A chegada das águas do Velho Chico ao território potiguar representa mais do que uma obra de infraestrutura hídrica: simboliza décadas de luta contra a seca, desenvolvimento regional e um novo horizonte para milhares de famílias do semiárido
A chegada das águas da transposição do Rio São Francisco ao Rio Grande do Norte marca um momento histórico para a segurança hídrica do Nordeste. Além disso, representa décadas de investimentos em infraestrutura e planejamento. Mais do que uma grande obra de engenharia, o avanço das águas pelo Ramal do Apodi simboliza desenvolvimento, cidadania e justiça social para milhares de famílias do semiárido.
A informação foi divulgada pelo Brasil 247, em artigo publicado em julho de 2026 e assinado pela governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra. No texto, a gestora relembra sua infância marcada pela seca. Ao mesmo tempo, destaca a importância histórica da chegada das águas do Velho Chico ao território potiguar.
Memórias da seca ajudam a explicar a importância da transposição
Ao recordar a infância em Nova Palmeira, no Seridó paraibano, Fátima Bezerra descreve uma realidade vivida por milhões de nordestinos durante décadas.
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Segundo ela, a seca nunca foi apenas um fenômeno climático. Na prática, significava açudes vazios. Também provocava escassez de alimentos. Além disso, destruía lavouras, causava a morte de animais e aumentava diariamente a preocupação com o abastecimento de água.
A governadora afirma que viveu essa realidade desde criança. Por isso, considera a chegada das águas da transposição um dos momentos mais emocionantes de sua trajetória pública.
Segundo o relato, acompanhar a água atravessando o Túnel Major Sales e chegando ao Ramal do Apodi representa muito mais do que assistir à conclusão de uma grande obra de engenharia. Na avaliação da gestora, esse momento simboliza a reparação de uma dívida histórica com o povo nordestino.
Além disso, ela afirma que o projeto demonstra como investimentos públicos podem transformar a realidade de regiões historicamente castigadas pela estiagem.
Projeto fortalece a segurança hídrica do Nordeste
Durante décadas, grande parte da população do semiárido precisou conviver com longos períodos de seca. Ainda assim, milhares de famílias resistiram. Entretanto, conforme destaca Fátima Bezerra, nunca foi aceitável considerar a fome, a sede e a pobreza como consequências inevitáveis do clima.
Segundo ela, o maior desafio sempre esteve relacionado às desigualdades sociais agravadas pela escassez de água. Por esse motivo, investimentos em infraestrutura hídrica passaram a ser considerados fundamentais para promover desenvolvimento econômico, inclusão social e qualidade de vida.
Nesse contexto, o Projeto de Integração do Rio São Francisco tornou-se uma das maiores iniciativas de segurança hídrica da história do Brasil.
A obra exigiu grandes investimentos. Além disso, demandou soluções de engenharia complexas e planejamento de longo prazo. Da mesma forma, enfrentou disputas judiciais, debates políticos e campanhas de desinformação ao longo de sua execução.
Mesmo diante desses desafios, o projeto avançou. Como resultado, começou a transformar gradualmente a realidade de milhares de municípios nordestinos.
Segundo Fátima Bezerra, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva tomou a decisão política de tirar a obra do papel porque compreendia a importância da água para o desenvolvimento do semiárido.
Ainda conforme a governadora, Lula conhecia essa realidade de perto. Afinal, também viveu a infância no Nordeste, em Caetés, Pernambuco.
Por isso, ela afirma que a transposição nunca significou apenas construir canais, túneis e barragens. Pelo contrário, sempre representou a garantia de um direito básico. Além disso, simbolizou a possibilidade de milhares de famílias permanecerem em suas terras, produzirem alimentos e construírem um futuro com mais dignidade.
Obras avançaram e consolidaram um projeto histórico
Fátima Bezerra relembra que acompanhou o Projeto de Integração do Rio São Francisco desde o início das obras, em 2007, quando exercia o mandato de deputada federal.
