Estudo internacional publicado em 12 de março de 2026 mostra que veredas concentram até 1.200 toneladas de carbono por hectare e expõem um potencial ambiental até então subestimado
Uma descoberta científica de grande impacto ambiental colocou o Cerrado no centro do debate climático global ao revelar um potencial ignorado por estudos anteriores. A pesquisa mostra que áreas úmidas do bioma armazenam volumes de carbono muito acima do esperado, o que reposiciona o Cerrado como peça-chave nas discussões sobre mudanças climáticas.
Segundo o estudo publicado na revista New Phytologist, veredas concentram cerca de 1.200 toneladas métricas de carbono por hectare, valor que pode ser até seis vezes superior à média registrada na Amazônia. Esse dado reforça a relevância do bioma como um dos maiores reservatórios naturais de carbono do planeta e amplia seu protagonismo no cenário ambiental global.
Pesquisa revela carbono profundo preservado por milênios
A cientista Larissa Verona liderou a pesquisa, com participação da Unicamp, UFMG e Instituto Max Planck, e conduziu análises do solo em profundidades de até quatro metros. Estudos anteriores analisavam apenas camadas superficiais, o que levava pesquisadores a subestimar o estoque total de carbono em até 95%.
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A equipe identificou, por meio de datação por radiocarbono, que parte do carbono permanece preservada há mais de 20 mil anos. Esse material registra transformações climáticas antigas e amplia a importância científica do Cerrado.

Condições naturais explicam alta capacidade de armazenamento
As características naturais das áreas úmidas explicam a alta capacidade de armazenamento. A saturação de água reduz a presença de oxigênio no solo e desacelera a decomposição da matéria orgânica, o que mantém o carbono retido por longos períodos.
Esse processo transforma essas regiões em sumidouros naturais de carbono e fortalece o papel do Cerrado na regulação climática global.
Risco ambiental pode transformar áreas em emissoras de carbono
Especialistas alertam que a expansão agrícola e a drenagem do solo colocam essas áreas em risco. Quando ocorre o ressecamento, o carbono acumulado entra em decomposição acelerada e libera gases como dióxido de carbono e metano na atmosfera.
O professor Rafael Oliveira, da Unicamp, afirma que esses ambientes podem se transformar em “bombas de carbono”, capazes de comprometer esforços globais de contenção do aquecimento climático.
Cerrado sofre pressão e é tratado como bioma de sacrifício
Especialistas classificam o Cerrado como um “bioma de sacrifício”, já que a conversão para produção de commodities avança rapidamente. Ao mesmo tempo, políticas públicas concentram maior atenção na preservação da Amazônia, o que amplia a pressão sobre o bioma.
Esse cenário evidencia um desequilíbrio na proteção ambiental e reforça a necessidade de ampliar o foco sobre o Cerrado.
Importância ambiental reforça necessidade de proteção urgente
O Cerrado ocupa cerca de 26% do território brasileiro e abriga nascentes de duas das três maiores bacias hidrográficas do país. O bioma também se destaca como a savana mais biodiversa do mundo, o que amplia sua relevância ambiental.
Estimativas indicam que até metade das áreas úmidas já sofreu algum nível de degradação, o que aumenta o risco de perda desse potencial climático. Pesquisadores defendem maior rigor na aplicação da legislação ambiental para preservar essas áreas estratégicas.
Diante desse cenário, a preservação das áreas úmidas do Cerrado será tratada como prioridade nas decisões ambientais do país?

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