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China surpreendeu o mundo ao transformar montanhas em uma “bateria de água” de 3,6 GW com 12 turbinas reversíveis de 300 MW, bombeia água para o alto quando sobra energia e devolve eletricidade à rede quando vento e sol desaparecem

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 07/05/2026 às 23:36
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China transforma montanhas em bateria de 3,6 GW
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China transforma montanhas em bateria de 3,6 GW com água bombeada para armazenar energia renovável em Fengning.

No fim de 2024, a China colocou em plena operação uma das maiores estruturas de armazenamento de energia já construídas no planeta: a Fengning Pumped Storage Power Station, na província de Hebei, uma usina hidrelétrica reversível de 3,6 GW operada pela State Grid Corporation of China. Segundo a International Hydropower Association, em 16 de agosto de 2024, Fengning se tornou a maior usina de armazenamento por bombeamento do mundo em capacidade instalada, com 12 turbinas reversíveis de 300 MW distribuídas em duas fases.

O projeto funciona como uma bateria gigantesca construída nas montanhas, mas sem depender de lítio ou produtos químicos. Quando há sobra de eletricidade na rede, especialmente em períodos de forte geração solar e eólica, a usina bombeia água para um reservatório elevado; quando a demanda cresce, essa água desce novamente e aciona turbinas para devolver energia ao sistema.

A pv magazine informou em 9 de janeiro de 2025 que a planta entrou em operação plena após o comissionamento da unidade final em 31 de dezembro de 2024, com conexão à rede do norte da China por quatro linhas de transmissão de 500 kV.

Fengning virou a maior bateria hidráulica do planeta com 3,6 GW de capacidade

A escala do projeto impressiona mesmo para os padrões chineses. Segundo a International Hydropower Association, Fengning possui capacidade instalada total de 3,6 GW distribuída em 12 turbinas reversíveis de 300 MW cada.

Isso coloca a estrutura acima de qualquer outro sistema hidrelétrico reversível atualmente em operação no planeta. Para efeito de comparação, essa potência é suficiente para abastecer milhões de residências simultaneamente dependendo do padrão de consumo adotado.

Mas o mais importante não é apenas gerar energia. O papel central de Fengning é armazenar eletricidade.

Água sobe a montanha quando sobra energia e desce quando a rede precisa

O funcionamento da usina parece simples, mas envolve engenharia extremamente sofisticada. Durante períodos de baixa demanda ou excesso de geração renovável, especialmente de parques solares e eólicos, a eletricidade disponível aciona bombas gigantescas.

Foto: State Grid Corporation of China

Essas bombas enviam enormes volumes de água para um reservatório superior localizado em maior altitude. Quando o sistema elétrico precisa de reforço, a água retorna ao reservatório inferior passando por turbinas reversíveis que geram eletricidade novamente.

Na prática, a montanha inteira funciona como uma bateria gravitacional gigante, armazenando energia potencial em forma de água elevada.

China está usando hidrelétricas reversíveis para resolver problema da energia renovável

O crescimento acelerado da energia solar e eólica criou um desafio importante para sistemas elétricos modernos. Essas fontes geram energia de forma variável. Painéis solares produzem mais durante o dia, enquanto parques eólicos dependem da intensidade do vento.

Isso significa que frequentemente existe excesso de geração em determinados horários e falta em outros. O armazenamento energético virou peça central para resolver esse desequilíbrio.

No caso da China, a aposta em usinas reversíveis gigantes como Fengning ganhou prioridade nacional porque o país possui enormes volumes de geração renovável espalhados por regiões diferentes.

Projeto ajuda a estabilizar uma das maiores redes elétricas do planeta

A China opera o maior sistema elétrico do mundo. Gerenciar essa rede exige mecanismos capazes de responder rapidamente às oscilações de demanda e geração.

Segundo especialistas do setor energético, hidrelétricas reversíveis possuem grande vantagem porque conseguem ativar geração em poucos minutos quando necessário.

