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Primeira unidade de hidrogênio nuclear do planeta começa a operar: tecnologia cobre-cloro, capacidade inicial de 150 litros por hora e plano para chegar a 3.000 litros por hora

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 06/07/2026 às 20:36 Atualizado em 06/07/2026 às 20:39
Ajit Kumar Mohanty, Secretário do Departamento de Energia Atômica, visitou o Reator Prototipo de Reprodução Rápida de 500 MWe em Kalpakkam, Tamil Nadu, na sexta-feira | Foto: X/@DAEIndia
Ajit Kumar Mohanty, Secretário do Departamento de Energia Atômica, visitou o Reator Prototipo de Reprodução Rápida de 500 MWe em Kalpakkam, Tamil Nadu, na sexta-feira | Foto: X/@DAEIndia
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Inaugurada em 26 de junho de 2026 no Centro Indira Gandhi de Pesquisa Atômica, em Kalpakkam, a instalação indiana usa o ciclo termoquímico cobre-cloro e calor nuclear do FBTR para produzir hidrogênio, em um projeto de demonstração que pode abrir caminho para uma unidade maior próxima ao PFBR.

A Índia inaugurou em junho de 2026 a primeira instalação de hidrogênio nuclear do mundo, no Centro Indira Gandhi de Pesquisa Atômica, em Kalpakkam, Tamil Nadu. O projeto usa calor nuclear para extrair hidrogênio da água.

A unidade foi instalada no Reator de Teste de Reprodução Rápida, conhecido pela sigla FBTR. Trata-se do primeiro e mais antigo reator reprodutor rápido indiano, usado em pesquisa desde que atingiu criticidade, em 1985.

A inauguração ocorreu em 26 de junho, dentro de um complexo estratégico para o programa atômico do país. No mesmo campus fica o Reator Protótipo de Reprodução Rápida, o PFBR, comercial, com 500 MW.

Hidrogênio nuclear usa calor em vez de eletricidade

A instalação funciona como demonstração tecnológica. O objetivo é mostrar que o hidrogênio pode ser produzido com reações químicas e calor de processo nuclear, sem depender da eletricidade usada na eletrólise convencional.

Assim como plantas de hidrogênio verde, o sistema parte da água, cuja fórmula é H2O, para obter hidrogênio, H2. A diferença está no caminho usado para separar esses elementos.

Em vez de consumir eletricidade, a instalação aproveita calor residual do reator rápido e uma cadeia termoquímica baseada em cobre e cloro. O método é chamado ciclo termoquímico cobre-cloro.

Ajit Kumar Mohanty afirmou que a energia nuclear pode fornecer eletricidade confiável, livre de carbono, e calor de processo em alta temperatura, condições adequadas para produzir hidrogênio em larga escala.

reator na índia
reator na índia

Por que a Índia chama o projeto de marco tecnológico

O Departamento de Energia Atômica classificou a instalação como marco do programa nuclear indiano de três fases. Esse programa foi concebido na década de 1950 pelo físico nuclear Homi Jehangir Bhabha.

A estratégia nasceu em um contexto de reservas limitadas de urânio e da intenção de explorar recursos de tório disponíveis no país. A primeira fase envolveu reatores de água pesada pressurizada, como os de Kudankulam.

A segunda fase inclui reatores reprodutores rápidos, como o FBTR e o PFBR, em Kalpakkam. Esses reatores operam com a lógica de produzir mais combustível do que consomem.

Diferentemente de reatores tradicionais, que usam urânio, os reatores rápidos indianos utilizam plutônio. Eles também foram projetados para, futuramente, operar com tório.

O FBTR, porém, não é usina comercial. Com capacidade de 40 megawatts térmicos, funciona como plataforma de testes para combustíveis, tecnologias avançadas e aplicações futuras maiores.

Capacidade inicial ainda é de demonstração

A tecnologia foi desenvolvida pelo Centro de Pesquisa Atômica Bhabha, o BARC. Um documento de 2025 informou que a instalação tem capacidade para produzir 150 litros normais de hidrogênio por hora.

O BARC e o Departamento de Energia Atômica planejam ampliar o projeto com uma unidade de 3.000 litros normais por hora. A expectativa informada é que essa etapa seja viável comercialmente.

Essa unidade provavelmente será construída próxima ao PFBR, no mesmo campus de Kalpakkam, indicando transição da demonstração tecnológica para um modelo de produção em escala maior.

Processo tem pegada comparável ao hidrogênio verde

Anil Kakodkar afirmou que o hidrogênio está se tornando um dos vetores mais importantes da transição energética limpa global. Para ele, baratear a produção será necessário.

Kakodkar explicou que o custo do hidrogênio vem da energia consumida na eletrólise. Ao substituir essa etapa pelo calor de processo nuclear, a eficiência aumenta significativamente.

Ele também observou que o produto não é classificado como hidrogênio verde, porque o processo usa calor nuclear, e não energia renovável. Ainda assim, sua pegada de carbono seria comparável à do hidrogênio verde.

Sreekumar G. Pillai, diretor do IGCAR, afirmou que a conquista se apoia em quatro décadas de experiência operacional e tecnológica no programa de reatores rápidos.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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