Megacomplexo em San Juan terá alojamentos modulares em alta montanha, participação de empresas chinesas e argentinas e infraestrutura de apoio para milhares de trabalhadores ligados ao projeto Vicuña, uma das frentes minerais em desenvolvimento na Argentina.
A Vicuña adjudicou, em junho de 2026, uma nova etapa do campamento Batidero, na cordilheira da província argentina de San Juan, a um consórcio formado por PowerChina, Beijing Chengdong e a argentina RAFA S.A.
Com previsão de cerca de 2.000 camas, a obra integra a infraestrutura necessária para o avanço do projeto de cobre, ouro e prata associado aos depósitos Filo del Sol e Josemaría.
Embora tenha sido descrita como uma “cidade” para trabalhadores, a estrutura não funcionará como um centro urbano aberto, com moradores permanentes, comércio livre e vida cotidiana independente.
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O complexo será um alojamento industrial de grande porte, planejado para receber equipes em regime de turno em uma área remota de alta montanha.
A preparação logística do projeto Vicuña inclui o campamento, que está ligado a um distrito cuprífero de escala internacional conduzido pela Vicuña Corp., joint venture entre a Lundin Mining e a BHP.
Criada para desenvolver de forma integrada os depósitos Filo del Sol e Josemaría, a companhia atua em uma região de fronteira entre Argentina e Chile.
Obra ficará em área de alta montanha em San Juan

A nova etapa do complexo habitacional será instalada em Batidero, base operacional associada ao desenvolvimento de Josemaría e Filo del Sol.
De acordo com veículos argentinos especializados em mineração, a ampliação corresponde a aproximadamente 25% do campamento permanente previsto para a operação final.
A escolha do consórcio, conforme informou a empresa à imprensa argentina, considerou critérios técnicos, segurança, capacidade de execução, prazo e custo.
No modelo EPC, sigla usada para engenharia, procura e construção, a PowerChina ficará responsável pela gestão integral do projeto em formato de entrega conhecido como “chave na mão”.
A Beijing Chengdong, dentro da divisão estabelecida, será responsável pela fabricação dos módulos habitacionais que formarão o campamento.
Já a RAFA S.A., empresa argentina com sede na província de Santa Fé, atuará nas atividades de campo, como movimentação de solo, fundações, montagem, instalações e obras complementares.
Complexo não será uma cidade tradicional
O empreendimento terá dormitórios, áreas de alimentação, serviços internos, espaços de descanso, sistemas de energia, abastecimento de água, saneamento, comunicação e apoio à circulação de veículos.
Essas estruturas atendem às exigências operacionais de uma área de altitude, onde o acesso é limitado e a logística costuma envolver transporte de insumos, manutenção contínua e organização de equipes em turnos.
A instalação do campamento busca reduzir deslocamentos longos e manter trabalhadores próximos das frentes de obra.
Em projetos de mineração na cordilheira, esse tipo de estrutura costuma ser implantado antes das etapas mais intensas de construção, já que a mão de obra precisa de alojamento, alimentação, segurança e apoio operacional antes do início da produção em escala.

Na prática, os módulos habitacionais podem chegar prontos ou semiprontos, o que contribui para reduzir o prazo de montagem no terreno e parte das dificuldades impostas pelo clima e pela distância.
A infraestrutura terá de operar em uma região onde frio, altitude, manutenção, transporte de insumos e evacuação de emergência fazem parte do planejamento permanente do empreendimento.
A imprensa de San Juan informou que o campamento definitivo poderá chegar a uma capacidade próxima de 8.000 camas, embora o título da matéria mencione 5.000 trabalhadores.
A etapa agora adjudicada acrescentaria 2.000 camas e se somaria a estruturas já existentes no entorno do projeto.
Vicuña integra depósitos estratégicos de cobre
A Vicuña Corp. apresenta o distrito como uma área com potencial para cobre, ouro e prata.
Segundo a Lundin Mining, a empresa foi estabelecida para avançar no desenvolvimento de Filo del Sol e Josemaría, dois depósitos separados por cerca de 10 quilômetros dentro do distrito Vicuña.
O cobre é o principal eixo econômico do projeto porque o metal é usado em redes elétricas, veículos elétricos, infraestrutura de recarga, telecomunicações e tecnologias associadas à transição energética.
Conforme a própria Vicuña, o mineral tem papel relevante em sistemas energéticos mais eficientes e na expansão de transportes de baixa emissão.
Josemaría é descrito pela Lundin Mining como um sistema de pórfiro de cobre e ouro em San Juan, planejado como operação a céu aberto.
Filo del Sol, por sua vez, é apresentado como depósito de cobre, ouro e prata associado a um sistema mineralizado mais amplo, com etapas de avaliação e desenvolvimento ainda em curso.
Antes do avanço para fases mais intensas da mineração, a companhia precisa preparar a base física que dará suporte à construção.

Nesse contexto, obras como o campamento Batidero, acessos, serviços, oficinas e estruturas de apoio integram a infraestrutura inicial necessária para o desenvolvimento do empreendimento.
Contrato provocou reação entre fornecedores locais
A adjudicação gerou debate em San Juan porque interrompeu uma sequência de contratos recentes vencidos por empresas locais ou por grupos com maior presença argentina.
Segundo o portal Ámbito, fontes ligadas ao processo apontaram que a proposta vencedora ficou em torno de US$ 52 milhões, abaixo de uma oferta próxima de US$ 70 milhões apresentada por competidores com integração local.
Câmaras e fornecedores argentinos manifestaram preocupação com a entrada de capital estrangeiro em uma etapa considerada estratégica para a cadeia produtiva regional.
A Vicuña, por outro lado, informou que os processos de contratação contemplam fornecedores, contratistas e trabalhadores locais quando houver capacidade disponível e condições competitivas para participação.
O debate ocorre em um momento de maior atenção ao setor de cobre na agenda econômica argentina.
Veículos locais citam o projeto Vicuña como um dos maiores desenvolvimentos minerais em preparação no país, com potencial de atrair investimentos para San Juan e para a infraestrutura associada à produção mineral.
Também estão em andamento processos ligados à construção de três campamentos para equipes que atuarão nas obras do chamado Corredor Norte.
A empresa trata essa frente como parte da infraestrutura necessária ao avanço do projeto, ao lado da ampliação habitacional prevista para Batidero.
Antes da extração em larga escala, um projeto de cobre em alta cordilheira depende de uma base industrial com alojamento, serviços e logística voltados à operação das equipes.
A estrutura deverá reunir moradia temporária, serviços, logística, segurança e suporte técnico para milhares de trabalhadores em uma área remota da mineração sul-americana.

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