Projeto de lítio no Chile reúne investimento de até US$ 225 milhões, extração direta de lítio e reinjeção da salmoura para reduzir grandes lagoas no deserto
A Eni, multinacional petrolífera, comprou 25% de um projeto de lítio no Chile e prevê investimento total de até US$ 225 milhões em uma operação próxima ao Salar de Punta Negra, no norte do país. A iniciativa mira uma nova forma de separar o mineral presente na salmoura, água subterrânea carregada de sais.
Em 6 de julho de 2026, as informações foram divulgadas por Eni, empresa italiana de energia com atuação global. O acordo envolve um projeto em desenvolvimento, com produção prevista em etapas, e não uma unidade já pronta para fornecer lítio ao mercado.
Na prática, o projeto de lítio no Chile tenta usar equipamentos industriais para retirar o mineral da salmoura. A ideia é reduzir a dependência das enormes lagoas onde esse líquido costuma ficar exposto ao sol por longos períodos.
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Projeto de lítio no Chile mira 52,5 mil toneladas por ano, mas produção ainda é futura
A capacidade total planejada é de 52,5 mil toneladas por ano de carbonato de lítio equivalente. Esse nome representa um padrão usado para medir o volume de lítio que pode ser transformado em material para baterias.
A primeira etapa prevê 7,5 mil toneladas por ano e tem início esperado para 2028. Depois, a ampliação deve acrescentar mais 45 mil toneladas por ano, com começo previsto para 2030.
Eni, empresa italiana de energia com atuação global, informou que o projeto será executado em duas fases. Os números divulgados representam a capacidade pretendida quando todas as unidades estiverem funcionando.
Extração direta de lítio usa equipamentos no lugar de grandes lagoas
A extração direta de lítio é uma forma de separar o mineral da salmoura com equipamentos industriais. A salmoura é uma água muito salgada retirada do subsolo, comum em áreas desérticas do Chile.
No método tradicional, esse líquido costuma ser levado para grandes lagoas. A água evapora com o calor e o sol, enquanto os sais ficam cada vez mais concentrados até o lítio poder ser separado.
O sistema escolhido para o projeto Black Giant pretende fazer essa separação sem depender tanto desse processo ao ar livre. A tecnologia foi desenvolvida pela EnergyX, empresa que controla o projeto no Chile.
Sistema fechado prevê devolver a salmoura ao reservatório subterrâneo
O projeto foi planejado como um sistema fechado, com reinjeção completa da salmoura retirada dos poços. Em termos simples, depois de separar o lítio, a parte restante do líquido deve voltar ao local subterrâneo de onde saiu.
Esse ponto importa porque o deserto do norte chileno possui pouca água disponível. O objetivo é reduzir o impacto ligado ao uso da água quando comparado ao modelo baseado em grandes lagoas de evaporação.
A reinjeção faz parte do desenho apresentado para o projeto. Ainda assim, a operação precisa ser implantada e colocada em funcionamento para que os resultados práticos sejam avaliados.
Eni terá direito de comprar até 25% do lítio produzido
Além de entrar no negócio com 25% de participação, a Eni terá um assento no conselho de administração da Black Giant. A empresa também poderá comprar até 25% da produção total de carbonato de lítio equivalente.
Esse direito de compra liga o projeto chileno a uma iniciativa da Eni na Itália. A empresa pretende usar parte desse material em sua fábrica de baterias estacionárias na área industrial de Brindisi.
Baterias estacionárias são equipamentos que armazenam eletricidade para ser usada em outro momento. Elas podem ajudar sistemas de energia a guardar parte da produção disponível.
Investimento em lítio amplia presença da Eni na cadeia de baterias
O lítio é uma matéria prima importante para a fabricação de baterias. Por isso, empresas de energia passaram a buscar participação em projetos capazes de fornecer esse mineral nos próximos anos.

A entrada da Eni no Chile também busca reforçar sua presença na cadeia de minerais críticos. Esse grupo reúne materiais importantes para equipamentos ligados à energia e ao armazenamento de eletricidade.
A empresa informou que levará conhecimento técnico e operacional para ajudar na execução do projeto. A participação envolve experiência em infraestrutura de energia e operações industriais.
Primeiro conjunto de equipamentos está previsto para 2028
O cronograma prevê que a primeira unidade comece a operar em 2028. A expansão seguinte está planejada para 2030, quando a capacidade total poderá chegar às 52,5 mil toneladas por ano.
Até esse momento, os números divulgados representam metas de investimento, capacidade e produção futura. O projeto ainda precisa avançar da fase de planejamento e implantação para a operação comercial.
A aposta da Eni mostra que a disputa pelo lítio também envolve a forma de retirar o mineral. No Chile, a proposta tenta diminuir a presença de grandes lagoas e devolver a salmoura ao subsolo após a separação.
O resultado dependerá do funcionamento dos equipamentos e do cumprimento das etapas previstas para 2028 e 2030. A diferença está em tentar produzir lítio para baterias com outro caminho dentro do deserto.
Você acredita que retirar lítio sem depender de grandes lagoas pode reduzir os impactos da mineração em regiões secas? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a publicação.

