Mapeamentos sucessivos com tecnologia LiDAR identificaram anomalias no relevo compatíveis com uma grande capital monumental destruída no século XI, reacendendo um debate arqueológico com mais de mil anos e levantando a possibilidade concreta de futuras escavações científicas no sul da Espanha
A busca pela lendária cidade perdida Madinat al-Zāhira pode ter avançado após um estudo indicar sua localização nas colinas de Pendolillas, a leste de Córdoba, com base em levantamentos LiDAR que identificaram anomalias compatíveis com uma capital monumental de cerca de 120 hectares.
Uma cidade perdida mítica da arqueologia islâmica
Durante mais de mil anos, a localização de Madinat al-Zāhira tem sido um dos temas mais debatidos da arqueologia islâmica. A cidade é lembrada como uma maravilha arquitetônica que combinava estilos islâmico, romano e visigótico, com palácios suntuosos, jardins extensos e piscinas de mercúrio projetadas para causar impacto tecnológico.
Construída pelo califado omíada de al-Andalus, Madinat al-Zāhira teve papel central na estrutura política do império.
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Sua trajetória foi abruptamente interrompida em 1010, quando foi saqueada durante uma guerra civil, desaparecendo do mapa histórico e alimentando séculos de especulação acadêmica.
Evidências levantadas com tecnologia LiDAR
Um pesquisador da Universidade de Córdoba apresentou recentemente novas evidências sugerindo a identificação do sítio. Em artigo publicado na revista Meridies, Antonio Monterroso Checa descreveu três levantamentos realizados com tecnologia LiDAR.
A técnica de Detecção e Alcance por Luz revelou anomalias no terreno que indicam a presença de um sítio arqueológico de grandes dimensões.
Segundo o estudo, as características observadas correspondem ao que seria esperado da chamada cidade perdida de Almanzor, figura central do final do Império Omíada espanhol.
Dimensão urbana e padrões arquitetônicos detectados
A área demarcada pelo pesquisador abrange aproximadamente 120 hectares, dimensão considerada suficiente para sediar uma capital monumental com funções políticas e administrativas. As irregularidades do terreno sugerem estruturas enterradas organizadas em terraços, com desenhos arquitetônicos retangulares e quadrados.
De acordo com relato do site Ancient Origins, esses padrões indicam variações de uma grade ortogonal, característica compatível com cidades planejadas.
O traçado remete a modelos já identificados em outros centros palacianos do período, reforçando a coerência da interpretação.
Relação com Madinat al-Zahrā e o contexto regional
O estudo aponta paralelos diretos com Madinat al-Zahrā, localizada a oeste de Córdoba e reconhecida como Patrimônio Mundial pela UNESCO em 2018. Essa comparação sustenta a hipótese de continuidade de modelos urbanos do califado.
Os elementos detectados até o momento formam um conjunto considerado coerente com as expectativas arqueológicas.
Para Checa, a presença dessas conexões reforça a possibilidade de que a cidade permaneça soterrada nas colinas analisadas, aguardando confirmação por meio de escavações futuras.
Linhagem histórica e uso contínuo do território
O argumento foi aprofundado com base no histórico de ocupação da área. As colinas de Pendolillas permaneceram associadas à autoridade real ao longo dos séculos. No século XV, o local foi registrado como uma dehesa vinculada ao Domínio Real, segundo registros históricos.
Durante o reinado de Filipe II, a área tornou-se sede oficial da criação de cavalos do Estado, conhecida como Haras Reais, conforme relatado pela Arkeonews. Essa continuidade reforça o peso simbólico do território.
Próximos passos e expectativa científica
A combinação entre dados LiDAR, contexto histórico e padrões arquitetônicos levanta a possibilidade concreta de que Madinat al-Zāhira tenha sido finalmente localizada.
A hipótese reacende o debate sobre o início de escavações sistemáticas no local, tema que permanece em aberto.
Caso confirmada, a descoberta representaria um avanço significativo para a compreensão do urbanismo omíada em al-Andalus.
Por ora, as evidências reunidas indicam que a lendária cidade pode não estar perdida, apenas enterrda, enquanto a comunidade científica aguarda novos desdobramemtos.
