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Cientistas estão vendo o mar se comportar de um jeito tão estranho que uma corrente no Japão desviou para 40°N, aqueceu Sanriku em 6°C e pode ter acrescentado 300 mm de chuva

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 24/05/2026 às 13:42
Atualizado em 24/05/2026 às 13:44
Corrente Kuroshio desviou para o norte do Japão, aqueceu Sanriku em 6°C e pode ter intensificado chuvas extremas.
Corrente Kuroshio desviou para o norte do Japão, aqueceu Sanriku em 6°C e pode ter intensificado chuvas extremas.
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Corrente quente do Pacífico avançou para áreas frias do Japão, elevou temperaturas no mar, alterou condições em Sanriku e entrou no foco de estudos sobre pesca, calor extremo e chuva intensa, em um episódio monitorado por pesquisadores desde o fim de 2022.

Uma mudança incomum na rota da Extensão Kuroshio, uma das principais correntes quentes do Pacífico Norte, alterou a temperatura do mar perto do Japão, afetou áreas pesqueiras de Sanriku e, segundo estudos recentes, pode ter intensificado episódios de chuva extrema em 2023.

A corrente, que normalmente segue para leste após se afastar da costa japonesa, passou a avançar para o norte no fim de 2022 e alcançou a região próxima à Prefeitura de Aomori no inverno de 2023, em deslocamento sem precedente nas observações por satélite desde 1993.

O fenômeno levou águas tropicais a uma área historicamente marcada pelo encontro entre massas quentes e frias, onde a Kuroshio interage com a corrente Oyashio, de origem subártica, em uma dinâmica associada à produtividade pesqueira ao largo de Sanriku.

Com a mudança de rota, a temperatura da superfície do mar na região ficou cerca de 6°C acima da média durante o período de meandro extremo, registrado entre fevereiro de 2023 e janeiro de 2025, conforme dados divulgados por pesquisadores do projeto Habitable Japan.

Segundo esses pesquisadores, o aquecimento prolongado em Sanriku esteve entre os mais intensos observados nos oceanos nesse intervalo, considerando a combinação entre magnitude da anomalia térmica e duração do episódio na superfície do mar.

Extensão Kuroshio avançou para o norte do Japão

A Kuroshio é uma corrente oceânica quente que passa pelo sul do Japão e segue para o Pacífico depois de se separar da costa na região da Península de Boso, em Chiba, quando passa a ser chamada de Extensão Kuroshio.

Em condições habituais, essa extensão se desloca predominantemente para leste, ao redor de 36°N, mas estudos indicam que, desde abril de 2023, a corrente passou a formar um meandro acentuado para o norte, chegando a aproximadamente 40°N no inverno de 2024.

A alteração não ficou restrita à superfície, pois dados hidrográficos coletados pela Agência Meteorológica do Japão em maio de 2024 identificaram água subtropical quente e salgada entre 50 e 400 metros de profundidade, em áreas normalmente influenciadas por massas subárticas mais frias.

Levantamentos científicos também indicaram que o aquecimento se estendeu até cerca de 700 metros de profundidade em parte da região de Sanriku, uma condição que ajuda a explicar por que os efeitos físicos do episódio não se limitaram à camada superficial do oceano.

Sanriku sentiu mudanças na pesca e na vida marinha

No nordeste do Japão, Sanriku depende da produtividade marinha associada ao encontro entre a Kuroshio e a Oyashio, uma fronteira oceânica que influencia a presença de plâncton, a distribuição de peixes e a organização de cadeias alimentares locais.

Quando essa zona de contato muda de posição, o ambiente que sustenta espécies adaptadas a águas frias também passa por alterações, e pesquisadores registraram desde 2023 a presença de peixes típicos de águas mais quentes em áreas onde eles não eram comuns.

Entre os registros citados em estudos estão espécies associadas a regiões meridionais, observadas ao largo da Prefeitura de Miyagi pela primeira vez, o que aponta para uma reorganização da fauna marinha em resposta às condições térmicas anormais.

Para comunidades pesqueiras, a mudança na composição das espécies pode afetar períodos de captura, áreas de pesca e expectativas econômicas, especialmente em zonas acostumadas à presença de organismos adaptados a águas frias e à produtividade ligada à influência da Oyashio.

Ao mesmo tempo, a entrada de águas subtropicais em uma área marcada pela influência subártica mostra que o episódio alterou o funcionamento físico do oceano, sem que os efeitos completos sobre estoques pesqueiros e biodiversidade estejam plenamente definidos.

Oceano aquecido influenciou a atmosfera

O impacto da Extensão Kuroshio também foi observado na atmosfera, porque a água muito mais quente que o normal aumentou a liberação de calor para o ar, especialmente durante o inverno, alterando condições térmicas sobre a região de Sanriku.

Pesquisadores observaram que esse efeito alcançou camadas atmosféricas de até aproximadamente 2 quilômetros acima da superfície do mar, resultado que indica mudança não apenas na temperatura da água, mas também na estrutura térmica da baixa atmosfera.

