1. Início
  2. / Ciência e Tecnologia
  3. / Cientistas provam que pessoas conseguem sentir objetos enterrados na areia sem tocar neles e acertam 70,7% das vezes, chegando a quase 7 centímetros de distância
Tempo de leitura 5 min de leitura Comentários 0 comentários

Cientistas provam que pessoas conseguem sentir objetos enterrados na areia sem tocar neles e acertam 70,7% das vezes, chegando a quase 7 centímetros de distância

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 13/02/2026 às 09:48
Atualizado em 13/02/2026 às 09:50
Estudo mostra que humanos conseguem sentir objetos sob areia a até 6,9 cm com 70,7% de acerto, superando precisão de robô.
Estudo mostra que humanos conseguem sentir objetos sob areia a até 6,9 cm com 70,7% de acerto, superando precisão de robô.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo

Pesquisa apresentada na Conferência Internacional IEEE sobre Desenvolvimento e Aprendizagem de 2025 mostra que voluntários conseguiram sentir objetos enterrados sob areia seca a até 6,9 centímetros de distância com 70,7% de acerto, desempenho próximo ao limite físico previsto por modelos granulares e superior à precisão de 40% obtida por sistema robótico com sensor tátil e algoritmo LSTM

Doze participantes em Londres conseguiram sentir objetos enterrados sob areia seca sem tocá-los, alcançando 70,7% de acerto e distância média de 6,9 centímetros, segundo dados apresentados em setembro de 2025 e publicados na IEEE Xplore.

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Queen Mary University of London e do University College London. O experimento buscou medir sistematicamente a capacidade humana de sentir objetos sem contato direto, explorando os limites físicos da propagação de forças em meios granulares.

No estudo, os participantes deslizaram o dedo indicador sobre areia seca, seguindo trajetórias delimitadas por luzes de LED. Em algumas tentativas, um pequeno cubo estava enterrado a sete centímetros de profundidade. Em outras, o objeto estava ausente.

A instrução era interromper o movimento assim que a presença de um objeto se tornasse perceptível, antes de qualquer contato. Nenhum participante tocou o cubo em testes considerados bem-sucedidos.

sentir objetos a distância em meio granular foi medido com humanos e robôs

Os dados documentados nos anais da conferência IEEE indicam que os voluntários identificaram corretamente o objeto em 70,7% das tentativas. A distância média de detecção foi de 6,9 centímetros, com mediana de 2,7 centímetros.

Modelos físicos de propagação de forças em meios granulares previram uma distância máxima de aproximadamente sete centímetros. O desempenho humano permaneceu dentro da faixa prevista pelos cálculos teóricos.

Os pesquisadores destacaram que a experiência não anuncia um novo sentido, mas evidencia que um dos sentidos mais antigos pode operar em uma faixa nunca antes testada de forma sistemática.

Experimento robótico alcança 7,1 centímetros, mas com precisão de 40%

Um braço robótico equipado com sensor tátil e algoritmo de memória de longo prazo LSTM foi submetido a experimento paralelo. O sistema detectou objetos a uma distância média de 7,1 centímetros.

A mediana robótica foi de seis centímetros, superando a mediana humana de 2,7 centímetros. Apesar da distância superior, o sistema apresentou falsos positivos frequentes, reduzindo a precisão global para 40%.

Segundo os pesquisadores, o robô foi capaz de detectar objetos ligeiramente mais longe do que os participantes humanos, mas a queda na precisão comprometeu o desempenho em comparação aos 70,7% alcançados pelos voluntários.

A disparidade entre alcance e precisão foi registrada nos materiais apresentados na Conferência Internacional IEEE sobre Desenvolvimento e Aprendizagem de 2025.

Mecanorreceptores explicam como humanos conseguem sentir objetos sem contato

O mecanismo descrito no estudo não envolve percepção extrassensorial nem sensibilidade magnética. A explicação reside nos mecanorreceptores presentes na ponta dos dedos humanos.

Ao se mover sobre a areia, o dedo desloca grãos à sua frente. A presença de um objeto enterrado altera o padrão desse deslocamento. A resistência modificada e o perfil vibratório retornam pela coluna granular até o dedo.

O cérebro interpreta esse perfil alterado como proximidade de um objeto. Assim, a capacidade de sentir objetos emerge da leitura de variações mecânicas no meio granular.

A investigação inspirou-se em aves costeiras como maçaricos e borrelhos, que localizam presas enterradas ao detectar perturbações mecânicas no sedimento.

Condições controladas limitam generalização dos resultados

Os pesquisadores ressaltaram que as condições experimentais foram rigorosamente controladas. A areia utilizada era seca e uniforme. O movimento dos dedos era lento e unidirecional.

O formato do objeto permanecia consistente em todas as tentativas. Ainda não se sabe se o efeito persiste em areia úmida, com detritos misturados ou sob movimento irregular.

Também não foi testado se objetos não cúbicos produzem padrões detectáveis com a mesma eficácia. Essas variáveis continuam sem mapeamento sistemático.

Debate sobre terminologia após cobertura pública

Após a conferência de setembro de 2025, reportagens classificaram o achado como um sétimo sentido oculto ou tato remoto. Os autores do artigo técnico não utilizaram essa terminologia.

O resumo descreve a descoberta como uma capacidade tátil não documentada anteriormente em humanos, quantificando alcance e precisão, sem alegar nova modalidade sensorial.

Elisabetta Versace afirmou que é a primeira vez que o toque remoto é estudado em humanos e que isso modifica a concepção do campo receptivo em seres vivos, incluindo humanos.

A distinção tem implicações para neurociência e engenharia. Caso fosse um novo sentido, seria necessário localizar base anatômica específica e vias neurais dedicadas.

Se for uma capacidade não mensurada do sistema tátil existente, a questão passa a ser por que essa habilidade não foi quantificada antes e como o cérebro extrai sinais do ruído com tanta eficiência.

Aplicações sugeridas incluem arqueologia e exploração planetária

A equipe mencionou aplicações potenciais em arqueologia, onde artefatos enterrados poderiam ser localizados sem danos por escavação direta.

Também foram citadas possibilidades na exploração planetária e submarina, permitindo detectar características subterrâneas em Marte ou no fundo do oceano sem contato direto.

Zhengqi Chen afirmou que a descoberta pode orientar o desenvolvimento de robôs capazes de realizar operações delicadas, como localizar artefatos sem danificá-los ou explorar terrenos granulares.

Atualmente, não existem ferramentas operacionais baseadas nesse princípio. O sistema robótico testado apresentou taxa de 40%, considerada insuficiente fora do laboratório.

Os engenheiros ainda não determinaram se a discrepância entre humanos e robôs reflete limitações de hardware, arquitetura de aprendizado de máquina ou diferenças fundamentais entre percepção biológica e artificial.

O estudo não avaliou se o treinamento aumenta a capacidade de sentir objetos, se há variação individual significativa ou se a sensibilidade diminui com a idade.

Essas questões permanecem abertas. Segundo os registros da conferência de novembro de 2025, são prioridades para investigações futuras.

Ao demonstrar que humanos conseguem sentir objetos sob a areia a distâncias próximas aos limites físicos previstos, o experimento estabelece um marco empírico. A capacidade, antes não mensurada, passa a integrar o campo de investigação formal da neurociência tátil e da engenharia robótica.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x