Pesquisadores da Universidade de Zhengzhou, na China, conseguiram sintetizar cristais milimétricos de diamante hexagonal usando pressão de 20 gigapascais e temperaturas próximas de 3.500 °F. O experimento reacende debates científicos sobre a estrutura da lonsdaleíta, um material raro associado a impactos de meteoritos e potencialmente mais rígido que o diamante cúbico tradicional
Pesquisadores na China anunciaram a síntese de um diamante hexagonal de fase pura com cristais de cerca de um milímetro, produzido sob pressão de 20 gigapascais e temperaturas próximas de 3.500 °F, reacendendo discussões científicas sobre as propriedades desse material raro.
Após décadas de debates sobre sua existência e características físicas, o diamante hexagonal foi produzido artificialmente por uma equipe de físicos chineses. Os cientistas relataram a obtenção de cristais milimétricos dessa estrutura rara de carbono, considerada potencialmente superior ao diamante cúbico tradicional.
Estrutura rara do diamante hexagonal e diferenças em relação ao diamante comum
Diamantes convencionais possuem estrutura cristalina cúbica, que organiza os átomos de carbono em um padrão tridimensional característico. Já o diamante hexagonal, também conhecido como lonsdaleíta, apresenta uma organização atômica com padrão de seis lados.
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Historicamente, esse tipo de diamante foi identificado apenas em quantidades muito pequenas em locais onde ocorreram impactos de meteoritos. Essa ocorrência limitada levou cientistas a questionarem se o material era realmente distinto ou apenas diamantes cúbicos contendo defeitos estruturais.
A nova síntese fornece evidências experimentais mais claras da existência de um diamante hexagonal independente. A produção de cristais com tamanho mensurável permitiu análises estruturais mais detalhadas do material.
Estrutura atômica e busca por carbono superduro
Em um diamante cúbico convencional, as ligações de carbono entre as camadas são ligeiramente mais fracas do que aquelas dentro das próprias camadas. Essa característica estrutural acaba impondo um limite natural à resistência global do material.
No caso do diamante hexagonal, as ligações entre camadas são mais curtas e mais fortes. Essa diferença estrutural levou pesquisadores a prever que essa forma de carbono poderia ser até 50% mais dura do que o diamante cúbico.
A possibilidade de um material ainda mais resistente despertou grande interesse científico. O carbono superduro é considerado estratégico para aplicações industriais e tecnológicas que exigem materiais altamente resistentes ao desgaste.
Método de síntese com pressão extrema e altas temperaturas
O estudo foi liderado pelo físico Chongxin Shan, da Universidade de Zhengzhou, que utilizou um método de alta pressão e alta temperatura conhecido como HPHT. Esse processo é frequentemente empregado na produção artificial de diamantes.
Os pesquisadores comprimiram grafite entre bigornas de carboneto de tungstênio aplicando pressão de 20 gigapascais. Esse valor corresponde a aproximadamente 200.000 vezes a pressão atmosférica da Terra.
Durante o experimento, o material também foi aquecido a quase 3.500 graus Fahrenheit. Nessas condições extremas, a estrutura cristalina do carbono foi reorganizada, formando com sucesso o diamante hexagonal.
Cristais milimétricos permitem testes estruturais detalhados
Os cristais obtidos pelos pesquisadores apresentaram cerca de um milímetro de largura, dimensão considerada significativa para análise científica. O tamanho permitiu a aplicação de diferentes métodos de caracterização estrutural.
Para confirmar a pureza do diamante hexagonal, os cientistas utilizaram difração de raios X e microscopia em escala atômica. Essas técnicas permitiram observar diretamente o arranjo dos átomos dentro da estrutura cristalina.
Os testes indicaram que o material possui maior rigidez e maior resistência à oxidação quando comparado aos diamantes tradicionais. Essas características reforçam o potencial tecnológico do material em aplicações industriais.
Resultados de dureza e implicações científicas
Apesar das previsões teóricas, os testes mostraram que a dureza do diamante hexagonal é apenas ligeiramente superior à do diamante cúbico comum. O resultado ficou abaixo das estimativas que sugeriam um ganho de até 50% na dureza.
Esse resultado levou os pesquisadores a considerar que os limites teóricos da dureza do carbono podem precisar ser revisados. As novas medições fornecem dados experimentais importantes para modelos físicos que descrevem materiais superduros.
Mesmo com essa diferença menor do que o esperado, a síntese de diamante hexagonal de fase pura abre possibilidades para aplicações industriais avançadas. Entre os usos citados estão ferramentas de corte, materiais para gerenciamento térmico e sensores quânticos.
Além da indústria, o material também possui relevância científica. O estudo dessas estruturas pode ajudar geólogos a compreender melhor como se formam minerais em condições extremas, como aquelas geradas por impactos de meteoritos na Terra e em outros planetas.
A produção de cristais milimétricos com estrutura clara representa um avanço relevante na ciência dos materiais. Resultados anteriores semelhantes haviam enfrentado ceticismo, mas os novos dados experimentais ampliam a compreensão sobre essa forma rara de carbono.

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