Construção monumental na Ucrânia reúne milhares de moradores em um único complexo urbano, marcado por arquitetura incomum, dimensões recordes e um traçado labiríntico que se tornou símbolo local e referência mundial em habitação coletiva de grande escala.
O prédio residencial apontado como o mais longo do mundo fica em Lutsk, cidade do noroeste da Ucrânia, e se estende por quase 2,8 km quando se somam seus vários “braços” e ramificações.
De acordo com o telejornal ucraniano TSN, exibido pelo canal 1+1, o conjunto alcança 2.775 metros de comprimento nessa medição ampliada, que considera todas as extensões interligadas do complexo.
Embora seja tratado como um único edifício, o que se vê no mapa e no nível da rua é um grande conjunto articulado por curvas, pátios e passagens, formado por dezenas de seções conectadas entre si.
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Nesse espaço residencial de desenho incomum, vivem cerca de 10 mil pessoas em mais de 3 mil apartamentos, distribuídos por aproximadamente 156 entradas.
Por que o conjunto ganhou o apelido de “Grande Muralha da China”
A comparação com a Grande Muralha da China não está ligada a função militar ou antiguidade, mas sim à sensação de escala. Trata-se de um bloco contínuo, extenso o suficiente para atravessar diferentes áreas do bairro e se impor de forma marcante na paisagem urbana de Lutsk.
Além desse apelido, o prédio também é conhecido como “casa-colmeia”, nome inspirado no desenho visto de cima e na maneira como os volumes residenciais se encaixam em uma única estrutura integrada.
A imagem remete a favos de mel, reforçando a ideia de repetição e conexão entre as partes.
Segundo o TSN, o conjunto é considerado recordista em extensão entre edifícios residenciais.
A reportagem observa que existem complexos no Japão com cerca de 2 a 2,5 km, mas ressalta que nenhum deles apresenta uma arquitetura multisseccional tão complexa nem concentra uma população tão numerosa em um único edifício.
Arquitetura labiríntica e curvas de 120 graus
O elemento que mais chama atenção no projeto é a geometria. Em vez de um traçado linear, o complexo foi concebido com curvas características em ângulos de 120 graus, conectando múltiplos segmentos em uma única estrutura contínua.
De acordo com o TSN, o edifício é formado por cerca de 40 seções interligadas, com alturas variadas entre 5 e 9 andares.
Essa combinação cria uma silhueta irregular e dinâmica, responsável tanto pelo impacto visual quanto pela dificuldade de orientação no interior do conjunto.

No nível da rua, a experiência pode ser menos intuitiva do que a aparência monumental sugere.
Conforme relatado pelo telejornal, os primeiros moradores frequentemente se perdiam ao tentar localizar seus apartamentos, já que as curvas e passagens formam um verdadeiro labirinto residencial.
Ainda hoje, referências simples do cotidiano seguem desempenhando um papel importante na orientação interna.
Plantações, canteiros e outros marcos visuais funcionam como uma bússola informal, especialmente para quem não está acostumado com o desenho do prédio. Para reduzir confusões, cada seção possui endereço oficial próprio, facilitando entregas e serviços.
Uma cidade dentro da cidade em Lutsk
Os números ajudam a explicar por que o complexo costuma ser descrito como uma cidade dentro da cidade.
São milhares de apartamentos distribuídos em pátios internos e áreas abertas, interligados por corredores e passagens que se repetem ao longo do conjunto.
Além das áreas residenciais, o prédio abriga lojas, playgrounds e espaços de convivência, integrados à rotina diária dos moradores.
Em Lutsk, essa combinação fez do edifício um ponto de referência reconhecido tanto por quem vive na cidade quanto por visitantes.
A distribuição do complexo por diferentes trechos do bairro reforça a sensação de microcidade.
Em vez de um bloco isolado, o que existe é um tecido urbano contínuo, costurado por arcos, pátios e caminhos internos que se sucedem de forma quase orgânica.
Na prática, essa escala influencia hábitos cotidianos. Enquanto alguns moradores percorrem longos trajetos internos antes de chegar à rua principal, outros vivem em seções com acesso direto a áreas comerciais ou pátios mais movimentados.
Por outro lado, a mesma diversidade de caminhos que facilita a circulação interna também aumenta as chances de desorientação.
Construção no período do modernismo soviético

A origem do edifício ajuda a entender seu desenho incomum. A construção se estendeu por mais de 11 anos, do fim da década de 1960 ao início da década de 1980, período marcado pela busca de soluções habitacionais de grande escala.
Segundo o TSN, as obras ocorreram entre 1969 e 1980, em pleno auge do modernismo soviético, quando projetos residenciais priorizavam inovação formal, padronização e eficiência urbana.
Nesse contexto, o complexo de Lutsk surgiu como uma resposta ambiciosa às demandas por moradia.
As reportagens atribuem o projeto aos arquitetos Vasyl Malovytsia e Rostyslav Metelnytskyi, responsáveis por conceber o edifício como uma única estrutura interligada, capaz de acomodar milhares de pessoas em um mesmo conjunto.
Com o passar do tempo, o prédio deixou de ser apenas uma solução habitacional e passou a ocupar o papel de marco urbano.
Em Lutsk, tornou-se símbolo da cidade tanto pelo tamanho quanto pelo impacto social de reunir milhares de moradores sob um mesmo “corpo” arquitetônico.
O próprio TSN resume essa percepção em uma frase frequentemente citada em reportagens sobre o local:
“A casa-colmeia de Lutsk não é apenas recordista em comprimento, mas também um objeto extremamente interessante que se tornou símbolo da cidade. Seu tamanho, complexidade e impacto social impressionam e permanecem únicos na prática arquitetônica mundial”.
Fora da Ucrânia, o que mais chama atenção é a combinação de fatores. Não se trata apenas da extensão, do número de entradas ou da quantidade de moradores, mas da soma de comprimento, ramificações, curvas de 120 graus e seções interligadas, que transformam o edifício em algo próximo a um bairro inteiro concentrado em uma única estrutura.

