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Cidade histórica do Mediterrâneo está desmoronando com avanço do mar, prédios colapsam e resposta inclui barreiras costeiras, demolições e novos conjuntos para tentar proteger milhões de moradores

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 22/04/2026 às 13:37
Atualizado em 22/04/2026 às 13:40
Avanço do mar provoca colapso de prédios em Alexandria e expõe crise urbana com erosão costeira e risco para milhões de moradores.
Avanço do mar provoca colapso de prédios em Alexandria e expõe crise urbana com erosão costeira e risco para milhões de moradores.
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Avanço do mar, erosão acelerada e colapsos estruturais transformam rotina urbana em Alexandria, pressionando governo a agir com obras emergenciais e reassentamento populacional diante de riscos crescentes em uma das cidades mais vulneráveis do Mediterrâneo.

Alexandria, no Egito, passou a enfrentar uma combinação cada vez mais visível de erosão costeira, infiltração de água salgada e instabilidade do solo, fenômeno que já aparece no aumento dos desabamentos de edifícios e pressiona o poder público a acelerar obras de contenção, remoções e reassentamentos em uma cidade de quase 5,8 milhões de habitantes.

Avanço do mar e impacto urbano em Alexandria

O problema deixou de ser tratado apenas como projeção climática e ganhou expressão concreta em bairros voltados para o Mediterrâneo, onde moradores relatam praias mais estreitas, o avanço do mar em direção aos prédios e o surgimento mais frequente de rachaduras, inclinações e deformações que alteram a rotina de famílias obrigadas a abandonar apartamentos considerados inseguros.

Segundo levantamento científico publicado em fevereiro de 2025 na revista Earth’s Future, os colapsos de construções em Alexandria cresceram de forma acentuada nas últimas décadas, enquanto a linha costeira recuou, em média, cerca de 3,5 metros por ano ao longo dos últimos 20 anos, num cenário associado à elevação do nível do mar, subsidência do terreno e erosão.

Os pesquisadores também identificaram uma área costeira de alta vulnerabilidade com mais de 7 mil edifícios em risco, número que ajuda a dimensionar a dimensão urbana do problema numa faixa litorânea densamente ocupada, onde a pressão sobre moradia e infraestrutura se soma a um processo ambiental contínuo e já mensurável.

Infiltração salina e risco estrutural dos prédios

Avanço do mar provoca colapso de prédios em Alexandria e expõe crise urbana com erosão costeira e risco para milhões de moradores.
Avanço do mar provoca colapso de prédios em Alexandria e expõe crise urbana com erosão costeira e risco para milhões de moradores.

Mais do que o impacto das ondas na superfície, a degradação avança pelo subsolo.

A água do mar penetra em terrenos arenosos, eleva a salinidade nas camadas abaixo das construções e acelera a corrosão de materiais e o enfraquecimento das fundações, reduzindo a estabilidade de prédios antigos e encurtando o intervalo entre sinais de deterioração e falhas estruturais mais graves.

Essa mudança ajuda a explicar por que imóveis que permaneceram de pé durante décadas passaram a apresentar fissuras, inclinações e danos recorrentes em um período mais curto.

Em vez de episódios isolados de ressaca, o que se observa em Alexandria é uma alteração persistente das condições físicas que sustentam parte importante do tecido urbano.

Medidas do governo contra erosão costeira

A resposta do governo egípcio tenta conter o avanço do problema em várias frentes.

Nove barreiras marítimas de concreto foram instaladas em trechos vulneráveis da costa para reduzir o impacto das ondas, enquanto caminhões passaram a recompor praias desgastadas com reposição de areia, numa tentativa de restaurar parte da proteção natural entre o mar e as áreas edificadas.

As medidas, porém, não se limitam à engenharia costeira.

Autoridades egípcias identificaram cerca de 7.500 edifícios para demolição e anunciaram a construção de 55 mil novas unidades habitacionais, estratégia voltada à retirada de moradores de imóveis considerados inseguros e à redução do risco em áreas onde os desabamentos se tornaram mais frequentes.

Avanço do mar provoca colapso de prédios em Alexandria e expõe crise urbana com erosão costeira e risco para milhões de moradores.
Avanço do mar provoca colapso de prédios em Alexandria e expõe crise urbana com erosão costeira e risco para milhões de moradores.

Em julho de 2025, o primeiro-ministro Mostafa Madbouly afirmou que há registros constantes de colapsos parciais ou totais de prédios que já tinham ordem de demolição, reconhecimento que evidencia a dificuldade de agir com a mesma velocidade de um processo de degradação que avança em diferentes pontos da cidade.

Crescimento populacional e pressão por moradia

A pressão cresce num contexto de expansão populacional e mercado imobiliário tenso.

Dados citados pela Reuters com base na agência oficial de estatísticas CAPMAS indicam que a população de Alexandria quase dobrou em 25 anos, alcançando cerca de 5,8 milhões de moradores, movimento que ampliou a procura por habitação e dificultou a retirada de famílias de zonas mais frágeis.

Mesmo em áreas sob observação, os preços dos imóveis seguem elevados, o que ajuda a manter parte da população em edifícios vulneráveis ou em bairros costeiros sujeitos a deterioração acelerada.

A crise, por isso, não envolve apenas obras contra o mar, mas também disponibilidade de moradia, adensamento urbano e capacidade estatal de realocar moradores sem ampliar a pressão social.

Cidade histórica sob risco climático no Mediterrâneo

O caso de Alexandria chama atenção por reunir, no mesmo espaço, patrimônio histórico, densidade populacional e exposição climática.

O estudo publicado em 2025 aponta que a faixa costeira urbana da cidade, com cerca de 70 quilômetros, aparece como a mais vulnerável de toda a bacia do Mediterrâneo, dado que amplia o peso internacional do alerta emitido pelos pesquisadores.

Essa vulnerabilidade não se resume a uma ameaça futura e distante.

Ela já aparece na paisagem, na infraestrutura e nas decisões de governo, com obras de defesa costeira convivendo com fachadas deterioradas, imóveis interditados e sucessivas intervenções emergenciais em bairros onde o desgaste estrutural passou a fazer parte do cotidiano.

Avanço do mar provoca colapso de prédios em Alexandria e expõe crise urbana com erosão costeira e risco para milhões de moradores.
Avanço do mar provoca colapso de prédios em Alexandria e expõe crise urbana com erosão costeira e risco para milhões de moradores.

Relatos reunidos pela Reuters mostram que moradores percebem o problema em reformas que se deterioram depressa, rachaduras que voltam a surgir pouco depois dos reparos e uma sensação de transformação contínua nas ruas próximas ao mar.

Em alguns casos, apartamentos deixaram de ser habitáveis depois que a estrutura começou a inclinar, impondo saídas apressadas e perdas materiais às famílias.

A deterioração acelerada reforça a avaliação de especialistas de que Alexandria virou um dos exemplos mais concretos de como a elevação do mar pode afetar diretamente cidades costeiras já consolidadas.

Em vez de um impacto restrito a eventos extremos, o que se vê é uma erosão gradual da base física que sustenta bairros inteiros.

Num centro urbano historicamente associado ao comércio, à circulação marítima e à ocupação intensa do litoral, a ameaça climática passou a ser medida não apenas pela perda de praia, mas pelo comprometimento das fundações, pela necessidade de demolições preventivas e pela dificuldade de adaptar milhões de moradores a um ambiente costeiro mais instável do que no passado recente.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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