Inteligência artificial entra em uma nova fase com David Silver, ex-DeepMind que ajudou a criar sistemas capazes de aprender sozinhos, funda startup bilionária em Londres e atrai uma das maiores rodadas iniciais já vistas na Europa
A inteligência artificial ganhou um novo capítulo com a ascensão de David Silver, um dos pesquisadores mais influentes da área, que deixou o DeepMind em janeiro de 2026 para criar a Ineffable Intelligence, startup sediada em Londres que já nasceu cercada por cifras gigantescas. Em poucos meses, a empresa levantou cerca de US$ 1,1 bilhão em sua rodada inicial e atingiu uma avaliação de aproximadamente US$ 5,1 bilhões, entrando no grupo das chamadas pentacorns antes mesmo de consolidar um produto comercial relevante.
O que chama atenção não é apenas o tamanho do investimento, mas a proposta da empresa. Silver quer desenvolver um sistema descrito como “superlearner”, capaz de descobrir conhecimento e habilidades por conta própria, usando aprendizado por reforço e tentativa e erro, sem depender de grandes volumes de dados produzidos por humanos. Em um setor hoje dominado por modelos treinados com textos, imagens e exemplos feitos por pessoas, a promessa reposiciona o debate sobre o futuro da inteligência artificial.
Quem é David Silver e por que ele virou um dos nomes mais importantes da inteligência artificial
David Silver, de 50 anos, construiu sua reputação ao longo de mais de uma década no DeepMind, laboratório de inteligência artificial do Google. Especialista em aprendizado por reforço, ele ajudou a consolidar uma das abordagens mais influentes da IA moderna ao desenvolver sistemas capazes de aprender sem depender de instruções humanas diretas.
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Foi Silver quem liderou o desenvolvimento do AlphaGo, sistema que derrotou o campeão mundial Lee Sedol em 2016 em um dos jogos mais complexos já criados. Depois disso, avançou com o AlphaZero, que aprendeu sozinho a jogar xadrez, Go e shogi em nível superior, apenas enfrentando a si próprio. Também participou de projetos como AlphaFold, voltado à previsão de estruturas de proteínas, e AlphaProof, que alcançou desempenho de nível olímpico em matemática.
O que a nova startup quer construir
A Ineffable Intelligence nasceu com uma proposta ambiciosa: desenvolver sistemas de “superinteligência” capazes de aprender indefinidamente. O conceito central é o de um superlearner, um modelo que evolui continuamente por tentativa e erro, descobrindo padrões e habilidades sem depender de dados humanos em larga escala.
Essa ideia coloca a empresa em uma rota diferente da maior parte do mercado atual. Em vez de seguir o caminho dominante dos grandes modelos de linguagem, a startup aposta em uma arquitetura que tenta aprender de forma mais autônoma, explorando a lógica do aprendizado por reforço como motor principal da próxima geração de inteligência artificial.
Por que essa proposta chama tanta atenção no mercado
A nova empresa atraiu interesse imediato porque combina duas forças raras ao mesmo tempo: o histórico técnico de David Silver e uma tese que promete romper com o padrão dominante da indústria. O mercado viu na startup uma chance de apostar cedo em um possível novo ciclo da inteligência artificial.
A rodada inicial foi liderada por Sequoia Capital e Lightspeed Venture Partners, com participação de Google, Nvidia, Index Ventures e fundos ligados ao governo britânico. Entre os investidores também aparecem o British Business Bank e o Sovereign AI, fundo soberano britânico criado para impulsionar empresas estratégicas de inteligência artificial no Reino Unido.
Os números que explicam o tamanho da aposta
O dado mais impressionante é a velocidade com que a startup ganhou escala financeira. Em poucos meses, a Ineffable Intelligence levantou cerca de US$ 1,1 bilhão e alcançou avaliação de US$ 5,1 bilhões, uma cifra rara para uma empresa tão jovem e ainda em estágio inicial.
