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Cientistas do MIT criam painel de hidrogel inspirado em origami que captura vapor invisível e produz água potável até em um dos desertos mais secos do planeta sem bateria, sem tomada e sem energia solar usando apenas a diferença de temperatura entre o dia e a noite

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 07/05/2026 às 05:40
Atualizado em 07/05/2026 às 05:43
Assista o vídeoCientistas do MIT criam painel de hidrogel inspirado em origami que captura vapor invisível e produz água potável até em um dos desertos mais secos do planeta sem bateria, sem tomada e sem energia solar usando apenas a diferença de temperatura entre o dia e a noite
MIT captura de agua do deserto
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MIT desenvolve painel vertical de hidrogel inspirado em origami capaz de extrair água potável do ar sem eletricidade nem energia solar.

Em junho de 2025, pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT) apresentaram uma tecnologia que tenta transformar o próprio ar atmosférico em fonte direta de água potável usando apenas mudanças naturais de temperatura. O projeto, descrito no artigo científico “A Meter-scale Vertical Origami Hydrogel Panel for Atmospheric Water Harvesting in Death Valley”, publicado na revista Nature Water, utiliza um painel vertical de hidrogel inspirado em origami capaz de absorver vapor atmosférico durante a noite e liberar água líquida ao amanhecer sem depender de eletricidade, baterias, filtros ou painéis solares.

O dispositivo foi testado durante sete dias em uma das regiões mais secas e quentes da América do Norte, o Vale da Morte, na Califórnia. Mesmo sob umidade relativa variando entre apenas 21% e 88%, o sistema conseguiu produzir entre 57 ml e 161,5 ml de água potável por dia. O número ainda é pequeno para abastecimento residencial completo, mas chamou atenção porque o equipamento funciona de maneira totalmente passiva, explorando apenas o ciclo natural entre noites frias e dias quentes.

Painel vertical usa hidrogel para “capturar” água invisível do ar

O centro da tecnologia é um hidrogel altamente absorvente desenvolvido pelo laboratório liderado pelo professor Xuanhe Zhao. Hidrogéis são materiais macios e porosos capazes de armazenar grandes quantidades de água sem se dissolver.

No projeto do MIT, os pesquisadores criaram uma versão especial moldada em pequenas estruturas arredondadas semelhantes a plástico-bolha.

Sistema do MIT em funcionamento – MIT News

Essas estruturas se expandem ao absorver vapor atmosférico e se contraem quando liberam água. O painel funciona quase como uma pele artificial capaz de “respirar” umidade diretamente da atmosfera.

Estrutura inspirada em origami muda de forma sozinha

O grupo utilizou princípios geométricos inspirados em origami para aumentar eficiência do material. Durante a noite, o hidrogel absorve vapor de água e suas pequenas cúpulas incham.

Quando a temperatura sobe ao amanhecer, o material começa a encolher em uma transformação semelhante à dobra de um origami.

Essa contração libera o vapor acumulado dentro da câmara de vidro do dispositivo. A própria mudança física do material funciona como um mecanismo automático de bombeamento de água atmosférica.

Sistema funciona sem eletricidade, bateria ou painéis solares

O ponto que mais chamou atenção dos pesquisadores foi justamente a ausência total de energia externa. Outras tecnologias de captura atmosférica normalmente dependem de eletrons, compressores, condensadores ou energia solar. O sistema do MIT funciona apenas com as diferenças térmicas naturais entre noite e dia.

Hidrogel do MIT/Divulgação

À noite, temperaturas menores favorecem absorção da umidade. Durante o dia, o aquecimento natural libera o vapor capturado. Toda a energia usada pelo sistema vem diretamente do ambiente ao redor.

Painel foi testado em um dos ambientes mais secos da América do Norte

Os testes ocorreram no Vale da Morte, região famosa por temperaturas extremas e baixa umidade atmosférica. O local foi escolhido justamente para demonstrar funcionamento em condições consideradas extremamente hostis.

Mesmo nessas circunstâncias, o sistema conseguiu produzir água potável continuamente durante uma semana inteira.

