Pesquisa conduzida pela Universidade de Sharjah analisou cinco estudos e identificou que enxaguantes com extrato de alho podem reduzir bactérias da saliva com eficácia semelhante à da clorexidina, embora provoquem desconforto e mantenham o odor característico
Pesquisadores da Universidade de Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos, identificaram um possível uso inesperado para o alho: enxaguante bucal.
Segundo os responsáveis pelo estudo, o extrato concentrado do ingrediente pode oferecer proteção prolongada contra bactérias da boca porque apresenta desempenho comparável ao de produtos líderes do mercado.
A investigação reuniu dados de cinco estudos diferentes e analisou os efeitos antimicrobianos do composto.
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Os autores observaram que enxaguantes produzidos com altas concentrações de extrato de alho podem alcançar eficácia similar à da clorexidina, ingrediente ativo presente em produtos amplamente conhecidos.
Além disso, os pesquisadores destacaram que o extrato pode proporcionar ação mais duradoura, o que despertou interesse para seu uso como alternativa.
Comparação com a clorexidina
A clorexidina é reconhecida por sua ação antisséptica e costuma ser adotada como padrão ouro em tratamentos bucais.
Entretanto, seu uso está relacionado a efeitos colaterais e preocupações envolvendo resistência antimicrobiana, conforme apontaram os estudiosos no Journal of Herbal Medicine.
O alho, por possuir propriedades antimicrobianas naturais, apareceu como possível substituto em determinados produtos.
Os autores ressaltaram que pesquisas anteriores já demonstravam o potencial do alho como um agente antibacteriano e antifúngico potente.
Além de aplicações na saúde bucal, extratos do ingrediente são empregados em itens voltados para a função imunológica, a circulação e a saúde do coração.
Resultados da meta-análise
A meta-análise revelou que, em uma semana de uso, um enxaguante bucal feito com extrato de alho a 3% reduziu de forma significativa a presença de bactérias na saliva.
Esse desempenho superou o de um enxaguante com clorexidina a 0,2% nas mesmas condições. Os pesquisadores afirmaram que os efeitos colaterais do extrato de alho são, em geral, menos intensos do que os observados com compostos químicos presentes em outros produtos.
Os efeitos adversos registrados incluíram desconforto na boca e odor forte. Já a clorexidina pode provocar manchas nos dentes, alteração do paladar e sensação de queimação.
Mesmo com as limitações, os especialistas concluíram que o extrato apresentou eficácia clínica consistente, com redução relevante na contagem bacteriana inicial.
Necessidade de novos estudos
Os responsáveis pela pesquisa enfatizaram que ainda faltam estudos clínicos com amostras maiores e acompanhamento mais longo para confirmar a viabilidade do extrato de alho como enxaguante bucal alternativo.
Eles lembraram que muitos estudos analisados foram realizados in vitro e carecem de padronização, o que reforça a importância de novas investigações.
Os autores afirmaram que os benefícios do alho estão associados aos compostos naturais presentes na planta, especialmente a alicina.
Segundo uma revisão de 2018 feita pela Universidade de Nottingham, esses efeitos derivam dos componentes de enxofre que o vegetal absorve do solo. Durante o preparo e a digestão, eles se transformam em cerca de 50 substâncias diferentes que contêm enxofre e se tornam biologicamente ativas no organismo.
