Estratégia financeira e geopolítica do Catar transforma o PSG em ativo central de soft power, usando receitas do petróleo e do gás para ampliar influência internacional, visibilidade política e reposicionamento de imagem global ao longo da última década
O Flamengo enfrenta o PSG nesta quarta-feira (17), às 14h de Brasília, no estádio Ahmad bin Ali, em Al Rayyan, no Qatar, na decisão da Copa Intercontinental. O time francês é sinônimo de riqueza e o uso do petróleo como forma de demonstrar poder.
Estrutura do PSG e controle estatal
O Paris Saint-Germain é controlado desde meados de 2011 pela Qatar Sports Investments, empresa ligada ao Qatar Investment Authority, o fundo soberano do Qatar, país do Oriente Médio com grandes reservas de petróleo e gás natural.
Na prática, o controle do PSG está diretamente associado ao Estado do Qatar, tendo no topo do organograma o sheik Tamim bin Hamad Al Thani, de 45 anos, emir, monarca e chefe de Estado da pequena nação asiática.
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Tamim é o quarto filho de Hamad bin Khalifa Al Thani, que governou o Qatar entre 1995 e 2013, período em que o país consolidou sua influência econômica baseada na exploração de hidrocarbonetos.
Ascensão de Tamim ao poder
O atual emir tornou-se herdeiro do trono após a renúncia, em 2003, de seu irmão mais velho, o sheik Jassim bin Hamad Al Thani, que abriu mão do direito sucessório por falta de interesse em exercer funções políticas.
A partir dessa decisão, Hamad bin Khalifa dedicou cerca de uma década à preparação de Tamim, culminando na abdicação em 2013 e na transferência formal do comando do Estado ao filho.
Com a ascensão ao trono, Tamim assumiu também o controle de diversos ativos estratégicos, entre eles o Paris Saint-Germain, que passou a funcionar como vitrine esportiva internacional do Qatar.
Formação e perfil do emir
Antes de assumir o poder, Tamim bin Hamad Al Thani construiu carreira acadêmica no Reino Unido, formando-se na Real Academia Militar de Sandhurst, tradicional instituição britânica de formação de oficiais.
Após a graduação, integrou as Forças Armadas do Qatar, alcançando alta patente, experiência que passou a compor seu perfil institucional como líder político e militar do país.
Apaixonado por esportes, Tamim idealizou a criação da Qatar Sports Investments, empresa que posteriormente adquiriu o PSG e ampliou a presença qatari no futebol europeu.
Participações em clubes europeus
Além do Paris Saint-Germain, a QSI detém 29,6% do Braga, de Portugal, e a maioria acionária do Málaga, da Espanha, consolidando um portfólio diversificado no futebol internacional.
Apesar de ser o proprietário final desses clubes, Tamim opta por delegar a gestão cotidiana, evitando participação direta nas decisões esportivas e administrativas do dia a dia.
No PSG, a presidência é exercida por Nasser Al Khelaifi, braço direito do emir e também CEO da Qatar Sports Investments, responsável pela condução do clube francês.
Gestão descentralizada e eventos globais
No Málaga, o comando está nas mãos de Abdullah bin Nasser Al Thani, parente de Tamim e integrante da família real, mantendo o controle dentro do mesmo núcleo familiar.
Além do futebol, o emir integrou comitês organizadores que levaram ao Qatar grandes eventos esportivos, como Jogos Asiáticos, Mundiais de natação e handebol e, mais recentemente, a Copa do Mundo de 2022.
Tamim também é presença frequente em arenas esportivas internacionais, sendo visto nos últimos meses em jogos do PSG no Parque dos Príncipes e em partidas de Roland Garros, em Paris.
Fortuna e principais ativos
A dimensão exata da fortuna do sheik é considerada difícil de mensurar, uma vez que sua família controla há décadas um Estado com vastas reservas energéticas e investimentos diversificados.
Segundo a Bloomberg, a fortuna estimada da família Al Thani é de US$ 355 bilhões, o equivalente a aproximadamente R$ 1,974 trilhão, distribuídos entre ativos públicos e privados.
A riqueza pessoal de Tamim bin Hamad Al Thani é avaliada em US$ 2 bilhões, cerca de R$ 11,12 bilhões, conforme cálculos do mesmo veículo, valor significativamente menor que o patrimônio familiar.
Entre seus bens mais conhecidos está um iate avaliado em US$ 400 milhões, equipado com pista para pouso de helicóptero, além de uma galeria de arte com obras de Paul Cezanne e Andy Waorhol.
Completam esse conjunto patrimonial uma ampla coleção de carros de luxo e o controle indireto da Qatar Airways, uma das maiores companhias aéreas do mundo, também pertencente à família real do Qatar.

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