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Com Infinity Train, mineração aposta em transporte ferroviário elétrico autossuficiente

Escrito por Sara Aquino
Publicado em 16/12/2025 às 18:38
Atualizado em 16/12/2025 às 18:41
Infinity Train começa a operar e impulsiona a descarbonização industrial com energia regenerativa no transporte ferroviário elétrico.
Foto: IA
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Infinity Train começa a operar e impulsiona a descarbonização industrial com energia regenerativa no transporte ferroviário elétrico.

A Fortescue Metals iniciou, nesta semana, a operação comercial do Infinity Train em suas minas na região de Pilbara, no oeste da Austrália.

Desenvolvido para operar sem diesel e sem recarga externa contínua, o trem utiliza energia regenerativa gerada pela própria gravidade.

O projeto foi desenvolvido pela Fortescue em parceria com a Progress Rail, divisão da Caterpillar, e a Downer Group. 

Como funciona o Infinity Train e por que ele é diferente 

Infinity Train é equipado com baterias gigantes de 14,5 MWh, carregadas apenas uma única vez com energia da rede elétrica.

A partir desse ponto, o sistema passa a se manter funcionalmente carregado por tempo indeterminado, graças a um mecanismo inteligente de energia regenerativa

Na prática, quando o trem desce os trechos inclinados transportando minério de ferro, a energia gerada durante as frenagens é capturada e armazenada nas baterias.

Essa eletricidade é suficiente para alimentar toda a viagem de retorno, quando os vagões sobem vazios, sem necessidade de qualquer tipo de recarga externa. 

Energia regenerativa elimina diesel e infraestrutura adicional 

Esse modelo operacional permite eliminar completamente o uso de diesel, além de dispensar infraestrutura complexa de recarga ou a instalação de fontes renováveis adicionais ao longo da ferrovia.

Portanto, o transporte ferroviário elétrico passa a operar de forma autossuficiente, usando a própria topografia da região como fonte energética. 

Segundo a Fortescue, a adoção do Infinity Train deve eliminar mais de 82 milhões de litros de diesel por ano.

Esse volume representa aproximadamente 11% das emissões diretas (escopo 1) da companhia, um impacto significativo dentro da estratégia de mineração sustentável

Testes de longa distância comprovaram viabilidade operacional 

A empresa precedeu a estreia comercial do Infinity Train com um teste rigoroso de 1.100 quilômetros entre as cidades de Perth e Pilbara.

Durante o percurso, o protótipo demonstrou plena capacidade de enfrentar as exigências de uma operação de transporte de minério em larga escala, incluindo peso elevado, longas distâncias e variações acentuadas de altitude. 

“Não é todo dia que você dá boas-vindas não a um, mas a dois dos maiores trens elétricos a bateria do mundo”, celebrou o CEO da Fortescue Metals, Dino Otranto, ao anunciar o início das operações. 

Estratégia de descarbonização industrial e meta Real Zero 

A CEO da Fortescue Zero, Ellie Coates, também destacou o projeto como um avanço concreto rumo à meta de emissões zero reais da empresa, conhecida internamente como “Real Zero”.

Diferentemente de compensações de carbono, o conceito busca eliminar emissões diretamente na origem, especialmente nas operações industriais mais intensivas em energia. 

Nesse contexto, o Infinity Train se torna uma peça-chave da estratégia de descarbonização industrial, ao atacar um dos principais focos de emissões da mineração: o transporte de grandes volumes de material. 

Conceito conhecido, aplicação inédita em trens pesados 

Embora empresas já explorassem o uso de energia regenerativa desde pelo menos 2017 em caminhões de mineração que operam em áreas montanhosas.

Com quase 400 quilômetros de trilhos dedicados à extração de minério de ferro, a Fortescue conseguiu adaptar toda a sua malha ferroviária às condições topográficas da região. 

Assim, a descida carregada deixou de ser apenas um trecho logístico e passou a funcionar como uma verdadeira “usina móvel” de geração de energia. 

Solução escalável para outras operações industriais 

Além de reduzir emissões e custos, o modelo do Infinity Train se posiciona como uma solução escalável para outras operações industriais que dependem de transporte ferroviário elétrico intenso e operam em rotas com variações de altitude.

Portanto, a tecnologia permite que setores como mineração, siderurgia e logística pesada a repliquem em diferentes regiões do mundo.

Quando a gravidade vira combustível 

Os trens elétricos Infinity reforçam que a eletrificação industrial pode ir muito além dos carros de passeio.

Assim, ao unir tecnologia, o projeto mostra que a mineração pode transformar até forças naturais em aliadas da sustentabilidade.

Então em um setor historicamente associado a altas emissões, o Infinity Train surge como um exemplo concreto de como inovação pode redefinir padrões e acelerar a transição para uma indústria mais limpa e eficiente. 

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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