Após diagnóstico de depressão e burnout, Mauro e Fabiana antecipam projeto de vida, atravessam dez países e descobrem novos sentidos para viver
A vida de Mauro e Fabiana Koch parecia seguir um roteiro tranquilo. Empresa consolidada, filhos adultos bem encaminhados e uma rotina que, aos olhos de muitos, soava como sinônimo de estabilidade. Eles próprios descreviam esse momento como “toda encaminhada”. Ainda assim, foi justamente nesse cenário que o casal catarinense descobriu que a depressão pode se instalar de forma silenciosa, mesmo quando tudo parece estar no lugar.
Moradores de Jaraguá do Sul, no Norte de Santa Catarina, eles receberam em 2024 o diagnóstico da doença, acompanhado de episódios de burnout.
O impacto foi profundo, mas também se tornou o ponto de partida para uma decisão que mudaria completamente suas vidas: antecipar um projeto que estava planejado apenas para os 60 anos e iniciar uma jornada de um ano por dez países, em busca de cura, reconexão e novos sentidos para existir.
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Quando o corpo começa a dar sinais
O primeiro a apresentar mudanças foi Mauro. Ativo, esportista e apaixonado por atividades como surf e vela, ele começou a demonstrar um cansaço que não combinava com sua essência.
Segundo Fabiana, houve um momento em que o marido simplesmente já não tinha vontade de sair da cama.
Preocupada, ela sugeriu que Mauro buscasse ajuda médica. Pouco tempo depois, percebeu que os mesmos sinais começavam a aparecer nela.
Com acompanhamento profissional, ambos receberam o diagnóstico de depressão. No caso de Fabiana, o quadro estava associado ao burnout e agravado pela menopausa.
O tratamento foi iniciado, mas o casal sentiu que precisava ir além dos protocolos tradicionais. A ideia não era abandonar a medicina, mas somar novas experiências que pudessem ajudar no processo de recuperação emocional.
Um projeto de vida antecipado por conta da depressão
Em dezembro de 2024, Mauro e Fabiana venderam a maior parte dos seus bens, avisaram os clientes que os atendimentos passariam a ser on-line e partiram sem data definida para voltar.
A viagem começou pela América do Norte, com uma longa temporada no Canadá.
Lá, enfrentaram temperaturas de até -30 °C e perceberam mudanças curiosas no próprio corpo. Mauro conta que, se no Brasil costumavam dormir cerca de 7 horas por noite, no Canadá passaram a dormir em média 10 horas por dia, algo que nunca acontecia antes.
Mas uma das experiências mais marcantes da jornada foi o Caminho de Santiago de Compostela. O casal percorreu quase 800 quilômetros a pé em 31 dias.
Para Fabiana, é difícil traduzir em palavras tudo o que se sente durante o trajeto. Cada pessoa cria suas próprias conexões, seus próprios significados.
Eles caminhavam juntos, mas vivenciavam aprendizados diferentes. No percurso, fizeram amizades e perceberam que cada um enxergava coisas que o outro não via.
Fabiana lembra também dos desafios físicos, como o inchaço nos pés a ponto de não conseguir ver a saliência do osso.
Viver como morador, não como turista
Depois do Caminho, Mauro e Fabiana seguiram para países como Grécia e Indonésia. Em Bali, passaram três meses buscando viver como moradores locais, longe do turismo tradicional.
A proposta, segundo Mauro, era aprender de verdade com as culturas, com as pessoas e com o caminho.
A jornada incluiu ainda reencontros com amigos em países como Alemanha, Bélgica e Estados Unidos, fortalecendo vínculos que ganharam novos significados.
Após um ano fora, o casal decidiu retornar ao Brasil no fim de 2025. Hoje, dividem a vida entre Jaraguá do Sul e Barra Velha, no Litoral Norte catarinense, onde optaram por simplificar a rotina e morar perto do mar.
A empresa de mentoria e consultoria empresarial segue ativa, com atendimentos presenciais e on-line.
Além disso, os aprendizados da viagem passaram a ser compartilhados em palestras e em um canal no YouTube.
O verdadeiro legado da jornada motivada pela depressão
Para Mauro e Fabiana, o maior legado não é a lista de países visitados, mas a clareza sobre como desejam viver daqui para frente.
Eles acreditam que o autoconhecimento não exige, necessariamente, que alguém largue tudo e saia pelo mundo.
Segundo o casal, cada pessoa pode viver melhor se prestar mais atenção em si mesma e na própria rotina. Por isso, incentivam a prática de pequenos “pitstops” antes que o corpo e a mente cobrem um preço alto demais.
Durante o período fora, perdas pessoais reforçaram essa urgência. Amigos que tinham planos e vontades, mas que não se permitiram viver, acabaram partindo antes de realizá-los.
Para Mauro e Fabiana, essa consciência mudou tudo. Viver com mais propósito e presença passou a ser entendido como a maior riqueza que alguém pode construir ao longo da vida.
As informações sobre a história do casal foram divulgadas pelo ND Mais, citado nos créditos da imagem que acompanha o relato.
Como detalhes complementares, Mauro e Fabiana seguem utilizando suas próprias experiências como ferramenta de inspiração, mostrando que, às vezes, mudar o rumo não é desistir de tudo, mas escolher continuar vivendo de um jeito mais atento e verdadeiro.
Com informações de ND Mais.

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