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Cientistas emitem alerta após detectarem que o bombeamento excessivo de água subterrânea está destruindo permanentemente a capacidade de armazenamento de aquíferos à taxa de 17 km³ por ano, volume equivalente a 7 mil Pirâmides de Gizé desaparecendo para sempre do subsolo do planeta

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 03/03/2026 às 16:07
Assista o vídeoCientistas emitem alerta após detectarem que o bombeamento excessivo de água subterrânea está destruindo permanentemente a capacidade de armazenamento de aquíferos à taxa de 17 km³ por ano, volume equivalente a 7 mil Pirâmides de Gizé desaparecendo para sempre do subsolo do planeta
Cientistas emitem alerta após detectarem que o bombeamento excessivo de água subterrânea está destruindo permanentemente a capacidade de armazenamento de aquíferos à taxa de 17 km³ por ano, volume equivalente a 7 mil Pirâmides de Gizé desaparecendo para sempre do subsolo do planeta
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Subsidência causada por superexploração de aquíferos já faz cidades como Cidade do México afundarem até 50 cm por ano e destrói 17 km³ de armazenamento subterrâneo permanentemente no mundo.

Cidade do México afunda até 50 cm por ano: subsidência por superexploração de aquíferos já é irreversível. Debaixo da Cidade do México, o solo está cedendo até 50 centímetros por ano. Não é terremoto. Não é erosão. Não é instabilidade tectônica. É extração de água subterrânea. Desde o século XX, a metrópole retira água do aquífero que sustenta seus 22 milhões de habitantes em uma velocidade superior à capacidade natural de recarga. O que acontece abaixo da superfície é um colapso físico silencioso: os poros microscópicos que antes eram preenchidos por água começam a se fechar quando a pressão hidráulica desaparece. A argila comprime. As camadas se compactam. E a cidade afunda.

Esse processo é chamado de subsidência induzida por bombeamento de aquíferos, e em muitos casos é irreversível. É como uma esponja comprimida além do limite elástico: mesmo que você devolva água depois, ela nunca retorna ao volume original.

No centro histórico da capital mexicana, partes do solo já afundaram mais de 9 metros desde o início do século passado. Igrejas coloniais estão inclinadas. Calçadas foram reconstruídas dezenas de vezes. Sistemas de drenagem precisam ser constantemente recalibrados porque a cidade continua descendo. E o caso do México não é isolado.

Perda global de capacidade de armazenamento subterrâneo atinge 17 km³ por ano, aponta estudo da Nature e Instituto Humanitas Unisinos – IHU

Em novembro de 2023, pesquisadores do Desert Research Institute, da Colorado State University e da Missouri University of Science and Technology e Instituto Humanitas Unisinos – IHU publicaram na revista Nature Communications o primeiro mapeamento global de subsidência associada à extração de água subterrânea.

A análise utilizou dados de radar interferométrico por satélite (InSAR), medições de campo e algoritmos de machine learning para estimar o fenômeno em escala planetária com resolução de 2 km por 2 km. O número encontrado é estruturalmente alarmante:

O planeta está perdendo 17 quilômetros cúbicos de capacidade permanente de armazenamento de água subterrânea por ano.

Isso não significa apenas que estamos retirando 17 km³ de água. Significa que estamos destruindo 17 km³ de espaço físico subterrâneo que nunca mais poderá armazenar água.

Traduzindo para escala visual:

  • 17 km³ equivalem a 17 trilhões de litros.
  • É mais de seis vezes a capacidade total do Lago Mead.
  • É equivalente a cerca de 7.000 Pirâmides de Gizé em volume estrutural.

E esse espaço não pode ser reconstruído.

O que é subsidência por bombeamento de aquífero e por que ela é irreversível

Um aquífero não é um lago subterrâneo vazio. Ele é uma estrutura porosa composta por areia, cascalho, rochas sedimentares ou formações argilosas saturadas de água acumulada ao longo de milhares ou milhões de anos.

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Quando a água é retirada de um aquífero confinado:

  • A pressão hidráulica que sustentava os grãos diminui.
  • As partículas sólidas passam a suportar o peso das camadas superiores.
  • O material se compacta.
  • Os poros colapsam.

Quando o colapso ocorre em sedimentos argilosos finos, a deformação é plástica — ou seja, permanente.

  • Mesmo que chova.
  • Mesmo que o bombeamento cesse.
  • Mesmo que a água retorne.

O espaço não volta. Esse é o ponto estrutural da crise: não é apenas falta de água, é destruição do reservatório.

