Experimento conduzido por pesquisadores dos Estados Unidos registrou pela primeira vez descargas elétricas ultravioletas nas folhas de árvores durante tempestades, fenômeno elétrico investigado há quase um século e que pode impactar florestas comerciais em várias partes do mundo
Durante quase cem anos, cientistas levantaram uma suspeita curiosa. Em meio às tempestades, algo estranho poderia estar acontecendo nas copas das árvores. Pequenas descargas elétricas surgiriam nas pontas das folhas, mas ninguém jamais havia conseguido registrar o fenômeno elétrico diretamente.
Agora isso mudou.
Pesquisadores dos Estados Unidos finalmente conseguiram observar e medir essas descargas no ambiente natural. O resultado chamou a atenção da comunidade científica porque revela um comportamento elétrico invisível que pode afetar florestas inteiras, inclusive áreas exploradas pela indústria de madeira e celulose.
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O fenômeno recebeu um nome técnico conhecido como descarga corona. Apesar de existir há muito tempo na teoria da física atmosférica, sua presença nas árvores durante tempestades só foi comprovada recentemente.
Um mistério elétrico que intrigava cientistas há quase um século finalmente apareceu nas copas das árvores durante uma tempestade
A ideia de que árvores poderiam emitir pequenas descargas elétricas durante trovoadas surgiu décadas atrás. O problema é que ninguém tinha conseguido observar isso diretamente na natureza.
Segundo pesquisadores da Pennsylvania State University, o fenômeno elétrico acontece quando a carga elétrica acumulada nas nuvens cria um campo elétrico intenso entre o céu e o solo.
Esse campo induz uma carga oposta no chão.
Nas árvores, essa energia acaba se concentrando nas pontas mais finas, como folhas e ramos. É justamente nesses pontos que surgem pequenos clarões elétricos.
Essas descargas são chamadas de corona.
Elas aparecem como um brilho azulado extremamente fraco e geralmente invisível ao olho humano. Para detectá-las, foi necessário usar equipamentos capazes de captar radiação ultravioleta.
A engenharia improvisada que transformou uma minivan comum em um laboratório científico móvel para registrar o fenômeno
Para observar o fenômeno elétrico em campo, os pesquisadores precisaram improvisar.
A equipe adaptou uma minivan Toyota Sienna de 2013 e a transformou em um laboratório móvel capaz de operar no meio de tempestades. O veículo recebeu sensores e instrumentos usados normalmente em pesquisas meteorológicas.
Segundo Patrick McFarland, meteorologista e autor principal do estudo, a equipe precisou abrir um grande espaço no teto do carro para instalar uma câmera especial.
Esse equipamento consegue registrar emissões ultravioleta produzidas pelas descargas elétricas.
Além da câmera, o laboratório móvel também utilizou sensores que medem o campo elétrico da atmosfera e instrumentos de medição a laser.
Foi essa combinação de equipamentos que permitiu capturar as primeiras imagens reais do fenômeno.
Apenas noventa minutos de observação revelaram dezenas de descargas elétricas saltando entre folhas durante a tempestade
O resultado surpreendeu até os próprios pesquisadores.
Durante apenas noventa minutos de monitoramento, a equipe registrou 41 descargas corona em uma única árvore.
Algumas dessas descargas duraram até três segundos. Outras pareciam saltar de folha em folha na copa da árvore.
Esse comportamento sugere que o fenômeno pode ocorrer de forma muito mais intensa do que se imaginava.
Os registros foram feitos durante o verão de 2024 na cidade de Pembroke, na Carolina do Norte.
Depois disso, fenômenos semelhantes também foram observados em outras espécies de árvores e em diferentes estados dos Estados Unidos, incluindo regiões entre a Flórida e a Pennsylvania.
Descargas elétricas quase invisíveis podem estar danificando folhas e levantam alerta para florestas comerciais em várias partes do mundo
O estudo levanta uma questão importante.
Essas descargas elétricas podem provocar pequenos danos nas folhas das árvores.
Segundo os pesquisadores, a energia liberada pode queimar as pontas das folhas ou afetar a cutícula. Essa camada funciona como uma proteção natural da planta.
Quando essa proteção sofre danos repetidos, a planta pode se tornar mais vulnerável a estresse ambiental.
Isso levanta uma dúvida relevante para regiões que dependem de florestas comerciais.
Espécies como eucalipto e pinheiro, amplamente usadas pela indústria de papel, celulose e madeira, também podem estar sujeitas ao mesmo fenômeno durante tempestades.
Até o momento não existem estudos semelhantes realizados em florestas europeias ou em outros continentes.
O que os cientistas querem descobrir agora sobre o impacto dessas descargas elétricas nas florestas e no equilíbrio ambiental
Agora a próxima etapa da pesquisa será entender o impacto real dessas descargas.
Os cientistas querem investigar se o fenômeno pode afetar o crescimento das árvores ou provocar danos acumulados ao longo dos anos.
Patrick McFarland afirma que a equipe pretende trabalhar com especialistas em botânica e ecologia para aprofundar essa investigação.
Se essas descargas fossem visíveis para o olho humano, o cenário durante uma tempestade seria impressionante.
Segundo o pesquisador, as copas das árvores pareceriam um enorme espetáculo de luz, como se milhares de pequenos pontos luminosos estivessem piscando no topo da floresta.
O estudo chamado Corona Discharges Glow on Trees Under Thunderstorms foi publicado na revista científica Geophysical Research Letters e está disponível em acesso livre.
O que parecia apenas uma hipótese científica se transformou em um fenômeno confirmado no ambiente natural.
A descoberta chamou atenção porque revela que tempestades produzem efeitos elétricos muito mais complexos do que se imaginava.
E isso abre novas perguntas sobre o funcionamento da atmosfera e o impacto desse processo silencioso nas florestas do planeta.
Você já tinha ouvido falar desse tipo de descarga elétrica acontecendo nas árvores durante tempestades? Acha que fenômenos naturais como esse ainda escondem muitos mistérios da natureza? Deixe sua opinião nos comentários.

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