Inaugurada em 26 de junho de 2026 no Centro Indira Gandhi de Pesquisa Atômica, em Kalpakkam, a instalação indiana usa o ciclo termoquímico cobre-cloro e calor nuclear do FBTR para produzir hidrogênio, em um projeto de demonstração que pode abrir caminho para uma unidade maior próxima ao PFBR.
A Índia inaugurou em junho de 2026 a primeira instalação de hidrogênio nuclear do mundo, no Centro Indira Gandhi de Pesquisa Atômica, em Kalpakkam, Tamil Nadu. O projeto usa calor nuclear para extrair hidrogênio da água.
A unidade foi instalada no Reator de Teste de Reprodução Rápida, conhecido pela sigla FBTR. Trata-se do primeiro e mais antigo reator reprodutor rápido indiano, usado em pesquisa desde que atingiu criticidade, em 1985.
A inauguração ocorreu em 26 de junho, dentro de um complexo estratégico para o programa atômico do país. No mesmo campus fica o Reator Protótipo de Reprodução Rápida, o PFBR, comercial, com 500 MW.
-
Encontrados junto a ossos humanos, anéis de ouro de 2.000 anos revelam sepultamento raro na Tailândia e chamam atenção por inscrição ligada à antiga escrita indiana
-
Novo tablet da Lenovo terá iluminação RGB na traseira, 5G e suporte a chip SIM; conheça o Legion Y700
-
Mecânicos adaptam motor elétrico de BYD no câmbio de um Fiat Uno velho, rebobinam o conjunto para trabalhar com baixa tensão e fazem o carro rodar em silêncio, subir ladeira e chegar perto de 60 km/h ainda em teste caseiro
-
Internet gratuita começa a ser testada em estações do Metrô de São Paulo e pode chegar a toda a rede em 2026
Hidrogênio nuclear usa calor em vez de eletricidade
A instalação funciona como demonstração tecnológica. O objetivo é mostrar que o hidrogênio pode ser produzido com reações químicas e calor de processo nuclear, sem depender da eletricidade usada na eletrólise convencional.
Assim como plantas de hidrogênio verde, o sistema parte da água, cuja fórmula é H2O, para obter hidrogênio, H2. A diferença está no caminho usado para separar esses elementos.
Em vez de consumir eletricidade, a instalação aproveita calor residual do reator rápido e uma cadeia termoquímica baseada em cobre e cloro. O método é chamado ciclo termoquímico cobre-cloro.
Ajit Kumar Mohanty afirmou que a energia nuclear pode fornecer eletricidade confiável, livre de carbono, e calor de processo em alta temperatura, condições adequadas para produzir hidrogênio em larga escala.

Por que a Índia chama o projeto de marco tecnológico
O Departamento de Energia Atômica classificou a instalação como marco do programa nuclear indiano de três fases. Esse programa foi concebido na década de 1950 pelo físico nuclear Homi Jehangir Bhabha.
A estratégia nasceu em um contexto de reservas limitadas de urânio e da intenção de explorar recursos de tório disponíveis no país. A primeira fase envolveu reatores de água pesada pressurizada, como os de Kudankulam.
A segunda fase inclui reatores reprodutores rápidos, como o FBTR e o PFBR, em Kalpakkam. Esses reatores operam com a lógica de produzir mais combustível do que consomem.
Diferentemente de reatores tradicionais, que usam urânio, os reatores rápidos indianos utilizam plutônio. Eles também foram projetados para, futuramente, operar com tório.
O FBTR, porém, não é usina comercial. Com capacidade de 40 megawatts térmicos, funciona como plataforma de testes para combustíveis, tecnologias avançadas e aplicações futuras maiores.
Capacidade inicial ainda é de demonstração
A tecnologia foi desenvolvida pelo Centro de Pesquisa Atômica Bhabha, o BARC. Um documento de 2025 informou que a instalação tem capacidade para produzir 150 litros normais de hidrogênio por hora.
O BARC e o Departamento de Energia Atômica planejam ampliar o projeto com uma unidade de 3.000 litros normais por hora. A expectativa informada é que essa etapa seja viável comercialmente.
Essa unidade provavelmente será construída próxima ao PFBR, no mesmo campus de Kalpakkam, indicando transição da demonstração tecnológica para um modelo de produção em escala maior.
Processo tem pegada comparável ao hidrogênio verde
Anil Kakodkar afirmou que o hidrogênio está se tornando um dos vetores mais importantes da transição energética limpa global. Para ele, baratear a produção será necessário.
Kakodkar explicou que o custo do hidrogênio vem da energia consumida na eletrólise. Ao substituir essa etapa pelo calor de processo nuclear, a eficiência aumenta significativamente.
Ele também observou que o produto não é classificado como hidrogênio verde, porque o processo usa calor nuclear, e não energia renovável. Ainda assim, sua pegada de carbono seria comparável à do hidrogênio verde.
Sreekumar G. Pillai, diretor do IGCAR, afirmou que a conquista se apoia em quatro décadas de experiência operacional e tecnológica no programa de reatores rápidos.
