Sem projeto no papel e contando apenas com a força um do outro, Paulo e Nati, do Paraná, levaram a construção da própria casa até o fim morando em plena chácara. A obra ainda não terminou, mas já carrega histórias de fé, cansaço e recomeço que o casal compartilhou em um tour em vídeo no canal Simplicidade na Roça.
Foi debaixo de uma garoa fina que Paulo e Nati decidiram abrir as portas e mostrar pela primeira vez, em vídeo publicado em 29 de maio de 2026 no canal Simplicidade na Roça, cada canto da casa que ergueram sozinhos em uma chácara de cinco mil metros quadrados no Paraná. O passeio pelos ambientes revelou muito mais do que paredes e pisos: revelou um modo de viver construído na base da paciência e do trabalho.
Apesar dos mais de cem metros quadrados de área construída, o casal faz questão de frisar que tudo nasceu da simplicidade, e não do luxo. Cada parede levantada na chácara representa um pedaço de um sonho antigo que finalmente saiu da imaginação e ganhou forma.
Uma planta que existia apenas na cabeça dos dois

O ponto que mais chama atenção em toda a história é a ausência de um projeto formal. Não houve planta entregue por um arquiteto, nem cálculos prontos em mãos. Toda a divisão dos cômodos, a posição dos banheiros e até a localização da escada foram pensadas pelos próprios moradores, que desenharam mentalmente como a casa deveria ficar.
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Esse improviso planejado se repetiu em decisões importantes. O banheiro do andar de baixo, por exemplo, foi posicionado em um ponto estratégico justamente porque havia outro banheiro previsto no pavimento superior. A escolha, segundo Paulo e Nati, deu certo e encaixou bem dentro da estrutura, mostrando que a intuição funcionou onde o papel não esteve presente.
A varanda, o cimento queimado e a lareira que virou charme

Logo na entrada, a varanda foi planejada em um estilo específico para permitir a construção do segundo andar, um desejo antigo do casal. O piso de cimento queimado foi a escolha provisória que acabou facilitando a limpeza durante a obra, antes da futura aplicação da cerâmica. O resultado agradou tanto que eles consideram o acabamento atual bonito por si só.
A lareira foi outra aposta arriscada que deu certo. Muitos seguidores chegaram a alertar que o tijolo da lareira poderia rachar por causa do calor, mas o casal explicou que o mesmo material já é usado no fogão da propriedade sem apresentar problemas. A peça, que eles temiam que ficasse feia, acabou se tornando um dos charmes da frente da casa, ainda à espera de revestimento e decoração.
A mesa feita após o expediente e a parceria que emocionou

