Maior mina de tório do planeta foi descoberta pela China e pode garantir energia por eras, enquanto o mundo se prepara para uma nova corrida tecnológica silenciosa e estratégica envolvendo recursos raríssimos, chips, geopolítica e inteligência artificial.
Durante sua participação no Flow Podcast, o geofísico e divulgador científico Sérgio Sacani trouxe à tona uma discussão estratégica que está movimentando bastidores da geopolítica e da tecnologia mundial: a corrida pelas terras raras.
Segundo ele, esse é o novo campo de batalha silencioso entre potências globais, principalmente entre China e Estados Unidos.
“Saiu um artigo na Scientific American semana passada falando que as terras raras são o novo petróleo”, explicou Sacani, destacando o quanto esses elementos se tornaram estratégicos.
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Essas substâncias, que incluem tório, lantânio, cobalto e o próprio lítio, são fundamentais para o funcionamento de tecnologias modernas, como carros elétricos, chips, baterias e outros componentes eletrônicos.
A mina de tório que muda tudo
No entanto, o ponto mais surpreendente da conversa foi uma revelação que Sacani tratou com ênfase especial: a China descobriu recentemente a maior mina de tório do planeta — com um volume tão grande que, segundo os cientistas chineses, seria suficiente para abastecer o país por incríveis 60 milhões de anos.
“É um volume absurdo, cara”, comentou o cientista.
“Eles falaram que dá para alimentar a China por 60 milhões de anos. É muita coisa. Muita coisa mesmo.”
Essa descoberta coloca a China em uma posição de vantagem colossal no cenário tecnológico e energético do futuro, já que o tório é uma alternativa promissora ao urânio como combustível nuclear e pode revolucionar a produção de energia.
“Hoje ninguém ligava para esses elementos. Mas agora, eles são as coisas mais importantes que existem”, observou Sacani, comparando a ascensão das terras raras a um “nerd no fundo da sala de aula” que, ignorado por todos, se torna protagonista no momento crucial.
O poder das terras raras
As terras raras compõem um grupo de elementos químicos presentes em quantidades reduzidas na natureza, mas essenciais para a fabricação de equipamentos tecnológicos modernos.
O problema é que sua extração e processamento são complexos e ambientalmente sensíveis, o que aumenta ainda mais sua relevância geopolítica.
O Brasil também é parte desse mapa estratégico.
De acordo com Sacani, alguns desses elementos estão presentes na Amazônia, o que pode colocar o país no radar das potências mundiais em busca de autonomia energética e tecnológica.
“Boa parte desses elementos está na Amazônia. E na Lua também”, completou, reforçando que os recursos extraplanetários também entram na conta dos próximos passos tecnológicos da humanidade.
A guerra silenciosa entre China e EUA
Na conversa, Sacani também comentou a recente decisão da China de restringir a exportação de terras raras para os Estados Unidos.
“Ela falou: ‘Não vou mais entregar terras raras pros americanos’. Aí ferrou, cara”, desabafou, alertando para as possíveis consequências desse movimento.
A medida aumenta a pressão sobre os EUA, que dependem fortemente dos insumos chineses para manter sua indústria tecnológica funcionando.
Como resposta, o ex-presidente norte-americano Donald Trump publicou no Financial Times que buscará novas fontes no Oceano Pacífico, que também é rico em terras raras — embora a extração ali seja bastante desafiadora.
“Ele disse: ‘Não tem problema. Eu vou explorar no Pacífico mesmo’”, relatou Sacani, ilustrando como a corrida por esses recursos já se transformou em uma nova Guerra Fria, uma guerra econômica e tecnológica.
“A guerra de hoje não é com tiro, é com tecnologia, economia, chips, informação”, afirmou o geofísico.
Para ele, essa movimentação global vai acelerar ainda mais os ciclos de inovação e disrupção.
“O que demorava 20 anos pra acontecer, hoje acontece em dois. Ou até menos.”
O futuro da humanidade será moldado pela tecnologia
O cientista também destacou como esse avanço tecnológico já está impactando o cotidiano das pessoas.
“É bem provável que nossas filhas nunca dirijam um carro. Elas vão ter um robô em casa fazendo tudo”, disse ele, mencionando tecnologias como o Neuralink e a inteligência artificial como catalisadoras de transformações sociais profundas.
Sacani contou que acompanhou de perto a evolução da IA, desde os primeiros testes com o ChatGPT 3.5, quando o modelo ainda precisava de ajustes manuais para não alucinar — jargão usado para descrever quando a IA começa a gerar informações sem fundamento.
“Isso foi há dois anos e meio. Olha onde já estamos hoje”, disse, destacando como a tecnologia se tornou mais precisa e popular em um curto intervalo de tempo.
“O que eu torço é que essas tecnologias comecem a resolver problemas de verdade. A gente tem muito problema no Brasil, e dá pra acelerar soluções com tudo isso que está surgindo.”
O novo petróleo do século XXI
A fala de Sacani deixa claro que, mais do que uma simples curiosidade científica, a descoberta da mina de tório na China representa uma mudança profunda no equilíbrio de poder global.
Em tempos de transição energética e dependência tecnológica, ter recursos estratégicos é como ter o petróleo do século XXI.
E com estoque suficiente para 60 milhões de anos, a China acaba de jogar um xeque-mate geológico no tabuleiro mundial.
Será que a descoberta de terras raras pode transformar a China na maior potência global dos próximos séculos?


O Trump, segundo a reportagem é ex-presidente.