Tamanduá-bandeira voltou a ser registrado no Rio Grande do Sul após projeto de reintrodução iniciado com apenas dois animais na Argentina
Uma recuperação ambiental rara chamou atenção de especialistas em conservação na América Latina.
O tamanduá-bandeira, espécie emblemática da fauna sul-americana, reapareceu no Rio Grande do Sul após cerca de 130 anos de ausência.
O registro ocorreu em 2026, no Parque Estadual do Espinilho, por meio de câmeras-trampa instaladas na região.
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Segundo a Rewilding Argentina, a recuperação começou em 17 de outubro de 2007, nos Esteros del Iberá, na província argentina de Corrientes.
Na ocasião, apenas dois tamanduás-bandeira foram soltos em uma área onde a espécie havia desaparecido décadas antes.
Projeto argentino abriu caminho para retorno da espécie
A iniciativa foi conduzida pelo Governo de Corrientes em parceria com a Rewilding Argentina.
De acordo com a organização, esse foi o primeiro projeto de reintrodução do tamanduá-bandeira realizado em escala mundial.
Desde então, a população começou a crescer. Além disso, novas gerações passaram a nascer em liberdade.
Atualmente, mais de 110 animais já foram reintroduzidos nos Esteros del Iberá, segundo dados divulgados pela Rewilding Argentina.
Muitos desses exemplares vieram de resgates feitos em províncias do norte argentino.
Entre elas, estão Chaco, Formosa, Salta, Jujuy e Santiago del Estero, regiões onde a caça e a perda de habitat ainda preocupam.
Caça e desmatamento explicam desaparecimento
O desaparecimento do tamanduá-bandeira não aconteceu de forma repentina.
A perda foi lenta, silenciosa e ligada à transformação das paisagens naturais.
A espécie foi afetada pela caça, pelo desmatamento e pela fragmentação dos habitats.
Além disso, fazendas e estradas cortaram corredores ecológicos importantes.
Com isso, o animal perdeu áreas extensas para se alimentar de formigas e cupins.
Por consequência, em partes da Argentina e do sul do Brasil, o tamanduá-bandeira simplesmente deixou de ser visto.

Técnicas ajudaram animais a voltar ao ambiente natural
O processo não foi simples, apesar do resultado positivo.
Reintroduzir uma espécie extinta localmente exige planejamento, acompanhamento e adaptação gradual.
Por isso, os animais passaram por etapas cuidadosas antes da soltura definitiva.
Entre as principais medidas usadas no projeto, estiveram:
- quarentenas especiais, para avaliação de saúde e comportamento;
- corrais de pré-soltura, para adaptação ao ambiente;
- transferências de longa distância, com animais resgatados;
- monitoramento por telemetria, para acompanhar deslocamentos;
- apoio alimentar temporário, até a autonomia em campo.
Dessa forma, animais que antes estavam em cativeiro conseguiram se adaptar aos poucos à vida livre.
Deslocamentos de mais de 100 km mostram avanço
O cenário mudou com o passar dos anos.
Várias gerações nasceram diretamente nos campos dos Esteros del Iberá.
Alguns indivíduos começaram a ocupar áreas cada vez mais distantes dos pontos originais de soltura.
Segundo informações divulgadas sobre o projeto, alguns tamanduás-bandeira se deslocaram por mais de 100 quilômetros.
Esse comportamento mostra que a espécie voltou a agir de forma selvagem.
Ou seja, os animais não apenas sobreviveram. Eles também passaram a explorar novos territórios por conta própria.
Reaparecimento no Brasil vira marco da conservação
O registro no Parque Estadual do Espinilho, no Rio Grande do Sul, reforçou a importância do projeto argentino.
A veterinária Flávia Miranda, do Instituto Tamanduá, avaliou que o animal provavelmente veio de Corrientes.
Portanto, o caso indica que a recuperação ultrapassou fronteiras internacionais.
Ainda assim, especialistas destacam que a expansão depende da existência de habitat adequado.
A espécie só consegue avançar onde encontra alimento, abrigo e condições naturais suficientes.
Mesmo com esses limites, o retorno do tamanduá-bandeira ao sul do Brasil se tornou um marco para a conservação da fauna silvestre na América Latina.
O que você acha que deve ser prioridade agora: ampliar projetos de reintrodução em áreas protegidas ou fortalecer ainda mais a preservação dos habitats naturais? Deixe sua opinião!
