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Classe River e Classe Amazonas: a evolução dos navios-patrulha oceânicos

Escrito por Sara Aquino
Publicado em 16/12/2025 às 19:16
Projeto da Classe River evoluiu na Royal Navy e resultou nos navios-patrulha oceânicos da Classe Amazonas da Marinha do Brasil.
Foto: IA
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Projeto da Classe River evoluiu na Royal Navy e resultou nos navios-patrulha oceânicos da Classe Amazonas da Marinha do Brasil.

Classe River, desenvolvida pela Royal Navy no início do século XXI, transformou o conceito de navios-patrulha oceânicos ao combinar maior autonomia, sensores modernos e capacidade expedicionária.

O projeto, inicialmente pensado para substituir embarcações antigas, acabou influenciando diretamente a criação da Classe Amazonas, hoje um dos pilares da vigilância marítima da Marinha do Brasil, especialmente em áreas distantes da costa e da base de apoio. 

Criados para atender demandas operacionais crescentes, esses navios passaram a operar em diferentes regiões do mundo, do Atlântico Sul ao Indo-Pacífico.

Assim, o que começou como um programa britânico se tornou uma solução global para patrulha oceânica, proteção da Zona Econômica Exclusiva (ZEE) e presença naval estratégica. 

Classe River: a resposta da Royal Navy aos novos desafios marítimos 

No início dos anos 2000, Royal Navy decidiu substituir os antigos patrulheiros da classe Island, em operação desde a década de 1970. O objetivo era claro: modernizar a frota com embarcações maiores, mais eficientes e capazes de permanecer longos períodos no mar. 

O resultado foi a Classe River, projetada pelo estaleiro Vosper Thornycroft, com apoio da Three Quays Marine.

Esses novos navios-patrulha oceânicos apresentavam maior deslocamento, melhor estabilidade e autonomia ampliada, permitindo missões prolongadas ao redor do Reino Unido. 

Entretanto, logo ficou evidente uma limitação importante: as primeiras unidades não tinham capacidade para operar helicópteros, algo essencial para missões de vigilância em áreas remotas. 

HMS Clyde: o elo entre a Classe River e a transformação do projeto 

Para suprir essa lacuna, o Reino Unido encomendou uma versão aprimorada da Classe River destinada ao Atlântico Sul, especialmente à região das Ilhas Falklands/Malvinas.

Dessa iniciativa nasceu a HMS Clyde, uma unidade única e significativamente modificada. 

O navio apresentava casco maior, deslocamento ampliado e capacidade de operar helicópteros de grande porte, como o EH101 Merlin, ainda que sem hangar.

Apesar dessas melhorias, a HMS Clyde nunca foi oficialmente classificada como Batch 2, sendo considerada apenas uma evolução do Batch 1. 

Após operar até 2019, o navio chegou a ser cogitado para a Marinha do Brasil, mas acabou vendido ao Bahrein, onde passou a se chamar Al-Zubara. 

Classe Port of Spain: o salto definitivo dos navios-patrulha oceânicos 

Paralelamente à operação do Clyde, a Vosper Thornycroft assinou contrato com Trinidad e Tobago para fornecer três unidades ainda mais evoluídas. O projeto manteve o “DNA” da Classe River, mas incorporou mudanças profundas. 

O comprimento do casco aumentou para 90 metros, enquanto o deslocamento chegou a aproximadamente 2.000 toneladas.

Além disso, a proa foi redesenhada para reduzir a formação de ondas, melhorando o consumo de combustível e o conforto da tripulação. 

Os navios também receberam o radar Terma SCANTER 4100, um Sistema de Gestão de Combate (CMS) integrado e motores mais potentes, capazes de atingir até 25 nós.

Assim nasceu a classe Port of Spain, consolidando o conceito moderno de navios-patrulha oceânicos de longo alcance. 

Da Classe Port of Spain à Classe Amazonas da Marinha do Brasil 

Embora os navios tenham sido lançados entre 2009 e 2010, mudanças políticas e financeiras levaram Trinidad e Tobago a cancelar a encomenda.

Nesse contexto, surgiram negociações com o Brasil, que à época conduzia o PROSUPER, programa estratégico de modernização da força de superfície. 

Em 2011, a Marinha do Brasil decidiu aceitar a proposta da BAE Systems, adquirindo três unidades por cerca de 134 milhões de libras esterlinas.

Assim nasceram o P-120 Amazonas, o Apa e o Araguari, formando oficialmente a Classe Amazonas

Esses navios-patrulha oceânicos passaram a atuar em diferentes distritos navais, reforçando a vigilância da ZEE brasileira e ampliando a capacidade de presença naval em águas internacionais. 

Classe River Batch 2 e a convergência com a Classe Amazonas 

Enquanto o Brasil incorporava seus navios, a Royal Navy contratou novas unidades da Classe River Batch 2.

Na prática, esses navios são muito semelhantes aos da Classe Amazonas, com diferenças pontuais em sensores, armamento secundário e sistemas internos. 

Hoje, a Royal Navy opera cinco unidades Batch 2 em missões no Caribe, Atlântico Sul, Mediterrâneo e Indo-Pacífico.

Essa flexibilidade comprova o acerto do projeto e reforça a relevância dos navios-patrulha oceânicos em cenários globais. 

Por que a Classe Amazonas é estratégica para o Brasil 

Com uma das maiores Zonas Econômicas Exclusivas do mundo, o Brasil depende de embarcações com grande autonomia e capacidade de operar longe da costa.

Nesse sentido, a Classe Amazonas, derivada diretamente da Classe River, atende plenamente a essas necessidades. 

Além da vigilância marítima, esses navios permitem cooperação internacional, combate a atividades ilegais e presença diplomática em portos estrangeiros.

Portanto, a história da Classe River não apenas explica a origem desses navios, como evidencia seu papel estratégico para a Marinha do Brasil no século XXI. 

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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