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Cientistas colaram um musgo na parte externa da Estação Espacial Internacional, deixaram exposto ao vácuo, à radiação e a temperaturas de -196°C por 283 dias e mais de 80% dos esporos sobreviveram, se regeneraram na Terra e conseguiram se reproduzir

Publicado em 19/04/2026 às 22:41
Cientistas colaram um musgo na parte externa da Estação Espacial Internacional
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Esporos do musgo Physcomitrium patens passaram 283 dias colados na parte externa da Estação Espacial Internacional expostos a vácuo, radiação, temperaturas de -196°C a +100°C e microgravidade. Mais de 80% sobreviveram e se reproduziram com sucesso na Terra. Modelos matemáticos sugerem que poderiam resistir até 15 anos no espaço, alimentando esperanças sobre vida em outros planetas.

Um musgo que cresce em desertos e no Ártico acaba de provar que a vida terrestre é mais resistente do que qualquer cientista esperava. Esporos do Physcomitrium patens foram colocados na parte externa da Estação Espacial Internacional em março de 2022 e deixados à própria sorte por 283 dias, expostos simultaneamente a vácuo, radiação cósmica, temperaturas que variaram de -196°C a +100°C e microgravidade. Quando os esporos do musgo foram trazidos de volta à Terra, mais de 80% conseguiram se regenerar e se reproduzir com sucesso, um resultado que surpreendeu até os pesquisadores responsáveis. “Esperávamos uma taxa de sobrevivência próxima de zero, mas o oposto aconteceu”, declarou Tomomichi Fujita, da Universidade de Hokkaido.

A descoberta vai muito além de uma curiosidade biológica. O fato de que um musgo terrestre consegue sobreviver a 283 dias no espaço e depois se reproduzir na Terra abre possibilidades reais para a busca por vida em outros planetas e para futuras missões de colonização. Se uma planta primitiva pode resistir às condições do espaço, é possível que esporos semelhantes tenham viajado entre planetas em meteoritos ao longo de bilhões de anos, transportando vida de um mundo a outro. Modelos matemáticos criados a partir dos dados sugerem que os esporos do musgo poderiam sobreviver até 5.600 dias no espaço, o equivalente a aproximadamente 15 anos.

O que o musgo enfrentou durante 283 dias no espaço

Segundo informações postadas pelo portal Xataka, a lista de adversidades que os esporos do musgo suportaram do lado de fora da Estação Espacial é impressionante. Vácuo absoluto, radiação cósmica sem filtro atmosférico, secura extrema, flutuações de temperatura de -196°C a +100°C e microgravidade compõem um conjunto de condições que, individualmente, já seriam suficientes para matar a maioria dos organismos terrestres. A combinação simultânea de todos esses fatores é o que torna o experimento particularmente significativo.

Os pesquisadores esperavam que essa combinação produzisse resultados devastadores para o musgo. “Embora possam sobreviver à radiação, talvez até mesmo no vácuo, as chances de sobrevivência mudam drasticamente quando todos esses fatores estressantes são aplicados simultaneamente”, explicaram os cientistas. Esse estresse biológico simultâneo é o que separa a resistência teórica da sobrevivência real, e o musgo provou que sua resiliência não é apenas para condições difíceis, é para as piores condições imagináveis.

Por que mais de 80% dos esporos do musgo sobreviveram

A taxa de sobrevivência do musgo surpreendeu a equipe científica porque contradisse as expectativas baseadas em conhecimento prévio. Os pesquisadores atribuem o sucesso extraordinário a dois mecanismos biológicos: sistemas de reparo de DNA altamente eficientes e uma estrutura externa semelhante a uma casca que protege o interior dos esporos contra danos físicos e químicos. Essa camada protetora funciona como um escudo biológico que mantém os componentes essenciais do esporo intactos durante a exposição ao espaço.

Os sistemas de reparo de DNA são particularmente relevantes. A radiação cósmica danifica o material genético de qualquer organismo, mas os esporos do musgo possuem mecanismos que identificam e corrigem esses danos com eficiência suficiente para que, quando retornem a condições favoráveis, possam retomar o ciclo de crescimento e reprodução. É como se cada esporo carregasse seu próprio kit de primeiros socorros genético, capaz de consertar o que o espaço tentou destruir.