Esse valor colocou a companhia entre as pentacorns, grupo de startups avaliadas em mais de US$ 5 bilhões. No mercado, esse tipo de captação tem sido apelidado de coconut rounds, uma ironia com as rodadas seed tradicionais, para descrever empresas criadas por pesquisadores muito conhecidos que já nascem levantando cifras bilionárias.
Como a ideia da empresa rompe com o modelo dominante atual
Hoje, o modelo mais popular da inteligência artificial é baseado em grandes sistemas treinados com dados produzidos por humanos. A proposta da Ineffable vai em outra direção. Silver argumenta que esse caminho tem limitações e compara os dados humanos a “combustível fóssil”, enquanto os sistemas que aprendem sozinhos seriam como uma fonte renovável, capaz de evoluir sem limites.
Na prática, isso significa tentar criar uma IA menos dependente de exemplos prontos e mais capaz de descobrir soluções de forma autônoma. Se essa visão funcionar em escala, ela pode representar uma mudança profunda na forma como novos sistemas são construídos e treinados.
Por que o histórico de Silver pesa tanto nessa nova fase
O mercado não está apostando apenas em uma ideia abstrata. Está apostando em um pesquisador que já ajudou a mudar o rumo da inteligência artificial mais de uma vez. O trabalho de Silver no DeepMind mostrou que o aprendizado por reforço pode gerar aplicações com impacto real, da superação em jogos complexos à otimização de redes elétricas e ao aumento da eficiência de data centers.
Esse histórico fortalece a percepção de que ele consegue transformar pesquisa acadêmica em tecnologia concreta. É justamente essa combinação entre prestígio científico, resultados anteriores e nova ambição técnica que ajudou a explicar a velocidade com que a startup se tornou bilionária.
O que a nova empresa representa para Londres e para a corrida global da IA
O avanço da Ineffable reforça o crescimento de Londres como um dos centros estratégicos da nova corrida por inteligência artificial. A cidade já abrigava o próprio DeepMind desde antes de sua aquisição pelo Google em 2014, e agora vê ex-cientistas do laboratório criarem novas empresas com enorme capacidade de atrair capital e atenção global.
Esse movimento também é alimentado por uma rede crescente de ex-funcionários do DeepMind, que ajudam a transformar reputação acadêmica em negócios de alto valor. Com isso, Londres reforça sua posição como polo de pesquisa, formação de talentos e criação de startups ligadas à inteligência artificial.
O que muda na prática se essa aposta der certo
Se a tese da Ineffable funcionar, o impacto pode ir muito além de uma nova empresa bilionária. A promessa é abrir caminho para sistemas que consigam aprender continuamente, descobrir novas habilidades e reduzir a dependência da coleta e organização de dados humanos em grande escala.
Isso mudaria a lógica de desenvolvimento da inteligência artificial em um momento em que o mercado discute limites de custo, energia, disponibilidade de dados e capacidade real de evolução dos modelos atuais. Em vez de apenas ampliar o que já existe, a startup tenta apresentar uma rota nova para o setor.
Por que a história de David Silver virou símbolo de uma nova fase da inteligência artificial
A trajetória de Silver resume dois movimentos que estão redefinindo o setor. De um lado, o peso crescente de pesquisadores capazes de sair da academia e dos grandes laboratórios para montar empresas avaliadas em bilhões. De outro, a busca por alternativas ao modelo dominante, em uma corrida para descobrir qual será a próxima grande virada da inteligência artificial.
Ao levantar US$ 1,1 bilhão, criar uma startup avaliada em US$ 5,1 bilhões e prometer uma IA que aprende sozinha, David Silver se transformou em um dos rostos mais fortes dessa nova etapa. O mercado agora não observa apenas um cientista brilhante, mas um empreendedor tentando provar que o futuro da inteligência artificial pode ser muito diferente do que domina hoje.
Na sua visão, a próxima grande revolução da inteligência artificial virá mesmo de sistemas que aprendem sozinhos ou os modelos treinados com dados humanos ainda vão dominar por mais tempo?


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