A confirmação experimental do altermagnetismo em instalações de radiação síncrotron amplia a árvore do magnetismo, desafia categorias clássicas como ferromagnetismo e antiferromagnetismo e abre novas frentes de pesquisa para espintrônica, armazenamento de informações, sensores mais densos e eletrônica de baixo consumo.
A física fundamental ganhou uma nova frente de pesquisa com a verificação experimental do altermagnetismo, uma família do magnetismo que não se encaixa nas categorias clássicas do ferromagnetismo e do antiferromagnetismo. A descoberta, confirmada em instalações de radiação síncrotron, abre novas possibilidades para estudos ligados à espintrônica e ao armazenamento de informações.
Física fundamental ganha nova família no magnetismo
O altermagnetismo foi identificado a partir de um arranjo específico de momentos magnéticos. Essa configuração combina alternância local dos momentos magnéticos com uma separação dos estados eletrônicos por spin, sem exigir magnetização líquida nem quebra da inversão espacial.
Os experimentos decisivos foram realizados no síncrotron Swiss Light Source, o SLS. A pesquisa reuniu uma equipe internacional liderada pelo centro tcheco, em colaboração com o Instituto Paul Scherrer, para investigar materiais candidatos e observar detalhes da estrutura eletrônica.
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Experimentos no síncrotron analisaram elétrons em cristais
A equipe utilizou técnicas de fotoemissão e cálculos ab initio para examinar o comportamento dos elétrons em cristais. Durante a investigação, os pesquisadores observaram o desdobramento de bandas associado ao spin, uma assinatura compatível com as características do altermagnetismo.
O estudo, publicado na revista Nature, aponta mecanismos específicos em materiais como o telureto de manganês, conhecido como MnTe. Nesse material, os momentos magnéticos se alternam em escala local, enquanto a simetria da rede cristalina provoca a separação dos estados eletrônicos por spin.
Descoberta pode afetar novas tecnologias
Os dados espectroscópicos e as simulações conectam a observação experimental com a base teórica do fenômeno. A física fundamental aparece no centro dessa relação, ao unir medições em laboratório, estrutura eletrônica e modelos capazes de explicar a nova fase magnética.
Entre os nomes ligados ao estudo estão Juraj Krempaský, primeiro autor, e o teórico Libor Šmejkal. Krempaský liderou o trabalho experimental no síncrotron, enquanto Šmejkal desenvolveu conceitos que anteciparam a assinatura eletrônica observada na pesquisa.
Altermagnetismo tem impacto na espintrônica
O altermagnetismo combina, em certa medida, atributos de ferromagnetos e antiferromagnetos. Essa característica permite manipular correntes de spin e gerar efeitos análogos ao efeito Hall anômalo sem depender de materiais com magnetização macroscópica.
Essa combinação pode abrir caminho para dispositivos de memória e sensores mais rápidos e densos. O potencial também envolve eletrônica de baixo consumo de energia e menor dependência de elementos estratégicos, mantendo a física fundamental como base para novas aplicações tecnológicas.
