Após exercícios militares ao redor de Taiwan, Xi Jinping reforça discurso de reunificação e mantém forças chinesas em alerta máximo.
A tensão entre Taiwan e a China voltou a ganhar força nesta quarta-feira, 31, após Xi Jinping declarar que a reunificação do território é “inevitável”.
A afirmação ocorreu durante a tradicional mensagem de Ano Novo, transmitida pela emissora estatal CCTV, logo após a conclusão dos exercícios militares chineses realizados ao redor da ilha.
O pronunciamento reacendeu alertas de segurança em Taipei e ampliou o debate sobre estabilidade regional no Estreito de Taiwan.
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Xi Jinping associa reunificação a “tendência dos tempos”
No discurso televisionado, Xi Jinping reforçou que a reunificação entre China continental e Taiwan seria um processo histórico irreversível.
Segundo ele, a ligação entre chineses dos dois lados do Estreito de Taiwan vai além da política e estaria baseada em laços familiares e culturais.
“Nós, chineses de ambos os lados do Estreito de Taiwan, compartilhamos um vínculo sanguíneo e parentesco. A reunificação de nossa pátria, uma tendência dos tempos, é inevitável”, afirmou Xi.
Além disso, o líder chinês voltou a defender a política de “um país, dois sistemas” como modelo para manter a estabilidade em territórios sob controle de Pequim.
“Devemos apoiar e integrar-nos melhor ao desenvolvimento geral do país para manter a prosperidade a longo prazo”, declarou, ao mencionar Hong Kong e Macau.
China mantém pressão militar sobre Taiwan
Enquanto isso, a China segue tratando Taiwan como parte de seu território, apesar de a ilha possuir governo próprio, eleições democráticas e forças armadas independentes.
Pequim, inclusive, não descarta o uso da força como meio para alcançar a reunificação.
Os recentes exercícios militares ao redor da ilha reforçam essa postura.
Mesmo após a retirada gradual das embarcações chinesas, o clima permanece de vigilância intensa, especialmente após a confirmação de que o encerramento das manobras só foi anunciado oficialmente na noite de quarta-feira, no horário local.
Taiwan mantém alerta máximo após manobras chinesas
Diante do cenário, Taiwan decidiu manter seus sistemas de resposta ativa.
A guarda costeira informou que o centro de resposta marítima de emergência seguiu em operação, mesmo após sinais de redução da movimentação chinesa.
“A situação marítima se acalmou, com navios e embarcações gradualmente deixando o local.
Como a China não anunciou o fim dos exercícios militares, o centro de resposta a emergências permanece operacional”, afirmou Kuan Bi-ling, chefe do Conselho de Assuntos Oceânicos de Taiwan.
Segundo autoridades locais, a medida busca garantir resposta rápida diante de qualquer nova movimentação militar inesperada.
Números reforçam dimensão dos exercícios militares
De acordo com o Ministério da Defesa de Taiwan, as manobras chinesas envolveram números expressivos nas últimas 24 horas.
Foram identificadas 77 aeronaves militares chinesas e 25 embarcações, incluindo navios da marinha e da guarda costeira, operando ao redor da ilha.
Além disso, ao menos 35 aviões militares cruzaram a linha mediana do Estreito de Taiwan, limite informal que historicamente funciona como zona de separação entre as forças de ambos os lados.
A travessia é vista por Taipei como um gesto de intimidação direta.
Forças chinesas seguem em prontidão para o combate
Mesmo após anunciar o encerramento das operações, o regime chinês informou que suas forças armadas permanecerão em alerta máximo.
Segundo Pequim, o objetivo é fortalecer continuamente a prontidão para o combate, mantendo capacidade de resposta imediata em caso de escalada do conflito.
Esse posicionamento mantém a pressão constante sobre Taiwan, que vê na estratégia chinesa uma tentativa de normalizar a presença militar intensa na região.
Taiwan condena missão militar chinesa
O governo de Taiwan reagiu de forma dura às ações de Pequim.
Para Taipei, a operação batizada pela China de “Missão Justiça 2025” representa uma ameaça direta à segurança regional e uma provocação aberta.
Autoridades taiwanesas destacam que os exercícios militares ampliam riscos de incidentes no Estreito de Taiwan e aumentam a instabilidade no Indo-Pacífico.
Além disso, o governo local reforça que qualquer tentativa de reunificação por meio da força viola princípios internacionais e o direito à autodeterminação da população taiwanesa.
Cenário segue tenso no Estreito de Taiwan
Enquanto isso, analistas observam que o discurso de Xi Jinping, combinado às manobras militares, indica que a questão de Taiwan continuará no centro da estratégia política e militar da China em 2025.
A insistência na reunificação como “inevitável” amplia incertezas e mantém a região sob constante vigilância internacional.
Diante desse contexto, o Estreito de Taiwan segue como um dos principais pontos de tensão geopolítica do mundo, com impactos diretos na segurança regional e no equilíbrio global.
