Movimento da Ford ocorre após a BYD ultrapassar 4,6 milhões de veículos vendidos em 2025, contra 4,4 milhões da montadora americana, enquanto a China registra quase 3 milhões de emplacamentos no último trimestre e amplia a pressão competitiva sobre o mercado dos Estados Unidos
A Ford entrou no centro das tensões comerciais ao propor ao governo Trump autorização para usar tecnologia da BYD em seus veículos elétricos, diante do avanço chinês que alcançou quase 3 milhões de emplacamentos no último trimestre de 2025 e 4,6 milhões de unidades globais.
O CEO da Ford, Jim Farley, defendeu a possibilidade de permitir que fabricantes americanos estabeleçam parcerias com marcas chinesas para produzir veículos em solo americano. A proposta surge em meio a tensões diplomáticas e comerciais que impactam o setor automotivo.
Segundo o plano apresentado, a colaboração buscaria contornar as barreiras impostas por tarifas e preocupações de segurança que hoje limitam a atuação das empresas chinesas nos Estados Unidos. A Ford pretende acessar tecnologia considerada líder no mercado global de veículos elétricos.
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O objetivo declarado é oferecer carros elétricos mais acessíveis e avançados, preservando a soberania industrial, criando empregos locais e compartilhando lucros com parceiros estrangeiros por meio de estruturas conjuntas.
Ford e o dilema da competitividade diante da China
A Ford avalia que a colaboração pode ser o caminho mais rápido para enfrentar a expansão chinesa. A China consolidou-se como o maior mercado de veículos elétricos do mundo, com quase 3 milhões de emplacamentos somente no último trimestre de 2025.
Esse volume impulsionou as vendas globais para mais de 4 milhões de unidades pela primeira vez na história. Diante desse cenário, executivos da Ford entendem que manter-se isolada pode ampliar a defasagem competitiva.
A proposta envolve a criação de joint ventures nas quais tecnologia e lucros seriam compartilhados. O modelo permitiria que marcas chinesas produzissem e comercializassem veículos nos Estados Unidos, desde que cumprissem a exigência de contratar trabalhadores locais.
A condição foi sugerida recentemente por Trump no Detroit Economic Club. A medida buscaria alinhar interesses industriais e políticos, mantendo a produção em território americano.
Ford perde posição enquanto BYD supera 4,6 milhões de unidades
O ano de 2025 marcou um ponto de inflexão para a Ford. Pela primeira vez, a BYD vendeu mais veículos no mundo do que a montadora americana.
A empresa chinesa ultrapassou 4,6 milhões de unidades, incluindo crossovers elétricos e híbridos. No mesmo período, a Ford registrou 4,4 milhões de unidades vendidas globalmente.
A diferença de 200 mil veículos evidencia a perda de participação de mercado e pressiona a liderança da Ford a buscar alternativas fora de seus mercados tradicionais.
Jim Farley já manteve conversas com o Secretário de Transportes, Sean Duff, e com o Administrador da EPA, Lee Zeldin. O argumento central é que, sem abertura para cooperação, a economia dos EUA pode ficar atrás de uma “cortina de ferro” comercial.
Alianças com BYD, Geely e produção de baterias LFP em Michigan
Os movimentos da Ford incluem negociações com a BYD e a Geely. Com a BYD, o foco está na compra de baterias para veículos híbridos fora dos Estados Unidos.
No caso da Geely, a parceria poderia envolver a transferência de fábricas subutilizadas na Europa para produção conjunta e compartilhamento de desenvolvimentos tecnológicos.
Paralelamente, a Ford iniciará ainda este ano a produção de baterias de fosfato de ferro-lítio em Michigan. A tecnologia é licenciada da CATL e será aplicada na futura plataforma de Veículo Elétrico Universal.
Essa plataforma servirá de base para uma nova picape elétrica prevista para 2027. As baterias LFP são consideradas essenciais para viabilizar custos mais baixos na nova geração de modelos.
Meta de US$ 30.000 e pressão sobre o mercado
A Ford estima que sua futura picape elétrica de porte médio poderá chegar ao mercado por cerca de US$ 30.000, aproximadamente € 28.000.
Esse posicionamento colocaria o modelo em patamar competitivo, inclusive abaixo do custo de propriedade de um Tesla Model Y, segundo estimativas apresentadas pela própria empresa.
O preço é visto como fator central para ampliar o acesso aos veículos elétricos e recuperar espaço perdido nos últimos anos.
Entretanto, há resistência no setor. A General Motors manifestou oposição à entrada de marcas chinesas, alegando risco de destruição da cadeia de suprimentos norte-americana e perdas irreparáveis de participação de mercado.
Decisão depende de Washington e encontro entre Trump e Xi Jinping
Apesar da articulação da Ford, o cenário político permanece incerto. Trump sinalizou abertura condicionada à fabricação em solo americano, mas especialistas em segurança nacional mantêm alertas sobre riscos de espionagem e dependência tecnológica.
O próximo encontro entre Donald Trump e Xi Jinping é apontado como decisivo para definir os rumos da política comercial entre os dois países.
A discussão ocorre em um contexto internacional no qual o Canadá reduziu tarifas sobre veículos chineses de 100% para 6,1%, buscando incentivar a mobilidade elétrica acessível.
Para a Ford, a decisão poderá redefinir sua estratégia industrial e comercial nos próximos anos. A montadora aposta que a cooperação pode evitar um cenário de estagnação e preservar sua relevancia global diante da rápida transformação do mercado elétrico.
