No Grande Colisor de Hádrons (LHC), feixes de núcleos de chumbo acelerados quase à velocidade da luz colidem e, em encontros de raspão, perdem exatamente três prótons, transformando-se em ouro em quantidades medidas em trilionésimos de grama, realizando acidentalmente o sonho dos alquimistas medievais mas a um custo tão astronômico que cada grama de ouro produzida assim valeria mais do que toda a produção mundial do metal
Cientistas do Grande Colisor de Hádrons (LHC), o maior acelerador de partículas do mundo, conseguiram transformar chumbo em ouro.
Conforme a Revista Oeste, não era o objetivo do experimento. O LHC foi projetado para simular condições próximas às do Big Bang, colidindo feixes de núcleos de chumbo a velocidades próximas à da luz.
Mas em meio a bilhões de colisões, alguns núcleos de chumbo perderam exatamente três prótons ao se tangenciarem, e o que sobrou tinha 79 prótons, o número atômico do ouro.
-
Meia inteligente mede a temperatura dos pés de diabéticos 24 horas por dia, detecta sinais invisíveis de inflamação antes das feridas aparecerem e tenta evitar amputações com sensores escondidos no tecido
-
China lança foguete de surpresa no deserto de Gobi, coloca satélites reais em órbita no primeiro voo e expõe pressão silenciosa por internet espacial antes que a corrida contra a SpaceX fique ainda mais cara e arriscada para Pequim
-
A Rússia viu sanções fecharem portas na cooperação orbital, mas o detalhe mais improvável veio do Golfo: os Emirados Árabes Unidos não tinham programa espacial em 2014, criaram a missão Hope do zero em seis anos e chegaram à órbita de Marte e tornou-se a primeira sonda interplanetária árabe
-
Adolescentes curiosos entram nos subterrâneos de colégio perto do Coliseu e descobrem uma casa romana de 1.800 anos escondida sob a escola
A descoberta realizou, acidentalmente, o sonho que os alquimistas medievais perseguiram por séculos: transformar chumbo em ouro.
Mas antes de imaginar uma nova corrida do ouro, o detalhe que muda tudo: a quantidade de ouro produzida é medida em trilionésimos de grama, e o custo de cada átomo gerado é tão alto que essa alquimia moderna é economicamente inviável.
O ouro existe, é real e foi detectado por instrumentos sensíveis. Mas não dá para ver, pesar ou vender.
O que diferencia um átomo de chumbo de um átomo de ouro

Na tabela periódica, cada elemento é definido pelo número de prótons em seu núcleo, chamado de número atômico.
O ouro possui 79 prótons. O chumbo possui 82. A diferença entre os dois é de apenas três prótons.
Em termos nucleares, transformar chumbo em ouro significa retirar exatamente três prótons do núcleo de um átomo de chumbo.
Parece simples, mas os prótons são mantidos juntos pela força nuclear forte, uma das forças mais intensas da natureza em escalas subatômicas.
Nenhuma reação química comum consegue arrancar prótons de um núcleo atômico. É preciso energia em escala de colisões de partículas para que o núcleo perca prótons e se transforme em outro elemento.
E é exatamente isso que acontece, de forma acidental, dentro do LHC.
Como o LHC transforma chumbo em ouro sem querer durante simulações do Big Bang
No LHC, feixes de núcleos de chumbo são acelerados quase à velocidade da luz e se cruzam em pontos específicos do acelerador.
Quando dois núcleos de chumbo passam muito perto um do outro sem colidir de frente, seus campos elétricos se intensificam a níveis excepcionais, e essa interação pode causar uma forte excitação do núcleo que faz com que ele emita prótons.
Há duas situações em uma colisão desse tipo. Na colisão frontal, os núcleos se chocam diretamente, a força nuclear forte domina e a estrutura original é destruída, gerando uma sopa de partículas.
Mas no encontro de raspão, os núcleos apenas se tangenciam, sem contato direto, e a interação eletromagnética é forte o bastante para causar perda de prótons sem despedaçar o núcleo por completo.
É justamente nesses encontros de raspão que surgem núcleos com menos prótons, incluindo núcleos com 79 prótons: ouro.
O processo não é controlado individualmente. Acontece de forma estatística: em meio a bilhões de interações, apenas uma fração minúscula de núcleos perde o número exato de prótons necessário para gerar ouro.
Por que o ouro produzido no LHC custa mais do que todo o ouro do mundo
A quantidade de ouro gerada no LHC é medida em trilionésimos de grama.
O custo por grama de ouro produzido em um acelerador de partículas seria astronômico comparado ao valor de mercado do metal, porque manter o LHC funcionando consome energia equivalente à de uma cidade inteira.
A taxa de produção é tão baixa que seria necessário rodar o LHC por milhões de anos para produzir uma quantidade de ouro visível a olho nu.
O acelerador foi projetado para pesquisa fundamental, não para fabricar materiais. Cada colisão que gera ouro é um efeito colateral, não o objetivo.
Na prática, o ouro produzido no LHC é real do ponto de vista da física, mas inexistente do ponto de vista econômico. Cada átomo de ouro gerado ali custa milhões de vezes mais do que o ouro minerado da forma tradicional.
Os alquimistas medievais procuravam uma forma barata de fazer ouro. A ciência encontrou uma forma que funciona, mas é a mais cara que existe.
O que a transformação de chumbo em ouro ensina sobre como os elementos se formam no universo
O verdadeiro valor da transformação de chumbo em ouro no LHC não é econômico, mas científico.
O processo ajuda os físicos a entender como elementos pesados se formam em eventos cósmicos extremos, como explosões de supernovas e colisões de estrelas de nêutrons, que são as verdadeiras fábricas de ouro do universo.
Todo o ouro que existe na Terra foi produzido em eventos cósmicos violentos bilhões de anos atrás, antes de o Sistema Solar se formar.
Quando o LHC reproduz em escala microscópica o tipo de interação que acontece nesses eventos, os cientistas conseguem testar teorias sobre a formação dos elementos e a estrutura dos núcleos atômicos.
A antiga ambição alquímica de transformar chumbo em ouro ganhou um novo significado. Em vez de buscar riqueza material, a ciência usa essa possibilidade para explorar a natureza da matéria e entender como o universo construiu os elementos que formam tudo o que existe.
O ouro do LHC não vale nada no mercado. Mas o conhecimento que ele gera é inestimável.
O sonho dos alquimistas realizado em trilionésimos de grama
Cientistas do LHC transformaram chumbo em ouro acidentalmente durante simulações do Big Bang.
O ouro é real, medido por detectores sensíveis, mas existe em quantidades de trilionésimos de grama e custa milhões de vezes mais do que o ouro minerado. A alquimia funciona, mas a conta não fecha.
O que os alquimistas medievais não sabiam é que a diferença entre chumbo e ouro é de apenas três prótons, e que a natureza faz essa transformação há bilhões de anos dentro de estrelas que explodem. O LHC apenas reproduz o processo em escala microscópica, provando que a transmutação é possível, mas lembrando que o universo sempre fez isso melhor e mais barato.
Você sabia que é possível transformar chumbo em ouro em um acelerador de partículas? Acha que um dia a tecnologia vai tornar isso viável economicamente? O que te impressiona mais: que funciona ou que custa uma fortuna? Deixe nos comentários e compartilhe este artigo com quem ama ciência e curiosidades.

-
-
-
-
-
7 pessoas reagiram a isso.