de produção e manutenção para futuros operadores do Scorpène.
Atualmente, a equipe da Naval Group envolvida no programa tem oito especialistas, número que deve chegar a cinquenta.
Todos atuam como operadores de referência, com transferência de conhecimento e suporte técnico contínuo.
A colaboração também inclui parcerias franco-indonésias. O aprendizado do Bahasa Indonesia pela equipe francesa faz parte do programa, já que a proximidade linguística já se mostrou eficaz em trabalhos com outros parceiros internacionais.
Esta matéria foi elaborada com base em informações da Naval Group, PT PAL e Naval News, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

