1. Início
  2. / Economia
  3. / De entregador de jornal aos 12 anos a dono de indústria com 215 pessoas, Silmo de Ávila saiu da roça, aprendeu metalúrgica sozinho, quebrou em 2019 e ressurgiu vendendo kits pela internet até criar máquinas para pecuária no agro brasileiro
Tempo de leitura 7 min de leitura Comentários 0 comentários

De entregador de jornal aos 12 anos a dono de indústria com 215 pessoas, Silmo de Ávila saiu da roça, aprendeu metalúrgica sozinho, quebrou em 2019 e ressurgiu vendendo kits pela internet até criar máquinas para pecuária no agro brasileiro

Escrito por Carla Teles
Publicado em 17/06/2026 às 19:45
Atualizado em 17/06/2026 às 19:47
De entregador de jornal aos 12 anos a dono de indústria com 215 pessoas, Silmo de Ávila saiu da roça, aprendeu metalúrgica sozinho, quebrou em 2019 e ressurgiu vendendo kits pela internet (1)
Entregador de jornal vira metalúrgica no agro brasileiro com kits pela internet e máquinas de pecuária.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo

O entregador de jornal Silmo Lourenço de Ávila passou por metalúrgica, crise de 2019 e kits pela internet antes de criar máquinas de pecuária no agro brasileiro. Relato mostra como aprendizado prático, venda online e escuta de produtores ajudaram a reerguer sua indústria gaúcha com 215 pessoas no campo atual.

O entregador de jornal que começou a trabalhar aos 12 anos se tornou o empresário Silmo de Ávila, conhecido no agro brasileiro pela trajetória ligada à metalúrgica e às máquinas de pecuária. A história foi contada por ele no podcast MFC, do MF Rural, em Marília.

Natural do Rio Grande do Sul, Silmo relatou uma caminhada marcada por infância na cidade, desejo pelo campo, passagem pela granja da família, aprendizado dentro de indústria metalúrgica, crise empresarial em 2019 e retomada com kits pela internet até a consolidação da Agross do Brasil.

O primeiro trabalho nasceu depois de uma reprovação na escola

Entregador de jornal vira metalúrgica no agro brasileiro com kits pela internet e máquinas de pecuária.
Imagem: Reprodução/MF Cast | MF TV/Youtube

A história profissional de Silmo começou cedo. Depois de reprovar na sexta série, ele ouviu do pai que precisaria trabalhar. Ainda menino, procurou uma vizinha que era dona de um jornal e conseguiu sua primeira ocupação na cidade.

Aos 12 anos, virou entregador de jornal. O trabalho, inicialmente simples, ganhou outro sentido quando ele passou a ler as manchetes antes de sair para a rua. Em pouco tempo, deixou de apenas entregar exemplares e começou também a vender jornais, aumentando a própria renda.

Da bicicleta pelas ruas ao interesse pelas notícias

Silmo contou que pedalava pela cidade entregando jornais e começou a perceber o interesse das pessoas pelas manchetes. Quando alguém perguntava o que havia acontecido, ele usava a notícia como argumento de venda.

O resultado foi inesperado. Segundo o relato, chegou a ganhar, ainda adolescente, mais dinheiro vendendo jornais do que apenas fazendo entregas. Foi ali que o ex-entregador de jornal aprendeu, na prática, a observar oportunidade, abordar pessoas e transformar conversa em venda.

A roça apareceu depois, mas nem tudo encaixou de primeira

Embora o campo sempre tivesse força em sua vida, Silmo não passou toda a infância na fazenda. Ele cresceu na cidade, mas o pai tinha ligação com granja e lavoura, o que alimentava nele o desejo de viver o agro de perto.

Quando finalmente foi trabalhar com o pai, encontrou uma rotina dura. Havia plantio, pecuária leiteira, trato de animais e tarefas manuais. Silmo gostava do campo, mas começou a questionar os métodos antigos e a buscar formas de fazer o trabalho render mais.

Carrinhos para tratar vacas anteciparam a mentalidade de melhoria

Um episódio marcante foi a tentativa de mudar o jeito de tratar as vacas. Ele percebeu que o uso de carrinhos poderia reduzir horas de esforço no manejo diário, substituindo parte do trabalho pesado feito com balaio e garfo.

A ideia não foi bem recebida pelo pai no primeiro momento. Mesmo assim, Silmo chegou a comprar carrinhos e testar o processo, reduzindo o tempo do trato. A experiência mostrou uma característica que apareceria depois na indústria: olhar para uma rotina comum e tentar redesenhá-la com eficiência.

Metalúrgica virou escola para quem não sabia soldar

Depois de sair da granja, Silmo entrou em uma indústria de máquinas ligada ao agro. Na entrevista, admitiu que não sabia metalúrgica, mas afirmou que aprenderia rápido. Começou por baixo, removendo respingos de solda das peças.

A partir dali, passou por solda, montagem, furadeira, torno e ferramentaria. Aprendeu observando colegas, testando processos e pedindo mais serviço quando ficava parado. A metalúrgica virou uma escola prática, onde ele formou a base técnica que mais tarde sustentaria sua própria indústria.

O sonho da indústria surgiu dentro da fábrica

Enquanto conhecia os setores, Silmo percebeu que aquela fábrica produzia máquinas usadas no campo. A conexão entre indústria e lavoura mexeu com ele. O antigo entregador de jornal enxergou ali um caminho para unir a paixão pelo agro com a habilidade mecânica que estava desenvolvendo.