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Isso ajuda a estabilizar frequência, compensar quedas de produção renovável e evitar apagões. Fengning virou estratégica justamente porque funciona como reserva instantânea de energia em escala gigantesca.

Sistema usa 12 turbinas reversíveis de 300 MW cada

Um dos detalhes técnicos mais impressionantes do projeto é o conjunto de máquinas instalado na usina. Fengning utiliza 12 unidades reversíveis de 300 MW.

Essas máquinas funcionam tanto como turbinas geradoras quanto como bombas de recalque de água. Ou seja, os equipamentos conseguem alternar entre “modo geração” e “modo armazenamento”.

Esse tipo de engenharia é considerado uma das soluções mais eficientes para armazenamento energético de longa duração atualmente disponíveis.

Projeto faz parte da estratégia chinesa para dominar energia limpa

A construção de Fengning está ligada à estratégia chinesa de ampliar participação de fontes renováveis sem comprometer estabilidade elétrica.

Nos últimos anos, a China se tornou líder mundial em instalação de energia solar e eólica. Mas isso também aumentou necessidade de grandes sistemas de armazenamento capazes de absorver excedentes de geração.

Usinas reversíveis passaram então a ocupar papel estratégico dentro do planejamento energético nacional. Além de Fengning, o país possui diversos outros projetos semelhantes em construção ou expansão.

Estrutura usa gravidade como forma de armazenamento energético

Embora muitas manchetes comparem Fengning a uma “bateria gigante”, o sistema funciona de forma muito diferente de baterias químicas tradicionais. A energia é armazenada fisicamente pela gravidade.

Quando a água sobe para o reservatório superior, ela acumula energia potencial gravitacional. Quando desce novamente, essa energia é convertida em eletricidade pelas turbinas.

China’s Fengning Station – ilustração

O princípio é relativamente antigo, mas a escala moderna transformou essas estruturas em uma das formas mais importantes de armazenamento energético do planeta.

Hidrelétricas reversíveis já representam maioria do armazenamento mundial

Segundo organismos internacionais de energia, sistemas hidrelétricos reversíveis ainda representam a maior parte da capacidade global de armazenamento energético em larga escala.

Isso acontece porque baterias de lítio, apesar de crescerem rapidamente, continuam enfrentando limitações de custo, duração e escala para aplicações gigantescas de rede elétrica.

Já usinas como Fengning conseguem armazenar energia por períodos longos usando reservatórios naturais e infraestrutura hidráulica. O caso de Fengning mostra uma mudança importante na engenharia energética moderna.

Em vez de depender apenas de combustíveis fósseis ou baterias químicas, países começam a transformar montanhas, reservatórios e relevo em componentes ativos do sistema elétrico.

No caso chinês, a própria paisagem virou parte da infraestrutura energética nacional. A montanha não é apenas o local da usina: ela é a bateria.

Megaprojeto ajuda a reduzir desperdício de energia solar e eólica

Um problema recorrente da geração renovável é o chamado “curtailment”, situação em que parte da energia produzida precisa ser desperdiçada porque a rede não consegue absorver toda a geração naquele momento.

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Sistemas de armazenamento como Fengning ajudam a reduzir esse desperdício. Em vez de desligar turbinas eólicas ou desperdiçar produção solar, a eletricidade excedente pode ser usada para bombear água montanha acima.

Depois, essa energia retorna ao sistema quando a demanda aumenta.

Fengning mostra como o futuro da energia pode depender menos de combustíveis e mais de infraestrutura colossal

Durante décadas, a expansão energética mundial esteve ligada principalmente à exploração de petróleo, carvão e gás natural.

Agora, projetos como Fengning indicam outra direção: construir infraestrutura gigantesca capaz de armazenar eletricidade limpa em larga escala. No caso da China, isso significa transformar reservatórios, túneis, turbinas e montanhas inteiras em componentes ativos da transição energética.

A principal questão agora é quantos países conseguirão construir estruturas desse porte para lidar com o avanço das renováveis antes que limitações de armazenamento se tornem um dos maiores gargalos da eletricidade global.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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