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China testou com sucesso uma máquina que corta cabos submarinos a 3.500 metros de profundidade e 99% da internet do mundo passa por esses cabos

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 15/04/2026 às 21:02
China testou máquina que corta cabos submarinos a 3.500 metros e 99% da internet do mundo passa por esses cabos
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Dispositivo operado por drone subaquático cortou estruturas a 3.500 metros em teste de 11 de abril. Brasil tem 16 cabos submarinos na costa e um deles é parcialmente operado pela China Unicom.

O navio de pesquisa Haiyang Dizhi 2 completou em 11 de abril de 2026 a primeira missão de águas profundas do ano, segundo o Ministério de Recursos Naturais da China. A bordo, engenheiros testaram um atuador eletro-hidrostático capaz de cortar estruturas submarinas, incluindo cabos de fibra óptica blindados, a uma profundidade de 3.500 metros. O jornal oficial China Science Daily declarou que o teste “preencheu a última milha entre o desenvolvimento do equipamento e a aplicação em engenharia”, indicando que o dispositivo está pronto para uso operacional.

O aparelho foi desenvolvido por engenheiros da Universidade de Zhejiang. Suporta pressões acima de 35 megapascais, usa materiais resistentes à corrosão e integra sistema hidráulico, motor elétrico e unidade de controle em um único dispositivo compacto. Pode ser montado em veículos subaquáticos não tripulados de pequeno porte, dispensando grandes frotas de superfície.

Por que isso é mais grave do que parece?

China testou máquina que corta cabos submarinos a 3.500 metros e 99% da internet do mundo passa por esses cabos

Cabos submarinos de fibra óptica carregam aproximadamente 99% do tráfego internacional de dados. Internet, telefonia, transações financeiras, comunicação militar e operações bancárias entre continentes dependem dessas linhas instaladas no fundo do oceano. São cerca de 600 sistemas de cabos no mundo, totalizando 1,5 milhão de quilômetros, o equivalente a 30 voltas ao redor da Terra.

Um relatório chinês de setembro de 2025, citado pelo South China Morning Post, já descrevia a tecnologia como destinada “ao corte de cabos submarinos e à operação de garras de águas profundas”. A profundidade de 3.500 metros coloca a maior parte dos cabos do Oceano Atlântico, Pacífico e do Mar do Sul da China ao alcance do dispositivo.

O contexto geopolítico amplifica a gravidade. Nos últimos meses, a Marinha britânica rastreou três submarinos russos próximos a infraestruturas submarinas vitais. Cabos foram cortados no Mar Vermelho em 2025. Um petroleiro da frota-sombra russa arrastou sua âncora por 90 quilômetros no fundo do Mar Báltico para tentar romper cabos. A China agora demonstra que possui a capacidade tecnológica de fazer o mesmo em águas muito mais profundas.

A evolução tecnológica chinesa nessa área é assustadoramente rápida

China testou máquina que corta cabos submarinos a 3.500 metros e 99% da internet do mundo passa por esses cabos

Em 2022, uma equipe de reparo de oleodutos submarinos levou cinco horas para realizar um único corte em um tubo de 18 polegadas. Em 2023, embarcações chinesas operadas remotamente já cortavam tubos de 38 polegadas de diâmetro a 600 metros de profundidade, com um reparo concluído em 20 minutos. Em abril de 2026, o dispositivo opera a 3.500 metros.

Em quatro anos, a China multiplicou a profundidade operacional por quase seis e reduziu o tempo de operação em mais de 90%.

O governo chinês apresenta o equipamento como ferramenta para construção e reparo de oleodutos e gasodutos submarinos.

A aplicação civil é real. Mas um dispositivo que corta cabos blindados a 3,5 quilômetros de profundidade e pode ser carregado por um drone subaquático não precisa de muita imaginação para ter seu uso militar compreendido.

O que isso tem a ver com o Brasil?

O Brasil possui pelo menos 16 sistemas de cabos submarinos conectados à sua costa, segundo dados do IX Fórum de Fortaleza 2025 e do Tecnoblog. Fortaleza, Praia Grande (SP), Santos, Rio de Janeiro, Salvador e Recife são os principais pontos de chegada. Esses cabos conectam o Brasil aos Estados Unidos, Europa, África e América do Sul.

O EllaLink, inaugurado em 2021, liga Fortaleza diretamente a Sines, em Portugal. Foi construído em parte como resposta aos escândalos de espionagem da NSA revelados por Edward Snowden, porque antes disso quase todo o tráfego brasileiro para a Europa passava por servidores americanos. O SACS conecta Fortaleza a Luanda, em Angola. O Firmina, do Google, entrou em operação em 2025. E o SAIL, que liga Fortaleza a Camarões, é parcialmente operado pela China Unicom.

Se um ou mais desses cabos forem cortados, reparados ou apenas ameaçados, o impacto sobre a internet, os sistemas bancários, o mercado financeiro e as comunicações do Brasil é imediato. O reparo de um cabo em águas profundas pode levar semanas e custar dezenas de milhões de dólares. Enquanto isso, o tráfego precisa ser redirecionado por rotas alternativas que nem sempre têm capacidade para absorver a demanda.

A China acabou de demonstrar que tem a tecnologia para cortar qualquer cabo do planeta a 3.500 metros de profundidade usando um drone subaquático. E um desses cabos que ligam o Brasil ao mundo é parcialmente operado por uma empresa estatal chinesa. O que você acha sobre isso?

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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