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China aposta em carros elétricos com tecnologia V2G para transformar veículos em baterias móveis, gerar energia para residências e reforçar a estabilidade da rede elétrica nacional

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Escrito por Hilton Libório Publicado em 24/11/2025 às 09:07
Carro elétrico conectado a uma casa moderna, fornecendo energia através de um cabo, com painéis solares no telhado
China aposta em carros elétricos com tecnologia V2G para transformar veículos em baterias móveis, gerar energia para residências e reforçar a estabilidade da rede elétrica nacional/ Imagem Ilustrativa
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A China avança na sustentabilidade ao testar carros elétricos capazes de devolver energia à rede. A tecnologia V2G transforma veículos em baterias móveis e promete mudar o uso da eletricidade no país

A China anunciou um projeto pioneiro: utilizar sua vasta frota de carros elétricos como baterias móveis, por meio da tecnologia V2G, para injetar energia de volta na rede e abastecer residências. A reportagem original da Xataka Brasil, publicada neste domingo (23), revelou que o governo já instalou 30 estações bidirecionais em nove cidades, como parte de um piloto que poderá se expandir para milhares até 2030.

Projeto-piloto de V2G e baterias móveis com carros elétricos

Essa iniciativa representa uma importante estratégia de sustentabilidade, eficiência energética e reforço da rede elétrica nacional, ao mesmo tempo em que oferece incentivos financeiros para os proprietários de veículos.

O plano, divulgado pelo Rest of World, consiste em usar carros elétricos para armazenar eletricidade quando a demanda é baixa e devolvê-la para a rede nos horários de pico. Atualmente, 30 estações bidirecionais já estão operando em nove cidades chinesas, como parte de um programa experimental.

De acordo com os dados, o governo pretende expandir para 5 000 estações até 2027 e alcançar uma capacidade agregada de 1 bilhão de kW até 2030. Com esse esquema, os veículos não seriam mais apenas meios de transporte, mas também componentes ativos do sistema elétrico: verdadeiras baterias móveis distribuídas.

Incentivos financeiros para os motoristas de carros elétricos

Os proprietários que participarem desse programa podem ganhar dinheiro. Nos testes iniciais, o governo chinês ofereceu até 1.400 yuans por ciclo de carga (cerca de R$ 1.046) para os motoristas que descarregarem energia de volta para a rede nos momentos certos.

Segundo reportagens complementares, alguns donos de veículos já relatam rendimentos mensais na casa de 500 yuans (cerca de R$ 390) ao fornecer energia durante períodos de tarifa elevada. Isso cria um modelo de negócio atrativo para os usuários, que passam a enxergar seu carro também como fonte de geração.

Escala e impacto na rede

A China já lidera mundialmente na mobilidade elétrica, com sua frota de carros elétricos entre as maiores do planeta. Integrar essa frota à rede elétrica com V2G pode gerar um grande impacto:

  • Aumento da resiliência da rede: com os carros atuando como armazenamento distribuído, a rede pode lidar melhor com picos de demanda.
  • Menor dependência de usinas fósseis: a energia armazenada nos veículos pode substituir parte da geração poluente nos momentos críticos.
  • Redução de desperdício: a energia armazenada nos automóveis pode ser otimizada para uso doméstico ou para suportar a carga da rede.

Explicando a tecnologia V2G em carros elétricos

Vehicle-to-Grid (V2G) é a tecnologia que permite o fluxo bidirecional de energia entre a bateria de um carro elétrico e a rede elétrica. Ou seja: o veículo pode tanto receber carga quanto devolver energia para a rede.

Para funcionar, são necessárias estações de recarga bidirecionais e uma rede inteligente que decida quando é mais vantajoso descarregar ou carregar. Além disso, exige um sistema de medição que registre com precisão esses fluxos e determine a remuneração dos donos dos veículos.

Estratégia energética mais ampla

Infraestrutura de recarga

A China investe fortemente em pontos de recarga para veículos elétricos. Segundo dados da Administração Nacional de Energia, até meados de 2025 já havia 13,8 milhões de pontos de carregamento no país — crescimento de 48% em comparação com o ano anterior.

Outro levantamento aponta 16,7 milhões de carregadores até julho de 2025, segundo a InsideEVs. Essa rede robusta facilita a adoção de projetos mais avançados, como o uso de V2G e baterias móveis.

Visão de longo prazo

Com a expansão das estações bidirecionais e o grande número de veículos compatíveis, a China pode se tornar um “eletroestado”, onde os carros eletrificados não são apenas consumidores de energia, mas também parte ativa na geração e armazenamento.

Esse modelo é uma peça-chave para sua estratégia de transição energética, reduzindo emissões e fortalecendo a malha elétrica com participação distribuída.

Iniciativa da China: benefícios para os cidadãos

O programa traz vantagens concretas para os proprietários de veículos:

  1. Ganho financeiro: receber por disponibilizar a bateria para a rede durante os picos.
  2. Uso otimizado da bateria: o veículo se torna um ativo econômico, não apenas para locomoção, mas para a storagem de energia.
  3. Contribuição para a sustentabilidade: ao participar, o motorista ajuda a rede a depender menos de fontes poluentes.
  4. Segurança energética: mais estabilidade e menos risco de sobrecargas ou apagões.

Além disso, há um impacto coletivo: quanto mais carros participarem, maior será a capacidade de armazenamento distribuído disponível para toda a população.

Desafios e barreiras

Apesar do potencial elevado, o projeto enfrenta obstáculos:

  • Vida útil da bateria: descarregar repetidamente pode acelerar o desgaste das baterias, o que levanta preocupações sobre custo e durabilidade para os proprietários.
  • Economia de escala: ainda é preciso ampliar muito o número de estações bidirecionais para suportar a penetração massiva.
  • Regulação: contratos claros, políticas de remuneração e regras de mercado são fundamentais para tornar o modelo sustentável.
  • Adoção pelos usuários: muitos motoristas podem hesitar em participar por medo de reduzir a vida útil do veículo ou por falta de confiança no sistema.

Especialistas também apontam que encontrar um modelo de negócio viável para esse sistema (sem subsídios excessivos) é crucial para seu sucesso a longo prazo.

Investimento em sustentabilidade: relevância global e futura

O projeto da China não é isolado. Universidades e centros de pesquisa estudam estratégias similares para integrar V2G em outras redes no mundo. Por exemplo, plataformas de simulação já permitem modelar o impacto de V2G no tráfego urbano e nas redes elétricas.

Também há estudos que analisam como planejar redes de distribuição ativas com estações V2G e suporte de potência reativa para maior eficiência. Se bem-sucedido, o modelo chinês pode servir como referência para outras nações que buscam aliar mobilidade elétrica à resiliência energética e à sustentabilidade.

A iniciativa de transformar veículos em baterias móveis, por meio de tecnologia V2G, representa uma virada no conceito de mobilidade. O carro deixa de ser apenas um meio de transporte e passa a ser um ativo energético.

Isso reforça a visão de que a transição energética não é apenas sobre substituir motores a combustão por motores elétricos, mas sobre repensar como usamos e geramos energia. A China, com seu projeto ambicioso e infraestrutura em expansão, está posicionada para liderar essa nova era — e seu experimento pode inspirar outras regiões a adotar soluções semelhantes.

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Hilton Libório

Hilton Fonseca Liborio é redator, com experiência em produção de conteúdo digital e habilidade em SEO. Atua na criação de textos otimizados para diferentes públicos e plataformas, buscando unir qualidade, relevância e resultados. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras, Energias Renováveis, Mineração e outros temas.

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