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Não é porto, aeroporto nem resort de luxo: a Croácia vai erguer um megacampus de inteligência artificial de €12 bilhões, com data center de 1 GW, usina solar própria e 3 mil trabalhadores construindo a nova potência digital da Europa

Escrito por Carla Teles
Publicado em 30/04/2026 às 14:26
Atualizado em 30/04/2026 às 14:59
Não é porto, aeroporto nem resort de luxo a Croácia vai erguer um megacampus de inteligência artificial de €12 bilhões, com data center de 1 GW, usina solar própria e 3 mil
Inteligência artificial avança na Croácia com data center, usina solar e energia renovável em megacampus bilionário.
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Inteligência artificial ganha uma de suas maiores apostas na Europa com campus anunciado na Croácia, data center em escala de gigawatt, energia renovável no próprio local e promessa de transformar Topusko em polo regional de infraestrutura digital.

A inteligência artificial entrou no centro de um anúncio bilionário na Croácia com a apresentação do projeto Pantheon AI, um campus de inovação e data center hiperescalável planejado para Topusko. Liderado pelo grupo Pantheon Atlas LLC, o empreendimento prevê o início da construção no começo de 2027 e operação completa até o primeiro trimestre de 2029, com um campus de €12 bilhões dentro de um investimento total que deve superar €50 bilhões à medida que inquilinos hiperescaláveis instalem equipamentos e tecnologia.

O anúncio chama atenção pelo tamanho e pelo posicionamento estratégico. O projeto foi apresentado em Dubrovnik, durante a Three Seas Initiative Summit, e foi descrito como o maior investimento da história da Croácia e um dos maiores aportes privados dos Estados Unidos na Europa. No plano técnico, a estrutura promete 1 GW de capacidade total, 800 MW de carga útil de TI, fornecimento integral por energia renovável e criação de 1.500 empregos permanentes, além de 3.000 funções na fase de construção.

O que é o Pantheon AI e por que ele chama tanta atenção

O Pantheon AI foi desenhado como um complexo de infraestrutura digital voltado à nova corrida global da inteligência artificial. A proposta é criar na Croácia uma instalação preparada para atender operadores hiperescaláveis dos Estados Unidos e da Europa dentro de território da União Europeia e da OTAN, em um momento em que a demanda por capacidade de data center impulsionada por IA cresce mais rápido do que a oferta de energia, terreno e construção no continente.

Segundo o anúncio, o campus seguirá os padrões NVIDIA GW-Scale AI Factory e promete nível de disponibilidade acima de Tier IV, algo apresentado como um diferencial raro na Europa. A ambição não é apenas erguer um data center, mas montar uma base de larga escala para processamento, armazenamento e expansão de infraestrutura digital em uma região que ainda não tem uma instalação otimizada para IA em escala de gigawatt.

Os números que explicam o tamanho do megacampus

Inteligência artificial avança na Croácia com data center, usina solar e energia renovável em megacampus bilionário.

Os dados do projeto ajudam a dimensionar por que ele foi tratado como uma obra fora do padrão. O campus terá 310 acres, com possibilidade de expansão para 450 acres, e nasce com 1 GW de capacidade total, dos quais 800 MW serão carga útil de TI. Além disso, a estrutura terá quatro rotas independentes de fibra distribuídas por três grandes corredores da União Europeia.

No campo energético, a escala também impressiona. O local será abastecido por uma usina solar própria de 500 MW, instalada “behind the meter”, acompanhada de 8.000 MWh de armazenamento em baterias. O sistema de transmissão, com quatro linhas independentes de 400 kV, foi projetado para permitir a integração de até 5,2 GW de nova energia renovável à rede elétrica croata.

Como a energia e a conectividade sustentam a aposta em inteligência artificial

Um dos eixos centrais do projeto é a combinação entre potência elétrica, resiliência e conectividade. O campus foi planejado para operar com energia renovável no próprio local e para ter capacidade de resposta a uma demanda intensa de processamento associada à inteligência artificial, algo que hoje pressiona os centros de dados mais tradicionais da Europa.

