Técnica cria uma crosta fértil em cerca de um ano, estabiliza dunas e amplia a capacidade de cultivo em áreas áridas
Cientistas na China estão aplicando algas verde azuladas no deserto de Tengger para transformar areia em solo cultivável. A estratégia usa cianobactérias capazes de resistir a calor extremo e longos períodos de seca.
Quando chove, esses microrganismos se expandem rapidamente e formam uma crosta rica em biomassa. Essa camada ajuda a segurar a areia, estabiliza dunas e cria condições mais favoráveis para o plantio.
A meta nos próximos cinco anos envolve tratar entre 5.333 e 6.667 hectares de deserto na região autônoma de Ningxia Hui, no noroeste do país. O avanço integra a Grande Muralha Verde, iniciativa focada em conter a desertificação.
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O que aconteceu e por que isso chamou atenção
A aplicação de micro organismos em grande escala para remodelar um ambiente natural chamou atenção por atuar diretamente na estrutura do terreno. A formação de crostas biológicas deixa a superfície menos solta e reduz o deslocamento de areia.
A base da técnica está na criação de uma camada que funciona como pele sobre o solo arenoso. Com isso, o terreno ganha maior estabilidade e passa a ter um ambiente mais adequado para a vegetação.
O trabalho foi conduzido na Estação Experimental do Deserto de Shapotou, ligada à Academia Chinesa de Ciências, na cidade de Zhongwei. O objetivo foi fazer as algas se acumularem em áreas de areia estável e se ligarem às partículas do solo.

Como funciona a crosta biológica feita com cianobactérias
As cianobactérias são micro organismos fotossintéticos presentes em vários ecossistemas, como solo, água doce e ambientes marinhos. No deserto, elas conseguem sobreviver e se expandir quando há água disponível.
Após se formar, a crosta atua como uma camada protetora sobre o terreno arenoso. Essa estrutura consegue resistir a ventos de até 36 km por hora, ajudando a reduzir o deslocamento das dunas.
O resultado é uma superfície mais firme, com maior acúmulo de matéria orgânica e melhor base para o desenvolvimento de plantas.
O que muda na prática na velocidade de recuperação do solo
Métodos tradicionais de estabilização de areia exigem pelo menos cinco a dez anos para que uma crosta natural se estabeleça. A nova abordagem encurta esse caminho de forma significativa.
Com o uso das algas, a formação de crostas de solo pode ocorrer em aproximadamente um ano. Isso acelera a preparação do terreno e amplia o potencial de uso agrícola em regiões áridas.
A consequência prática é uma resposta mais rápida contra a desertificação, com impacto direto na estabilidade do solo e na possibilidade de cultivo.
Quais são as regras, prazos e condições do projeto em Ningxia Hui
A região autônoma de Ningxia Hui incorporou a técnica à estratégia de controle de areia. A previsão para os próximos cinco anos é tratar entre 5.333 e 6.667 hectares de deserto.
O foco está em áreas do deserto de Tengger, onde a aplicação em larga escala busca criar condições mais favoráveis para a vegetação e reduzir a movimentação de dunas.
Essa frente faz parte da Grande Muralha Verde, programa que reúne ações de plantio e contenção da desertificação em regiões do norte da China.
Como a técnica virou sementes sólidas para facilitar transporte e aplicação
O desenvolvimento começou a ganhar forma em 2010, quando foi identificado que um tipo de cianobactéria poderia gerar solo no deserto. O desafio inicial foi manter a sobrevivência fora do laboratório.
Em 2016, a aplicação com pressão ajudou a elevar a taxa de sobrevivência para mais de 60%, ao forçar a entrada das cianobactérias entre os grãos de areia. Mesmo assim, esse método dependia de eletricidade e acesso por estrada, o que limitava a escala.
A solução passou por criar sementes sólidas. Foram selecionadas sete cepas entre mais de 300 espécies, misturadas com matéria orgânica de partículas finas para formar uma massa. Essa mistura foi colocada em moldes com grades hexagonais, gerando blocos parecidos com terrões, fáceis de transportar e capazes de crescer rapidamente após a chuva, formando crostas estáveis.
O que pode acontecer a partir de agora com o avanço dessa tecnologia
A Estação Experimental do Deserto de Shapotou, criada em 1955, já é reconhecida por técnicas de controle de areia, como o método do tabuleiro de xadrez de palha. A ideia usa uma rede de palha em padrão de grade para ajudar na estabilização do terreno e apoiar a revegetação.
Nas últimas quatro décadas, houve progresso no enfrentamento de desertificação severa, tempestades de areia e erosão do solo em regiões áridas do norte, com ações reunidas no Programa Florestal de Proteção das Três Norte, nome oficial da Grande Muralha Verde.
Com a expansão desse esforço para incluir iniciativas na África e na Mongólia, a aplicação de crostas biológicas pode ganhar alcance maior e reforçar estratégias de recuperação de áreas degradadas.
A China aposta em algas e cianobactérias para transformar areia em solo cultivável e acelerar a estabilização de dunas. A meta de tratar entre 5.333 e 6.667 hectares em cinco anos mostra o tamanho da ambição.
Ao reduzir o tempo de formação de crostas para cerca de um ano, a técnica abre caminho para ampliar o controle da desertificação e criar condições mais rápidas para o cultivo em regiões áridas.


Cyanobacteria is not algae.
Congratulations
Mais pesquisas e projetos bem sucedidos deveriam ser divulgados para demais países seguirem o exemplo.