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Columbia-class: o maior submarino nuclear que os EUA já construíram mal começou a ser montado e já está 1 ano atrasado — cada unidade custa US$ 15 bilhões

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Escrito por Douglas Avila Publicado em 28/04/2026 às 18:45 Atualizado em 28/04/2026 às 20:35
Submarino nuclear Columbia-class emergindo do oceano
O Columbia-class será o maior submarino nuclear da história da Marinha dos EUA — mas já está 1 ano atrasado e cada unidade custa US$ 15 bilhões
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Os Estados Unidos estão construindo o maior submarino nuclear de sua história — e ele já nasceu atrasado

A Marinha dos Estados Unidos está montando nos estaleiros de Groton, Connecticut, o Columbia-class (SSBN-826) — uma classe de submarinos nucleares que será a maior e mais cara que o país já construiu.

Segundo reportagem do 19FortyFive, publicada em março de 2026, o primeiro submarino da classe — o USS District of Columbia — já está entre 12 e 16 meses atrasado em relação ao cronograma original.

Contudo, o programa não pode simplesmente ser cancelado ou adiado indefinidamente: os Columbia-class são projetados para substituir os Ohio-class, que servem como a principal plataforma de dissuasão nuclear americana desde os anos 1980. A escala do programa é comparável a projetos como o túnel nuclear de Nevada, onde os EUA também gastaram bilhões em infraestrutura de defesa.

Dessa forma, o maior programa de defesa naval dos Estados Unidos combina dois paradoxos: é grande demais para falhar e complexo demais para cumprir prazos.

Além disso, cada unidade do Columbia-class custa aproximadamente US$ 15 bilhões — mais caro do que a maioria dos porta-aviões de outros países.

Interior de estaleiro naval com casco de submarino nuclear em construção
Representação artística do estaleiro de Groton onde o Columbia-class está sendo montado

Os números que fazem do Columbia o submarino mais impressionante já projetado: 170 metros, 20.815 toneladas e 16 mísseis nucleares

O Columbia-class terá 170,7 metros de comprimento — mais do que um campo de futebol e meio — e deslocará 20.815 toneladas submerso.

Consequentemente, será significativamente maior que os Ohio-class atuais, que já eram os maiores submarinos operados pela Marinha americana com 170 metros e 18.750 toneladas.

Além disso, cada Columbia carregará 16 mísseis balísticos Trident II D5, cada um capaz de transportar múltiplas ogivas nucleares com alcance intercontinental de mais de 12.000 km.

Da mesma forma, o submarino será propulsionado por um reator nuclear S1B de nova geração que, pela primeira vez na história da Marinha americana, não precisará de troca de combustível durante toda a vida operacional do navio — estimada em mais de 40 anos.

Portanto, uma vez que o Columbia-class saia do estaleiro, ele não precisará voltar ao porto para reabastecer o reator — eliminando meses de manutenção que os Ohio-class exigiam a cada 20 anos.

Nesse sentido, o reator “life-of-ship” é uma das inovações tecnológicas mais significativas do programa — e uma das razões pelas quais o custo por unidade é tão alto.

O atraso de 12 a 16 meses: o maior submarino dos EUA já nasceu com problemas de cronograma

De acordo com análises do 19FortyFive e do Government Accountability Office (GAO), o primeiro Columbia-class deveria ser entregue no final de 2027, mas agora a previsão é de 2028 ou início de 2029.

Por outro lado, os motivos do atraso são múltiplos: escassez de mão de obra especializada nos estaleiros, problemas na cadeia de suprimentos de componentes críticos e desafios técnicos na integração do novo reator com os sistemas de propulsão.

Igualmente, os estaleiros de Groton (General Dynamics Electric Boat) e Newport News (Huntington Ingalls) estão sobrecarregados — pois precisam manter e modernizar os submarinos Virginia-class existentes ao mesmo tempo em que montam os Columbia.