Na conectividade, o Pantheon AI foi desenhado para se ligar a múltiplas rotas e corredores estratégicos. O anúncio cita também o cabo submarino GreenMed, que deve ampliar o alcance até Milão em 2028, reforçando a integração do campus com redes digitais e rotas de dados continentais. Isso ajuda a explicar por que o projeto é tratado como infraestrutura crítica e não apenas como uma obra imobiliária de grande porte.

O que muda na prática para a Croácia e para a região

Na prática, o plano quer colocar a Croácia em uma posição nova no mapa da infraestrutura digital europeia. O anúncio afirma que o empreendimento pode estabelecer o país como hub regional de infraestrutura digital, aproveitando acesso à rede, base regulatória, relações locais e uma localização a 45 minutos de Zagreb, além de três cidades adicionais próximas capazes de ampliar a oferta de mão de obra.

Esse movimento ganha ainda mais peso porque os polos já consolidados de data center na Europa operam com vacância abaixo de 8%, enquanto atrasos em conexões à rede elétrica aumentam a pressão. Ao mesmo tempo, a demanda por eletricidade para data centers na Europa Central e Oriental deve crescer de três a quatro vezes até 2035, segundo o anúncio, o que abre espaço para empreendimentos desse porte.

Empregos, construção e impacto econômico

O projeto promete uma onda relevante de empregos em duas frentes. Durante a construção, a previsão é de 3.000 funções, enquanto, após a conclusão, o campus deve sustentar 1.500 empregos permanentes. Isso faz do empreendimento uma aposta não apenas em tecnologia, mas também em dinamização econômica regional.

No plano financeiro, a escala é ainda maior. O campus em si foi anunciado em €12 bilhões, mas o investimento total poderá ultrapassar €50 bilhões quando os ocupantes hiperescaláveis começarem a implantar equipamentos e tecnologia em larga escala. Por isso, a iniciativa foi apresentada como o maior investimento da história croata e um dos maiores investimentos privados americanos já feitos na Europa.

Quem está por trás da obra

O Pantheon Atlas LLC aparece como o veículo de investimento do projeto, reunindo investidores institucionais dos Estados Unidos e indivíduos de alta renda. Entre os parceiros anunciados estão a Greenvolt International Power, responsável por carta de intenção para a planta solar de 500 MW e baterias de 2.000 MW / 8.000 MWh, além de empresas e grupos ligados a transmissão, subestação, engenharia, consultoria financeira e desenho do data center.

Também aparecem no ecossistema do projeto o Končar Group, a Dalekovod Projekt, a Ravel Ltd., a Parsec Lab, além de consultorias e assessorias como PwC, KPMG, Latham & Watkins e Hodgson Russ. A própria autoridade regional de Sisak-Moslavina County reconheceu formalmente o empreendimento como de importância especial para a região e assinou acordo de cooperação para apoiar as condições necessárias à sua realização.

As próximas etapas até 2029

O cronograma divulgado indica começo das obras no início de 2027. A meta é colocar o campus totalmente operacional até o primeiro trimestre de 2029, o que significa uma janela relativamente curta para uma obra que combina centro de dados, transmissão elétrica, armazenamento em baterias, fibra, subestação e geração solar própria.

Até lá, o projeto terá de converter o anúncio em execução física e operacional. A velocidade dessa entrega será decisiva porque a proposta surge justamente para responder a uma lacuna estrutural na Europa, onde a corrida por capacidade voltada à inteligência artificial já pressiona energia, terreno, conexão e disponibilidade em escala.

Por que essa obra vai além de um data center comum

O que torna o anúncio tão chamativo é a combinação entre escala industrial, infraestrutura energética própria e disputa geopolítica por liderança tecnológica. O Pantheon AI foi apresentado como resposta a uma falta estrutural de capacidade para IA na Europa e como um ativo construído em território aliado, democrático e protegido por regras europeias de soberania de dados.

Por isso, o projeto não se resume a servidores e cabos. Ele representa uma tentativa de transformar a Croácia em peça relevante de uma nova economia digital, em que energia, computação, localização e regras de armazenamento de dados passam a valer tanto quanto estradas, portos e aeroportos valeram em ciclos anteriores de desenvolvimento.

Você acredita que obras desse porte vão redefinir quais países lideram a inteligência artificial na Europa nos próximos anos?

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Carla Teles

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