Segundo ela, os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff executaram mais de 90% das obras. No entanto, o projeto não foi totalmente concluído nos anos seguintes. Como consequência, milhares de famílias continuaram aguardando o acesso definitivo à água.
Posteriormente, entre 2015 e 2016, quando presidiu a Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo do Senado Federal, Fátima afirma que colocou a segurança hídrica do Nordeste entre as prioridades da agenda nacional.
Naquele período, a Caravana das Águas percorreu diversos estados nordestinos. Além disso, reuniu parlamentares, universidades, pesquisadores, agricultores, movimentos populares, gestores públicos e representantes do setor produtivo.
Segundo a governadora, a iniciativa reforçou uma mensagem considerada essencial: água não pode ser privilégio. Água é um direito de todos.
Novo PAC acelerou a chegada das águas ao Rio Grande do Norte
De acordo com Fátima Bezerra, a retomada das obras ganhou novo impulso com o retorno de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República, em 2023.
Durante a definição das prioridades do Novo PAC, a governadora afirma que colocou a conclusão da infraestrutura hídrica como a principal demanda do Rio Grande do Norte.
Segundo ela, essa decisão refletia um compromisso pessoal, ético e político com as famílias que vivem no semiárido.
Com isso, as obras do Ramal do Apodi avançaram. Em seguida, o Túnel Major Sales foi concluído. Dessa forma, as águas finalmente cruzaram a divisa entre a Paraíba e o Rio Grande do Norte.
Outro marco citado pela governadora foi a inauguração da Barragem de Oiticica, realizada ao lado do presidente Lula em março de 2025.
Inicialmente, as águas fortaleceram a bacia do Piranhas-Açu. Posteriormente, alcançaram a bacia Apodi-Mossoró por meio do Ramal do Apodi.
Segundo Fátima Bezerra, esse avanço completou um ciclo histórico. Pela primeira vez, o Projeto de Integração do Rio São Francisco passou a beneficiar todas as regiões do Rio Grande do Norte.
Água impulsiona desenvolvimento, agricultura e qualidade de vida
Na avaliação da governadora, os benefícios da obra vão muito além do abastecimento humano.
Segundo ela, a segurança hídrica amplia a produção agrícola. Além disso, fortalece a agricultura familiar. Também impulsiona a economia regional, atrai novos investimentos e melhora a qualidade de vida das futuras gerações.
Da mesma forma, a disponibilidade permanente de água favorece o desenvolvimento sustentável do semiárido e reduz os impactos provocados pelos longos períodos de estiagem.
Ao longo do artigo, Fátima Bezerra associa repetidamente a chegada das águas a valores como saúde, cidadania, liberdade e dignidade.
Ela também relembra momentos marcantes da infância. Entre eles, a lembrança de dividir a comida com os irmãos durante períodos de escassez. Segundo a governadora, essa experiência explica a emoção de acompanhar a chegada do Velho Chico ao estado.
Além disso, ela afirma que, ao observar os canais da transposição, não enxerga apenas concreto e estruturas de engenharia.
Na sua visão, cada trecho da obra representa agricultores produzindo alimentos, famílias permanecendo no campo, crianças crescendo com mais oportunidades e comunidades construindo um futuro mais seguro.
Para Fátima Bezerra, a transposição do Rio São Francisco representa muito mais do que uma grande obra de infraestrutura. Acima de tudo, simboliza esperança, desenvolvimento regional, segurança hídrica e justiça social.
Segundo a governadora, depois de séculos convivendo com a escassez, o semiárido passa a escrever um novo capítulo de sua história. Dessa vez, a água chega como instrumento permanente de transformação social, crescimento econômico e melhoria da qualidade de vida para milhões de nordestinos.
Na sua opinião, quais outras obras estruturantes deveriam receber prioridade para transformar a vida das populações do semiárido brasileiro?