O que a sobrevivência do musgo significa para a busca por vida extraterrestre

A descoberta tem implicações diretas para uma das questões mais antigas da ciência: existe vida fora da Terra? Se um musgo terrestre pode sobreviver a 283 dias no espaço e se reproduzir depois, é possível que esporos de organismos semelhantes tenham viajado entre planetas dentro de meteoritos ao longo de bilhões de anos, um processo chamado panspermia. Essa hipótese sugere que a vida pode se espalhar pelo universo não por naves espaciais, mas por rochas ejetadas de um planeta durante impactos de asteroides.

Os modelos matemáticos criados pelos pesquisadores reforçam essa possibilidade. O cálculo indica que os esporos do musgo poderiam sobreviver até 5.600 dias no espaço, aproximadamente 15 anos, embora os cientistas enfatizem que esse valor é uma aproximação e não permite conclusões definitivas. Ainda assim, 15 anos é tempo suficiente para que um meteorito viaje entre Marte e a Terra, o que significa que o musgo demonstrou capacidade teórica de completar uma jornada interplanetária e chegar vivo ao destino.

O que o musgo ensina sobre colonização de outros planetas

Para futuras missões de colonização, o musgo oferece lições práticas. Se esporos de uma planta primitiva conseguem resistir às condições do espaço e se regenerar em solo terrestre, plantas semelhantes poderiam ser as primeiras formas de vida cultivadas em habitats extraterrestres, como estufas pressurrizadas em Marte ou na Lua. Antes de plantar tomates ou trigo em outro planeta, faz sentido começar com organismos que já provaram ser capazes de sobreviver ao trânsito espacial.

O pesquisador Tomomichi Fujita resume o significado da descoberta com uma declaração que conecta o musgo à visão mais ampla sobre vida no universo. “Isso fornece evidências convincentes de que a vida que evoluiu na Terra possui mecanismos intrínsecos em nível celular para suportar as condições do espaço”, afirmou, sugerindo que a resistência ao ambiente espacial não é uma adaptação improvável, mas uma capacidade embutida na biologia de certos organismos terrestres. A vida, como disse o personagem de ficção científica mais famoso do cinema, encontra um caminho.

A história do musgo que foi para o espaço e voltou para contar

O experimento começou quando amostras do musgo Physcomitrium patens foram colocadas em recipientes especiais e carregadas no compartimento de carga de uma cápsula Cygnus lançada para a ISS em março de 2022. Na estação, os esporos do musgo foram fixados na parte externa e deixados expostos ao ambiente espacial por 283 dias, sem qualquer proteção além de sua própria biologia. Quando foram coletados e trazidos de volta à Terra, os pesquisadores encontraram algo que não esperavam: a maioria dos esporos estava viva.

O estudo publicado pela equipe é o primeiro a provar que uma planta terrestre primitiva pode sobreviver a uma longa exposição ao espaço. Outras criaturas já haviam demonstrado resistência semelhante, como os tardígrados que também sobreviveram colados à parte externa da ISS, mas o musgo é o primeiro vegetal a completar essa jornada com sucesso. Para a ciência, cada organismo que prova ser capaz de resistir ao espaço amplia o que sabemos sobre os limites da vida e sobre as possibilidades de encontrá-la em lugares onde não esperamos.

Um musgo sobreviveu a 283 dias no espaço e se reproduziu na Terra. Você acha que a vida pode existir em outros planetas? Essa descoberta muda como você vê o universo? Deixe sua opinião nos comentários.

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Gilberto
Gilberto
25/04/2026 14:08

Certas coisas que para nós leigos parecem óbvias, parece que no mundo científico é diferente. Ora, se este material provou que pode sobreviver e reproduzir em ambiente fora do planeta, no vácuo do espaço sem proteção alguma, porque a ciência ainda não colocou esse material para se proliferar em Marte, que o planeta mais provável a receber o homem em pouco tempo? Na minha simples opinião, Marte já deveria contar com inúmeras espécies de vegetação, na tentativa de diminuir o gás que é tóxico para a vida humana, bem como também de tentar produzir um pouco mais de oxigênio e desta plantar surgir outras espécies. Mas para esse povo mandar um grão de feijão para o espaço é o maior sofrimento, não entendo.

Darlan Willians
Darlan Willians
21/04/2026 23:50

Já fizeram com baratas?

Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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