Segundo o MIT, o dispositivo alcançou produção máxima de cerca de 160 ml por dia. A equipe queria provar que o sistema funciona mesmo onde praticamente não existe acesso convencional à água.

Câmara de vidro possui camada especial de resfriamento

O hidrogel fica dentro de uma câmara de vidro vertical revestida com um filme especial de resfriamento. Quando o hidrogel libera vapor durante o aquecimento diurno, esse vapor condensa no vidro interno.

A água então escorre por gravidade até pequenos tubos de coleta. O design elimina necessidade de ventiladores, motores ou bombas mecânicas.

O dispositivo transforma um processo complexo de condensação em um sistema praticamente silencioso e autônomo.

Hidrogel usa sal higroscópico estabilizado com glicerol

Um dos maiores desafios dos sistemas atmosféricos de água envolve vazamento de sais usados para absorver umidade.

No projeto do MIT, os pesquisadores utilizaram cloreto de lítio incorporado ao hidrogel. Esse sal possui enorme capacidade de atrair moléculas de água.

O problema é que, em muitos projetos anteriores, o sal contaminava a água produzida. Para evitar isso, a equipe adicionou glicerol ao hidrogel. O glicerol estabiliza o sal e impede que ele escape junto com a água coletada.

Segundo os pesquisadores, testes mostraram que a água produzida permaneceu abaixo dos limites de salinidade considerados seguros para consumo humano. Isso permitiu ao sistema funcionar sem filtros adicionais.

A estrutura microscópica do hidrogel também foi projetada para reduzir vazamento de sais. O objetivo era criar um sistema de água atmosférica que já produzisse água potável diretamente na coleta.

Tecnologia tenta resolver crise hídrica em regiões sem infraestrutura

O MIT afirma que o projeto foi pensado especialmente para áreas pobres, isoladas ou sem acesso confiável à eletricidade.

Segundo Xuanhe Zhao, a ideia é desenvolver sistemas utilizáveis até em locais onde painéis solares ainda são difíceis de obter.

Isso amplia potencial de uso em desertos, regiões áridas, vilarejos isolados e cenários emergenciais. A proposta central é transformar o próprio ar em uma fonte distribuída de água potável acessível.

A equipe acredita que versões maiores poderão operar em conjunto formando painéis modulares. Como o sistema possui formato vertical semelhante a uma janela, pesquisadores enxergam potencial para integração em fachadas, paredes e estruturas urbanas.

Em teoria, edifícios inteiros poderiam futuramente participar da captação atmosférica de água. A tecnologia tenta transformar superfícies urbanas em coletores passivos de umidade atmosférica.

Projeto faz parte da corrida global pela “água do ar”

Nos últimos anos, universidades e empresas passaram a disputar tecnologias de Atmospheric Water Harvesting. Existem projetos usando MOFs, condensadores elétricos, materiais metálicos especiais e biomateriais.

O diferencial do MIT está justamente na operação totalmente passiva. Sem eletricidade e sem peças móveis, o sistema reduz drasticamente complexidade operacional.

A pesquisa mostra como materiais inteligentes começam a substituir máquinas tradicionais em algumas das áreas mais críticas da engenharia moderna.

Atmosfera terrestre guarda bilhões de litros de água invisível

Pesquisadores destacam que a atmosfera terrestre contém enormes quantidades de água em forma de vapor. O desafio sempre foi transformar essa umidade invisível em água líquida de maneira eficiente e barata.

O painel do MIT tenta justamente explorar essa gigantesca reserva atmosférica usando apenas física térmica básica e materiais avançados.

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O experimento mostra que até ambientes extremamente secos ainda carregam água suficiente para ser capturada quando os materiais certos entram em ação.

Diante dessa tecnologia, você acredita que sistemas capazes de captar água diretamente do ar poderão se tornar comuns em casas e cidades do futuro, ou soluções tradicionais como reservatórios e dessalinização ainda continuarão dominando o abastecimento mundial nas próximas décadas?

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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