Segundo o relato, ainda no início da experiência industrial ele decidiu que um dia teria uma indústria. O objetivo não era apenas fabricar peças, mas construir soluções que fizessem sentido para quem vivia a rotina rural.

Rodas tortas abriram caminho para o primeiro negócio

A virada empreendedora começou de forma improvável. Silmo comprou rodas tortas, consertou, pintou e colocou em sua Brasília. Quando as rodas chamaram atenção, surgiu a chance de vender o conjunto por um valor alto para sua realidade da época.

Depois disso, buscou mais rodas danificadas e percebeu uma oportunidade. Com acesso a torno e conhecimento técnico, passou a consertar rodas e prestar serviços. O que parecia improviso virou porta de entrada para uma oficina e para os primeiros clientes.

A oficina cresceu com torno, SENAI e terceirização

A trajetória avançou quando Silmo conseguiu comprar máquinas, mesmo enfrentando dificuldade financeira. Em seguida, surgiu a chance de ministrar curso de torneiro mecânico pelo SENAI, o que ajudou a movimentar a oficina e formar mão de obra.

Com a visibilidade do curso e a demanda de serviços, vieram alunos, clientes e novas encomendas. Depois, a antiga empresa onde ele havia trabalhado passou a terceirizar peças com sua oficina. A Tornitec cresceu fabricando componentes para indústrias do agro e ampliou sua presença no setor metalúrgico.

A quebra de 2019 quase encerrou o sonho industrial

O crescimento, porém, não impediu uma crise severa. Silmo relatou que, em 2019, concentrou vendas em dois grandes clientes que ofereciam margem melhor. Quando ambos quebraram, a empresa também foi atingida.

Segundo ele, o calote consumiu mais do que seu capital de giro e reduziu grande parte do faturamento. A situação levou a um momento de forte abatimento pessoal e à ideia de desmontar a indústria. O sonho construído desde a juventude parecia perto de acabar.

Kits vendidos pela internet deram oxigênio ao negócio

A retomada começou quando Silmo decidiu ressuscitar um produto antigo: um kit ligado ao plantio. Sem caixa para produzir antes, ele usou a venda pela internet como saída, recebendo primeiro para depois fabricar e entregar.

O resultado veio rápido. Conforme seu relato, em uma semana havia R$ 100 mil em kits vendidos. A internet, que poderia parecer distante da metalúrgica tradicional, virou canal de sobrevivência e ajudou a empresa a respirar durante a crise.

Máquinas de pecuária surgiram de observação no campo

Depois dos kits, Silmo percebeu que precisava de uma linha mais estruturada. Como conhecia a pecuária desde a juventude, decidiu olhar para máquinas usadas no trato animal. Visitou propriedades, ouviu produtores e levantou pontos positivos, falhas e necessidades dos equipamentos disponíveis.

A criação das primeiras máquinas de pecuária nasceu dessa escuta direta. Ele aproveitou peças, estudou demandas e levou protótipos ao campo. A virada não veio apenas da metalúrgica, mas da capacidade de ouvir o produtor e traduzir a dor da fazenda em equipamento.

Tornitec ficou no passado e a Agross ganhou força

Com o avanço das máquinas, o nome Agross começou a ganhar força. Inicialmente, segundo o relato, Agross era o nome dos equipamentos, mas a identificação da equipe com a marca fez o nome crescer até substituir a Tornitec.

A marca passou a ser Agross do Brasil. Silmo explicou que o “S” duplicado tem relação com sua história familiar, envolvendo o próprio nome, o pai e o filho. A mudança de nome marcou também uma mudança de posicionamento: de fornecedora de peças para indústria de soluções voltadas ao agro.

De menino da cidade a empresário com 215 pessoas no agro

A trajetória de Silmo de Ávila reúne passagens que parecem desconectadas: jornal, frigorífico, roça, metalúrgica, rodas tortas, curso técnico, crise financeira, venda online e máquinas de pecuária. Mas, juntas, elas formam uma linha clara de aprendizado prático.

Hoje, segundo seu relato no podcast, a operação conta com 215 pessoas trabalhando no negócio. O antigo entregador de jornal transformou necessidade, curiosidade e insistência em uma indústria ligada ao agro brasileiro.

Uma história de queda, reinvenção e escuta do produtor

A história de Silmo de Ávila mostra que o empreendedorismo no agro nem sempre nasce de grandes planejamentos. No caso dele, começou com a necessidade de trabalhar cedo, passou pela bicicleta de entregador de jornal, ganhou técnica na metalúrgica e sobreviveu a uma quebra quase definitiva em 2019.

A virada veio quando ele voltou a vender, ouviu o produtor e transformou conhecimento de campo em máquinas para pecuária. Você acredita que histórias como a de Silmo provam que a prática ainda ensina mais do que qualquer sala de aula, ou sem estudo formal fica mais difícil escalar um negócio no agro? Comente sua opinião.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Carla Teles

Produzo conteúdos diários sobre economia, curiosidades, setor automotivo, tecnologia, inovação, construção e setor de petróleo e gás, com foco no que realmente importa para o mercado brasileiro. Aqui, você encontra oportunidades de trabalho atualizadas e as principais movimentações da indústria. Tem uma sugestão de pauta ou quer divulgar sua vaga? Fale comigo: carlatdl016@gmail.com

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x