73% da subsidência ocorre sob áreas agrícolas e urbanas

O estudo de 2023 identificou que aproximadamente 73% das áreas com subsidência significativa estão localizadas sob:

  • Zonas agrícolas irrigadas intensivamente
  • Grandes áreas metropolitanas

China, Estados Unidos e Irã concentram os maiores volumes de perda de armazenamento. O fenômeno é impulsionado principalmente por:

  • Agricultura de alto consumo hídrico
  • Crescimento urbano acelerado
  • Falta de regulação sobre poços privados
  • Secas prolongadas associadas a mudanças climáticas

Lençóis freáticos estão caindo em 71% dos aquíferos monitorados no mundo

Em janeiro de 2024, outro estudo publicado na revista Nature, conduzido pela Universidade da Califórnia em Santa Barbara, analisou dados de 170 mil poços em 1.693 sistemas aquíferos em mais de 40 países.

O resultado:

  • 71% dos aquíferos apresentaram queda do nível freático.
  • Em 30%, o declínio acelerou no século XXI.
  • A redução é mais severa em regiões áridas e semiáridas.
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A pesquisa identificou declínios superiores a 0,5 metro por ano em diversas regiões agrícolas críticas.

O padrão é claro: onde há agricultura intensiva irrigada, o aquífero está sob pressão.

Aquífero Ogallala: o colapso da maior reserva agrícola dos Estados Unidos

O Aquífero Ogallala cobre cerca de 450 mil km² sob oito estados americanos e sustenta 27% da área irrigada do país. Ele levou entre 6 mil e 6 milhões de anos para acumular sua água.

Hoje:

  • A recarga natural média é de cerca de 2,5 cm por ano.
  • A extração em áreas críticas ultrapassa 1 metro por ano.
  • Em algumas regiões, o nível caiu mais de 30 metros desde os anos 1950.

No Kansas, aproximadamente 30% da área sobre o aquífero já atingiu níveis economicamente inviáveis. Projeções da Universidade do Texas indicam que até 70% da porção texana pode se tornar inutilizável nas próximas duas décadas.

Uma vez esgotado, o Ogallala levaria mais de 6 mil anos para se recuperar naturalmente.

Cidades que estão literalmente afundando: Jacarta, Xangai e Cidade do México

Jacarta apresenta subsidência acumulada superior a 4 metros em partes do norte da cidade. Muros costeiros ficaram abaixo do nível do mar. Xangai afundou mais de 2 metros no século XX antes de impor restrições rígidas ao bombeamento.

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A Cidade do México é o caso mais extremo documentado:

  • Subsidência de até 50 cm por ano
  • Afundamento acumulado superior a 9 metros
  • 70% da água vem de aquíferos profundos

Estudo publicado no Journal of Geophysical Research: Solid Earth concluiu que a subsidência mexicana é praticamente irreversível.

Extração de água subterrânea também contribui para elevação do nível do mar

A água retirada dos aquíferos não desaparece.

  • Ela é usada em irrigação.
  • Evapora.
  • Escoa para rios.
  • Deságua nos oceanos.

Pesquisas indicam que o bombeamento excessivo de água subterrânea já é um dos maiores contribuintes para o aumento global do nível do mar.

Ou seja: Ao destruir o armazenamento subterrâneo, estamos também ampliando a elevação costeira.

É possível reverter a tendência? Casos de sucesso mostram que sim

Nem todos os aquíferos estão condenados. O estudo de 2024 identificou que:

  • 16% dos sistemas analisados reverteram tendências de queda.
  • 20% reduziram a taxa de declínio.

Casos incluem:

Tucson, Arizona — recarga artificial elevou o nível do aquífero em 36 metros desde 2008.

Bangcoc — regulação e taxação de poços reduziram subsidência.

Barcelona — uso de água tratada para recarga estabilizou aquífero costeiro.

O fator comum é gestão ativa e decisão política.

A crise invisível do século XXI

Os 17 km³ de capacidade perdidos por ano não aparecem em manchetes diárias. Não geram imagens dramáticas como furacões. Não têm explosão súbita como terremotos.

Mas representam destruição estrutural permanente. Cada metro cúbico colapsado é um espaço que levou milênios para se formar.

Cada aquífero esgotado é um reservatório que não pode ser reconstruído. A questão central não é apenas falta de água.

É perda irreversível de infraestrutura geológica natural.

Se as políticas agrícolas e urbanas não mudarem, o subsolo continuará cedendo — silenciosamente — enquanto as demandas por água aumentam em um planeta projetado para atingir quase 10 bilhões de habitantes nas próximas décadas.

E o que está afundando não é apenas o solo. É a margem de segurança hídrica do século XXI.

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Everaldo Augusto Costa
Everaldo Augusto Costa
03/03/2026 19:13

É já era de se esperar á destruição do planeta com rapidez pelas mãos do serviço humano, gananciosos.Até essas escavações de petróleo também causam tudo isso.

Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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