A Agência Meteorológica do Japão apontou que temperaturas elevadas nos mares ao redor do país podem ter contribuído para o calor extremo registrado no norte japonês em 2023, quando a média nacional de verão foi a maior desde o início da série histórica, em 1898.

Essa avaliação considera a atuação simultânea de outros sistemas atmosféricos, incluindo áreas de alta pressão, deslocamentos de correntes de jato e influência de tufões, razão pela qual os estudos não atribuem o calor extremo a uma única causa.

Dentro desse conjunto de fatores, o oceano aquecido aparece como um elemento relevante para entender as condições regionais observadas em 2023, sobretudo em áreas onde a anomalia térmica da superfície do mar foi persistente e extensa.

Chuva extrema no Japão teve reforço provável do mar aquecido

A relação entre a Kuroshio e as chuvas intensas também passou a ser investigada por pesquisadores, após eventos extremos de precipitação registrados no Japão em setembro de 2023 serem analisados com simulações numéricas de alta resolução.

Em estudo publicado em 2025, os autores concluíram que a onda de calor marinha associada ao grande meandro da Extensão Kuroshio aumentou a disponibilidade de calor e vapor d’água para a atmosfera durante os eventos analisados.

Esse ambiente favorece a formação de nuvens mais carregadas e sistemas de chuva mais intensos, segundo a pesquisa, que comparou cenários simulados com e sem a anomalia oceânica associada ao desvio da corrente.

De acordo com o estudo, a diferença entre os cenários chegou a cerca de 300 milímetros adicionais de precipitação em partes dos eventos avaliados, valor que representa uma estimativa para situações específicas e não uma média nacional de chuva.

A Agência Meteorológica do Japão já havia informado que episódios de chuva forte em 2023 estiveram ligados ao transporte intenso de umidade, à atividade de frentes estacionárias e ao contexto de aquecimento global, que amplia a capacidade da atmosfera de reter vapor d’água.

Desvio da corrente destoou dos padrões históricos

Para os pesquisadores, o caso se diferencia pela combinação entre alcance, duração e intensidade, já que a Extensão Kuroshio apresenta variabilidade natural, mas não havia registro semelhante, nas observações por satélite, de avanço até perto de Aomori com aquecimento prolongado em Sanriku.

No fim de 2022, a corrente começou a se curvar para o norte em vez de seguir sua rota mais comum para leste, passando por áreas próximas a Ibaraki, Fukushima, Miyagi e Iwate antes de alcançar o entorno de Aomori no inverno de 2023.

O meandro extremo persistiu até por volta de fevereiro de 2025, e, em setembro daquele ano, pesquisadores informaram que a Extensão Kuroshio fluía em condição mais calma ao largo de Ibaraki, embora a trajetória posterior ainda dependesse de monitoramento contínuo.

Novas oscilações podem voltar a alterar o ambiente oceânico e atmosférico do nordeste japonês, segundo especialistas, o que mantém a necessidade de acompanhamento por navios de pesquisa, sensores, satélites e medições em diferentes profundidades.

Em Sanriku, o episódio produziu um registro científico de como uma corrente oceânica pode modificar, em um mesmo período, a distribuição de organismos marinhos, a temperatura do ar sobre o oceano e a intensidade de chuvas associadas a eventos extremos no Japão.

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Evandro
Evandro
25/05/2026 09:25

TEM UMA PERGUNTA SOBRE O POR QUE A INDUSTRIA NÃO CRESCE NO BR E A RESPOSTA É SIMPLES: VC QUE É DESINFORMADO E ACREDITA EM QUALQUER B3STEIRA…O QUE DE FATO NÃO CRESCE É A EDUCAÇÃO, POR DEPENDER DO ESTADO E NO MEU CASO É E SEMPRE FOI GOVERNADO PELA DIREITA, QUE MANTEM O STATOS DE PRODUTOR DE INSUMOS E NÃO DE produtos, ganhando em DOLARES E COM MÃO DE OBRA BARATA EM REAIS. PARA QUE EDUCAÇÃO PARA PEÕES DE FÁBRICA, LEMA GOV TARCÍSIO DE FREITAS.

Leonardo José
Leonardo José
Em resposta a  Evandro
25/05/2026 17:16

Seu Comentário Não Tem Nada haver com o Assunto!

Fabiano
Fabiano
Em resposta a  Evandro
26/05/2026 10:32

O PT já está no poder a quais duas décadas a nível federal, sendo governo de esquerda, melhor reavalia o seu comentário que além de não ter nada haver com o conteúdo da reportagem, trata-se apenas de discurso de caráter político e desinformacional.

Referente a falta de desenvolvimento industrial, a principal causa é a elevada carga tributária sobre as empresas, auto grau de burocracia, falta de segurança política e jurídica, e por fim elevado números de leis e normas referentes ao direito trabalhista.

Melhor procurar canais no YouTube focados em investimentos, para ter melhor compreensão de como é problemática investir e empreender no Brasil, devido a política fiscal e monetária que está sendo adotado no governo atualmente e o que foi adotado no passado.

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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