Dentro da sala espaçosa, um móvel carrega um peso afetivo enorme. A mesa foi construída aos poucos, sempre depois do trabalho, mesmo com o cansaço acumulado. Para o casal, ela representa não apenas um objeto funcional, mas um registro físico de noites de esforço dedicadas a fazer tudo com as próprias mãos.
A emoção aumentou quando a loja de decoração Paixone Decore entrou em contato propondo uma parceria e enviou cadeiras que combinaram com o ambiente. Para Paulo e Nati, profundamente religiosos, esse detalhe foi interpretado como um sinal de cuidado divino. A chegada das peças, segundo o casal, completou a mesa que parecia destinada a ficar inacabada por muito tempo.
Cozinha, lavanderia e a despensa que era um sonho antigo
A cozinha ainda guarda soluções temporárias. A pia atual é provisória, e o casal pretende construir uma versão completa, incluindo a cuba, já que o modelo desejado tem preço elevado no mercado. A ideia é que o próprio morador execute o trabalho, mantendo a lógica de produzir em casa aquilo que seria caro comprar pronto.
Ao lado da cozinha ficam a lavanderia, um corredor, o banheiro e o quarto de visitas, ainda sem acabamento. Um dos espaços mais celebrados é a despensa, um desejo que nasceu depois de uma visita à casa de um amigo. Hoje organizada, ela ainda aguarda apenas detalhes como uma cortina, que será feita com um tecido ganhado de presente.
A escada, o desafio que parecia impossível
Subir para o segundo andar exigiu enfrentar aquilo que o casal classifica como uma das tarefas mais difíceis de toda a obra. Construir uma escada em espaço apertado, sem experiência prévia, era um risco real. Eles sabiam que essa etapa colocaria à prova toda a confiança depositada no projeto mental que carregavam.
O resultado, no entanto, superou as expectativas. A estrutura ficou firme e dentro do estilo que imaginavam, garantindo o acesso à parte superior da residência. Para os moradores, vencer esse obstáculo reforçou a sensação de que eram capazes de realizar muito mais do que acreditavam quando começaram.
O andar de cima ainda pela metade e o quarto que espera por filhos
No pavimento superior, quase tudo está inacabado. Há aberturas que ainda virarão janelas e portas, além de instalações elétricas pendentes. Uma das aberturas dará vista para o terreno, e parte da construção dos fundos está parada porque a madeira encomendada ainda precisa secar na serraria antes de ser entregue.
Entre os espaços já delimitados está o quarto pensado para os filhos. O casal contou, com naturalidade, que ainda não tem crianças e que pretende passar por tratamento para realizar esse desejo. O acesso ao banheiro foi planejado de forma a permitir uso compartilhado no futuro, um detalhe que mostra como o sonho da família esteve presente desde o primeiro traço.
A varanda superior, o lago e a vista que sempre quiseram
No alto da casa, a varanda do segundo andar entrega o cenário que motivou boa parte do projeto. De lá é possível enxergar a chácara inteira, com mata e um lago à frente. O casal faz questão de esclarecer que se trata de um lago, e não de um rio, descartando qualquer risco de enchente que pudesse ameaçar a estrutura.
Antes de finalizar janelas e pintura desse pavimento, porém, eles decidiram priorizar a instalação de um corrimão. A justificativa é a segurança, já que circulam pelo espaço o tempo todo e temem distrações que possam causar acidentes. A madeira já chegou, e essa será uma das próximas etapas registradas no canal.
Mais de um ano sem descanso e uma rotina de pura dedicação
A construção consumiu mais de um ano de trabalho ininterrupto. Não houve feriados nem fins de semana de folga durante esse período, e os raros momentos de descanso aconteciam apenas em visitas aos pais, ocasiões em que, mesmo assim, costumavam acabar ajudando em alguma tarefa. O cansaço foi grande, mas o casal afirma que repetiria tudo de novo.
A ajuda externa foi mínima. A única colaboração veio da irmã de Nati, que esteve presente para auxiliar no serviço pesado de aterro. Todo o restante, segundo o casal, foi feito a dois, partindo do zero em um terreno que não tinha absolutamente nada quando os trabalhos começaram.
Os próximos passos e os detalhes que ainda faltam
A lista de pendências segue extensa. O casal planeja construir uma cozinha externa dedicada ao fogão a lenha, com forno e churrasqueira, criando um ambiente aconchegante e separado da área principal. A ideia de manter o fogão a lenha em um cômodo próprio explica, inclusive, por que a peça não foi instalada dentro da casa.
Há ainda um projeto para aquecer a água por meio do mesmo fogão a lenha, levando o aquecimento ao chuveiro e à pia da cozinha. A propriedade também precisa ser totalmente cercada com tela, já que hoje conta apenas com arame. Entre os desejos está a construção de uma porteira e a colocação de uma placa com o nome do espaço, batizado de “Recanto Feliz”, executados conforme o material chegar.
A aranha de estimação que ganhou nome
Em meio à seriedade da obra, um detalhe curioso diverte quem acompanha o conteúdo. O casal mantém aranhas pela casa e trata uma delas como bicho de estimação, garantindo que não se trata de exemplares perigosos. Os animais costumam ficar escondidos atrás da madeira e só aparecem à noite, sem oferecer risco a ninguém.
A história rendeu até momentos de confusão com visitantes. Um dos familiares chegou a tentar atacar o animal por desconhecimento, antes de ser avisado de que ele era bem-vindo. A aranha mais famosa recebeu o nome de “Brunilda”, e os moradores pedem que quem visita o local apenas a deixe em seu canto, em uma convivência pacífica que já virou marca registrada.
Da carteira assinada à renda na internet
A mudança de vida também passou pela forma de sustento. O casal contou que precisou manter empregos formais por necessidade financeira, mesmo diante de problemas de saúde, como uma questão no joelho de Paulo que exigiria afastamento. A renda era indispensável e abrir mão dela não era uma opção naquele momento.
Hoje, o sustento vem do canal Simplicidade na Roça e das parcerias firmadas com marcas. Os moradores afirmam que conseguem, por meio do trabalho digital, alcançar o equivalente ao que ganhavam nos empregos anteriores. Para eles, esse retorno é resultado direto do apoio do público que acompanha cada passo da construção.
Agora queremos saber a sua opinião. Você teria coragem de tocar a construção da própria moradia com as próprias mãos, mesmo enfrentando mais de um ano sem descanso? O que mais te impressionou nessa trajetória: a escada, a despensa, a lareira ou a tal da Brunilda? Deixe seu comentário, conte a sua experiência e compartilhe essa história com alguém que também sonha em ter um cantinho no campo.


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