Consequentemente, a Marinha enfrenta o que especialistas chamam de “crise de capacidade industrial submarina”: a demanda por novos submarinos excede a capacidade de produção do país.

Sobretudo, o atraso não é apenas uma questão de cronograma — é uma questão de segurança nacional, porque os Ohio-class que os Columbia devem substituir estão envelhecendo e se aproximando do fim da vida operacional.

Ainda assim, cancelar ou reduzir o programa não é opção: sem os Columbia, os EUA perderiam a perna submarina da tríade nuclear — o pilar mais silencioso e difícil de detectar da dissuasão americana.

Míssil Trident II sendo carregado em submarino nuclear
Representação artística — cada Columbia-class carregará 16 mísseis Trident II com ogivas nucleares

Os Ohio-class estão morrendo: a corrida para substituí-los antes que fiquem velhos demais para navegar

Os 14 submarinos Ohio-class foram comissionados entre 1981 e 1997 e têm vida útil projetada de 42 anos.

De fato, os primeiros Ohio já começaram a ser desativados, e o último sairá de serviço por volta de 2039.

No entanto, o plano é que os 12 Columbia-class sejam entregues entre 2028 e 2042, em ritmo de um por ano — o que deixa uma margem mínima de sobreposição entre a aposentadoria dos Ohio e a entrada dos Columbia.

Como resultado, qualquer atraso adicional no programa Columbia pode criar uma janela de vulnerabilidade na qual os EUA teriam menos submarinos nucleares estratégicos do que consideram necessário para manter a dissuasão.

Apesar disso, a Marinha afirma que o programa está “sob controle” e que medidas corretivas estão sendo implementadas para reduzir o atraso.

Por consequência, o Columbia-class se tornou o programa de defesa mais monitorado e mais criticado do Pentágono — justamente porque seu fracasso comprometeria o pilar mais secreto do arsenal nuclear americano.

O plano total: 12 submarinos, US$ 180 bilhões e 4 décadas de construção

O programa Columbia prevê a construção de 12 submarinos ao longo das próximas décadas, com custo total estimado que pode ultrapassar US$ 180 bilhões — tornando-o o programa naval mais caro da história dos Estados Unidos.

Além disso, cada submarino terá uma tripulação de 155 marinheiros, operará por mais de 40 anos e passará a maior parte desse tempo submerso em patrulhas secretas que podem durar meses sem que o submarino precise emergir ou se comunicar com a superfície.

Da mesma forma, a localização exata de cada Columbia em patrulha será um dos segredos mais bem guardados do governo americano — porque a eficácia da dissuasão nuclear submarina depende justamente de o inimigo não saber onde os submarinos estão.

Portanto, os Columbia-class não são apenas máquinas de guerra — são cofres nucleares móveis que navegam silenciosamente pelos oceanos, invisíveis para satélites e quase indetectáveis por sonares.

Vista aérea de estaleiro naval com submarino nuclear gigante mostrando a escala
Representação artística — o Columbia-class terá 170 metros de comprimento, maior que um campo de futebol e meio

O paradoxo do Columbia-class: grande demais para falhar, complexo demais para entregar no prazo

O Columbia-class é um lembrete de que mesmo a maior potência militar do mundo enfrenta limites industriais e logísticos quando se trata de megaprojetos de engenharia naval.

No entanto, o programa continua sendo classificado como “prioridade número um” pela Marinha dos EUA — acima de porta-aviões, fragatas e destróieres.

O maior submarino nuclear da história americana custa mais que o PIB de 50 países, precisa de tecnologias que não existiam quando foi projetado e já está atrasado antes de tocar a água — mas simplesmente não pode ser cancelado, porque sem ele os EUA perdem o pilar mais silencioso e mais temido de sua defesa nuclear.

A pergunta que o Columbia-class coloca para o mundo é simples: até onde a complexidade tecnológica pode ir antes que se torne impossível cumprir o próprio cronograma?

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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