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Coiotes na Califórnia aprenderam a caçar filhotes de foca na praia, arrastam a presa para as dunas e revelam como um predador terrestre passou a explorar o oceano

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 21/01/2026 às 16:03
Assista o vídeoCoiotes passaram a caçar filhotes de foca na costa da Califórnia, mostrando adaptação rara e impacto em colônias de mamíferos.
Coiotes passaram a caçar filhotes de foca na costa da Califórnia, mostrando adaptação rara e impacto em colônias de mamíferos.
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Cena comum de praia na Califórnia ganha detalhe inesperado com registros de câmeras que mostram coiotes capturando filhotes de foca e levando a presa para as dunas, em um comportamento documentado por pesquisadores que ajuda a explicar como predadores terrestres podem explorar recursos marinhos.

Uma cena típica de praia na costa norte da Califórnia ganhou um elemento inesperado quando pesquisadores confirmaram, com registros em vídeo, que coiotes passaram a capturar filhotes de foca-comum em áreas de descanso na areia e a levar as presas para a vegetação de dunas.

A descoberta documenta um caso raro, mas verificável, de um predador terrestre explorando um recurso marinho de alto valor energético em plena faixa costeira, com comportamento repetido e sinais consistentes no local.

Onde o comportamento foi registrado na costa da Califórnia

A comprovação veio de armadilhas fotográficas acionadas por movimento instaladas em MacKerricher State Beach, no condado de Mendocino, uma região onde focas-comuns usam bancos de areia e trechos de praia como área de reprodução e descanso.

O estudo, liderado por pesquisadores ligados à University of California, Santa Cruz, descreve registros diretos de coiotes removendo filhotes da faixa de areia e carregando-os para dentro das dunas, em horários de baixa luminosidade, como fim de noite e início da madrugada.

Estudo publicado na Ecology e evidência em vídeo

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O trabalho foi publicado na revista Ecology, da Ecological Society of America, e detalha o método usado para confirmar que se tratava de caça, e não apenas de consumo oportunista de carcaças.

Para obter evidência robusta, a equipe combinou vídeos capturados por câmeras com investigações de campo no dia seguinte, avaliando rastros, marcas de arrasto e características observadas nos locais onde os filhotes eram encontrados.

A proposta central do artigo foi estabelecer, com base empírica, um padrão de predação que vinha sendo suspeitado por monitores locais após repetidas ocorrências de filhotes mortos em pontos semelhantes das dunas.

Como as câmeras registraram a predação de filhotes de foca

A estratégia de monitoramento usou câmeras do tipo “trail camera”, fixadas em madeira e programadas para gravar vídeos curtos quando acionadas.

Os autores relatam que, em abril e maio de 2023, foram posicionadas de uma a duas câmeras, somando 16 “trap-nights”, e, em abril e maio de 2024, de duas a quatro câmeras, totalizando 48 “trap-nights”.

Ao longo desse esforço, os pesquisadores documentaram três episódios em que coiotes arrastaram filhotes de foca para a vegetação de dunas e se alimentaram no local, com registros ocorrendo entre 23h e 5h.

Padrão repetido nas dunas e histórico de ocorrências

O que tornou o caso particularmente relevante foi a consistência do padrão observado.

O artigo relata que um tipo incomum de mortalidade de filhotes vinha sendo notado naquele ponto da costa desde 2016, com registro anual de casos suspeitos e dezenas de ocorrências acumuladas até 2024.

Em vez de dispersos aleatoriamente, os filhotes eram encontrados em uma área pequena de vegetação de dunas, com indícios recorrentes de remoção do local de origem na praia para um ponto de consumo mais protegido.

Essa repetição reforçou a hipótese de um predador terrestre usando as dunas como cobertura para reduzir o risco de perturbação e aproveitar a presa com mais tempo.

Tamanho dos filhotes e relação entre predador e presa

Para qualificar o perfil das presas, os autores estimaram o comprimento padrão dos filhotes durante necropsias e vistorias de campo, já que a medição direta nem sempre era possível.

A média estimada descrita no estudo foi de cerca de 80,6 centímetros, com base em dezenas de registros, e os autores associam esse tamanho a filhotes muito jovens, ainda nas primeiras semanas de vida.

O trabalho também destaca a relação de escala entre predador e presa, observando que coiotes na porção oeste dos Estados Unidos costumam ter massa corporal na faixa de 10 a 14 quilos, enquanto um filhote de foca, mesmo jovem, representa uma fonte alimentar volumosa, rica em gordura e potencialmente suficiente para sustentar o animal por mais tempo do que presas pequenas e dispersas em terra.

Quando os ataques se concentram na temporada de filhotes

O estudo descreve ainda que a maior parte dos eventos de predação registrados e suspeitos em MacKerricher se concentra no início da temporada de nascimento dos filhotes.

A análise aponta que uma fatia expressiva das ocorrências acontece dentro dos primeiros 20 dias do período de “pupping season” monitorado naquele local, entre meados de abril e o começo de maio, quando a vulnerabilidade é maior e a mobilidade dos filhotes ainda é limitada na areia.

Essa concentração temporal oferece um recorte importante para entender por que o comportamento pode se tornar viável: quando há muitos filhotes reunidos, a probabilidade de encontro aumenta e o custo de busca do predador diminui.

Plasticidade alimentar do coiote e recursos marinhos

Embora o caso tenha chamado atenção pela associação incomum entre coiote e foca, a pesquisa enquadra o comportamento dentro da alta plasticidade alimentar do coiote.

O artigo cita que, em ecossistemas costeiros, a espécie já é conhecida por consumir uma variedade de recursos marinhos, como aves marinhas, invertebrados intertidais, peixes e carcaças de mamíferos marinhos trazidas pela maré.

A diferença, no entanto, é que a captura ativa de filhotes em uma colônia costeira, documentada com vídeo e corroborada por evidências de campo, cria um registro claro de predação e não apenas de carniça.

Registros em outros pontos e indícios no condado de Marin

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Além do foco em MacKerricher, os autores buscaram indícios de escala geográfica maior por meio de registros obtidos com monitores de colônias, naturalistas e fotógrafos de vida selvagem.

O artigo relata quatro observações independentes de caça bem-sucedida em dois pontos do condado de Marin, em ambientes de lagoas costeiras e bancos de areia expostos, onde focas se agrupam fora d’água.

Nessas situações, observadores relataram coiotes se aproximando de agregações de focas na borda de bancos de areia e provocando a dispersão do grupo em direção à água, com captura de filhotes em terra ou em água rasa.

Praia como corredor de oportunidade para predadores terrestres

O quadro descrito pela pesquisa também ajuda a entender por que a faixa costeira pode virar um corredor de oportunidade para predadores terrestres.

Praias, estuários e lagoas formam zonas de encontro entre recursos de dois mundos, e a presença de presas concentradas, previsíveis por sazonalidade, cria condições para que um animal adaptável aprenda rotas, horários e pontos de abordagem.

O estudo não retrata o fenômeno como uma anomalia isolada, mas como uma interação natural entre espécies nativas em um cenário costeiro onde o acesso do predador é possível.

Percepção pública e método científico na observação de fauna

Ao mesmo tempo, a documentação detalhada tende a influenciar a percepção pública sobre o que é “normal” na natureza, especialmente quando envolve filhotes de mamíferos marinhos vistos como carismáticos.

O artigo e a divulgação institucional associada ressaltam que o comportamento observado é parte de relações ecológicas reais e que a confirmação por método científico é essencial para separar impressões de evidência, inclusive em ambientes com alta circulação de pessoas e observação recreativa de fauna.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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