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A bateria que promete mudar celulares e carros elétricos ainda tem um inimigo microscópico: pesquisadores descobrem como dendritos de lítio perfuram o eletrólito sólido e já testam formas de evitar rachaduras e curtos-circuitos

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 10/07/2026 às 16:42 Atualizado em 10/07/2026 às 16:48
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Pesquisadores do Instituto Max Planck identificaram como a pressão interna dos dendritos de lítio rompe o eletrólito cerâmico das baterias de estado sólido, um avanço que pode ajudar no desenvolvimento de modelos mais seguros, duráveis e capazes de armazenar mais energia.

As baterias de estado sólido são apontadas como uma das tecnologias mais promissoras para ampliar a autonomia de smartphones, veículos elétricos e outros dispositivos. Porém, um problema microscópico ainda impede que esse avanço chegue plenamente ao mercado: o crescimento de dendritos de lítio.

Essas estruturas semelhantes a pequenas árvores surgem durante o carregamento, avançam pelo eletrólito sólido e podem provocar curtos-circuitos internos. Agora, pesquisadores do Instituto Max Planck para Materiais Sustentáveis identificaram como esse processo causa fraturas capazes de levar a bateria à falha.

Baterias de estado sólido enfrentam um obstáculo microscópico

Diferentemente das baterias convencionais de íon-lítio, que usam eletrólito líquido entre dois eletrodos sólidos, esse modelo substitui o líquido por um material sólido. A mudança pode aumentar a densidade de energia, melhorar a segurança e prolongar a vida útil.

A expectativa é que a tecnologia permita smartphones funcionando por vários dias com uma única carga. Nos veículos elétricos, a autonomia poderá chegar a até três vezes a registrada por muitos modelos atuais.

O desafio está no comportamento dos dendritos. Embora sejam formados por lítio metálico macio, eles conseguem atravessar eletrólitos cerâmicos rígidos, criando rachaduras e abrindo caminho para falhas internas.

Estudo revela como o lítio rompe a cerâmica

A equipe investigou duas explicações. Uma delas previa o acúmulo de tensão dentro dos dendritos. A outra apontava vazamento de elétrons pelos contornos de grão do eletrólito, favorecendo núcleos de lítio interligados.

Para testar essas hipóteses, os pesquisadores prepararam e analisaram amostras sob vácuo e em temperaturas criogênicas. O objetivo foi evitar interferências de oxigênio, água e até dos feixes de elétrons usados nos microscópios.

A análise das tensões internas e da deformação plástica mostrou que não havia acúmulo de lítio na ponta do dendrito. Com isso, um dos mecanismos considerados foi descartado.

Os resultados indicaram que a tensão hidrostática dentro do dendrito provoca, por fim, a fratura frágil do eletrólito sólido. O fenômeno foi comparado a um jato contínuo de água capaz de penetrar uma rocha.

Pesquisadores estudam formas de evitar as falhas

As conclusões também foram confirmadas por simulações de campo de fase e medições de difração de retroespalhamento de elétrons.

Agora, a equipe avalia estratégias para retardar ou impedir o dano. Entre elas estão eletrólitos mais resistentes, vazios microscópicos que desviem os dendritos e revestimentos protetores capazes de reduzir sua formação nos eletrodos de lítio.

O estudo foi publicado na revista Nature e reúne uma equipe interdisciplinar.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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