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China testa o solo, a salinidade e as marés antes de plantar uma única muda e restaura mais de 13 hectares de manguezal em Fujian com uma técnica que combina árvores e arbustos para resistir às ondas e capturar mais carbono

Publicado em 22/06/2026 às 19:45
Atualizado em 22/06/2026 às 19:49
A China testa solo, salinidade e marés e restaura 13 hectares de manguezal em Fujian com árvores e arbustos que resistem às ondas e capturam mais carbono.
A China testa solo, salinidade e marés e restaura 13 hectares de manguezal em Fujian com árvores e arbustos que resistem às ondas e capturam mais carbono.
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Desenvolvida pelo Terceiro Instituto de Oceanografia, a técnica foi catalogada entre 35 inovações ecológicas selecionadas pelo governo. Em Fujian, os cientistas avaliam cada trecho da costa antes do plantio e combinam mangues altos e arbustos, uma abordagem que a China trata como armadura costeira contra as ondas.

A China testa o solo, a salinidade e as marés antes de plantar uma única muda e restaura mais de 13 hectares de manguezal em Fujian com uma técnica que combina árvores e arbustos para resistir às ondas e capturar mais carbono. O método mostra como a ciência tem mudado a forma de recuperar a costa.

A técnica foi divulgada pelo portal China Daily, desenvolvida pelo Terceiro Instituto de Oceanografia, foi selecionada pelo Ministério dos Recursos Naturais e pela Administração Nacional de Florestas e Pastagens como uma das 35 inovações comprovadas do mais recente catálogo ecológico do país, que abrange 10 áreas críticas. Ela integra o plano ecológico acelerado para o 15º Plano Quinquenal, de 2026 a 2030. Em Fujian, os pesquisadores avaliam a área costeira, do solo à salinidade e às marés, antes de plantar e combinam espécies arbóreas e arbustivas em uma abordagem de armadura costeira, que também aumenta o sequestro de carbono.

Avaliar a costa antes de plantar a primeira muda

Técnicos realizam um levantamento ambiental para um projeto de restauração de manguezais em Ningde, província de Fujian, em 28 de maio. [Foto cedida ao CHINA DAILY]
Técnicos realizam um levantamento ambiental para um projeto de restauração de manguezais em Ningde, província de Fujian, em 28 de maio. [Foto: CHINA DAILY]

Na China, os pesquisadores da província de Fujian que se preparavam para restaurar mais de 13 hectares de manguezal em um lodo em Ningde não partiram direto para as mudas. Em vez disso, começaram por uma avaliação completa da área costeira, em um levantamento ambiental realizado em 28 de maio.

“Assim como um médico realiza exames antes do tratamento”, disse Chen Shunyang, engenheiro do Terceiro Instituto de Oceanografia.

Segundo o engenheiro, a equipe testa o tamanho das partículas do solo, a salinidade da água do mar e os níveis da maré, além de medir a elevação do lodaçal. Apenas por meio dessa avaliação física, de acordo com ele, é possível determinar se, onde e como plantar, garantindo a sobrevivência das espécies, com um projeto personalizado para cada local.

Árvores e arbustos juntos contra as ondas

imagem ilustrativa/explicativa
imagem ilustrativa/explicativa

No sítio de restauração de Xiatanwei, em Xiamen, também em Fujian, uma comunidade vegetal composta está bem estabelecida, e o que antes era uma costa degradada hoje é um ecossistema marinho próspero. Os pesquisadores descrevem a abordagem como colocar múltiplas camadas de proteção na costa, combinando espécies de mangue arbóreas e arbustivas, a armadura costeira que está no centro da técnica que a China dissemina.

“O plantio de uma única espécie fazia do mangue um lutador solitário”, disse Chen Guangcheng, pesquisador do instituto.

Agora, as árvores e os arbustos resistem às ondas em conjunto. As árvores altas reduzem a força principal do vento e das ondas, enquanto os arbustos contribuem ainda mais para a atenuação das ondas, estabilizando o sedimento e fornecendo mais habitats para a fauna bentônica.

Um paraíso marinho para a fauna costeira

O reconhecimento da técnica se apoia em um histórico crescente de transformação ecológica que a China vem promovendo na costa. Chen Jiahui, pesquisador associado do instituto, descreveu o manguezal restaurado de forma marcante.

“Um paraíso marinho vibrante”, afirmou Chen Jiahui.

Nesse ambiente, que ilustra o tipo de restauração que a China quer ampliar, as copas das árvores funcionam como terraços do último andar para pássaros e insetos, os troncos e galhos oferecem corredores de escalada para caracóis e caranguejos, e a vegetação rasteira dá mais espaço para a fixação dos caracóis. A estrutura vertical multiplica os nichos para a fauna costeira.

Como o manguezal captura mais carbono

(Xinhua/Liu Dawei)
(Xinhua/Liu Dawei)

Além da proteção contra as ondas, Chen Guangcheng destacou o papel da comunidade vegetal composta no aumento do sequestro de carbono, um ponto central para a China na contabilização do clima. O plantio tradicional de uma única espécie dependia exclusivamente da copa das árvores para a fotossíntese, deixando o espaço abaixo sem uso.

Nos mangues compostos, tanto a copa superior quanto a vegetação do estrato mais baixo contribuem para a captura fotossintética de carbono, enquanto a complexa estrutura acima do solo reduz a exportação de folhas caídas pelas marés. Isso aumenta o fornecimento de matéria orgânica para o acúmulo de carbono no solo, aprimorando o papel do manguezal no sequestro de carbono.

Medir o carbono e o catálogo ecológico da China

Para medir o estoque de carbono do solo, a equipe desenvolveu um método para remover as raízes de diferentes camadas de profundidade ao longo dos núcleos de solo, evitando que as raízes vivas sejam contabilizadas duas vezes como carbono orgânico. Isso pode melhorar a precisão da estimativa do estoque de carbono dos manguezais e fornecer uma base confiável para a contabilização do sequestro de carbono na China.

A técnica, desenvolvida pelo Terceiro Instituto de Oceanografia, foi catalogada recentemente entre as 35 inovações comprovadas selecionadas pelo Ministério dos Recursos Naturais e pela Administração Nacional de Florestas e Pastagens.

Ela sustenta a metodologia do projeto nacional de reflorestamento de manguezais, no âmbito do programa voluntário de redução de emissões de gases de efeito estufa do país, parte do plano ecológico acelerado para o período de 2026 a 2030.

Na China, a restauração de manguezais em Fujian ganhou uma técnica de precisão que avalia o solo, a salinidade e as marés antes de plantar uma única muda e combina árvores e arbustos para formar uma armadura costeira contra as ondas, ao mesmo tempo em que aumenta a captura de carbono.

Desenvolvido pelo Terceiro Instituto de Oceanografia e catalogado entre 35 inovações comprovadas, o método já restaurou mais de 13 hectares em Ningde e sustenta a estrutura nacional de contabilização do carbono.

Segundo os pesquisadores, a combinação de espécies arbóreas e arbustivas transforma costas degradadas em ecossistemas prósperos, o que aponta para um caminho que pode inspirar a restauração de manguezais em outras partes do mundo.

E você, o que achou da técnica de precisão da China para restaurar manguezais? Acredita que o Brasil, que tem grandes manguezais, poderia adotar métodos parecidos na sua costa? Comente a sua opinião e troque ideias com outros leitores sobre meio ambiente e ciência.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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