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Algas que invadem praias viram invenção premiada nas mãos de jovem de 17 anos: porto-riquenha cria biotecido biodegradável para substituir plástico em chinelos e produtos de turismo enquanto ilha enfrenta milhões de toneladas de sargaço

Escrito por Carla Teles
Publicado em 04/06/2026 às 22:13
Atualizado em 04/06/2026 às 22:18
Algas que invadem praias viram invenção premiada nas mãos de jovem de 17 anos porto-riquenha cria biotecido biodegradável para substituir plástico em chinelos e produtos (2)
Algas viram sargaço reaproveitado em biotecido no Earth Prize, com projeto de Porto Rico contra plástico no turismo.
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A partir de algas sargassum que chegam às praias de Porto Rico, Helena do Rego criou o SargaTex PR, biotecido biodegradável para chinelos e itens turísticos; a jovem de 17 anos venceu a América do Norte no Earth Prize 2026, recebeu US$ 12.500 e busca reduzir plástico e resíduos têxteis.

As algas que se acumulam nas praias de Porto Rico se tornaram matéria-prima para uma invenção ambiental criada por Helena do Rego, jovem de 17 anos que desenvolveu o SargaTex PR. O projeto transforma sargaço em excesso em um biotecido biodegradável pensado para substituir materiais sintéticos em chinelos, calçados de spa e produtos de uso rápido ligados ao turismo.

De acordo com o The Earth Prize Newsroom, a solução foi reconhecida em maio de 2026, quando Helena foi nomeada vencedora da América do Norte no Earth Prize, competição ambiental global voltada a jovens de 13 a 19 anos. Com o prêmio de US$ 12.500, ela pretende avançar no desenvolvimento do material, testar a produção com apoio de laboratórios universitários e buscar parcerias em Porto Rico.

Algas em excesso viram problema ambiental nas praias de Porto Rico

Algas viram sargaço reaproveitado em biotecido no Earth Prize, com projeto de Porto Rico contra plástico no turismo.
Imagem: Divulgação.

O ponto de partida do SargaTex PR está em um problema visível nas praias porto-riquenhas: o acúmulo de sargaço. Esse tipo de alga marinha pode chegar em grandes volumes à costa, causar mau cheiro e tornar áreas litorâneas menos utilizáveis por moradores, visitantes e comunidades que dependem do turismo.

Helena do Rego observou esse impacto de perto e decidiu procurar uma forma de transformar o incômodo em matéria-prima. Em vez de tratar as algas apenas como lixo ambiental, ela começou a investigar como o sargaço poderia ser reaproveitado em um material funcional.

A ideia chama atenção porque parte de uma cena comum em várias praias do Caribe: toneladas de algas acumuladas onde deveriam estar turistas, moradores e atividades econômicas. O desafio não está apenas em retirar esse material da costa, mas em encontrar usos capazes de reduzir descarte e gerar valor.

O projeto também nasce em um contexto de pressão sobre aterros sanitários e aumento de resíduos têxteis. Segundo os dados divulgados pelo Earth Prize, Porto Rico enfrenta simultaneamente o excesso de sargaço, aterros próximos do limite e descarte anual elevado de resíduos ligados a tecidos.

SargaTex PR transforma sargaço em biotecido biodegradável

A invenção de Helena recebeu o nome de SargaTex PR. A proposta é transformar algas sargassum em um biotecido biodegradável, voltado inicialmente a produtos de vida curta, como chinelos descartáveis, calçados de praia, itens de spa e acessórios usados em ambientes turísticos.

O diferencial está na tentativa de substituir materiais plásticos e tecidos sintéticos em produtos que costumam ser utilizados por pouco tempo. Em locais turísticos, esse tipo de item pode gerar descarte frequente, especialmente quando é produzido com materiais difíceis de degradar.

O biotecido tenta resolver dois problemas ao mesmo tempo: dar destino ao sargaço e reduzir a dependência de plástico em produtos de uso rápido. A solução não promete eliminar sozinha a poluição marinha, mas apresenta uma alternativa concreta para uma categoria de consumo ligada a praias e turismo.

Os primeiros protótipos da SargaTex PR foram desenvolvidos com materiais de origem local, incluindo suco de cranberry e borra de café, segundo o material do Earth Prize. A proposta é criar um tecido capaz de se biodegradar em poucas semanas, reduzindo permanência no ambiente após o descarte.

Jovem de 17 anos vence etapa regional do Earth Prize

Algas viram sargaço reaproveitado em biotecido no Earth Prize, com projeto de Porto Rico contra plástico no turismo.
Imagem: Divulgação/The Earth Prize.

Helena do Rego foi nomeada vencedora da América do Norte no Earth Prize 2026, uma competição ambiental internacional voltada a jovens estudantes. O reconhecimento colocou o SargaTex PR entre soluções selecionadas por sua capacidade de enfrentar desafios ambientais com aplicação prática.

A premiação regional garante US$ 12.500 para desenvolver e implementar a ideia. O recurso deve ajudar Helena a avançar em testes, aperfeiçoar o biotecido e buscar estrutura técnica para melhorar a formulação do material.

A vitória regional não transforma o projeto em produto de mercado imediatamente, mas dá ao SargaTex PR uma chance real de sair do protótipo e avançar para testes mais robustos. Esse é um passo importante para uma inovação criada por uma jovem ainda em fase de desenvolvimento acadêmico e técnico.

O Earth Prize se apresenta como uma incubadora de ideias para jovens de 13 a 19 anos, oferecendo mentoria, recursos e financiamento. Na edição de 2026, vencedores regionais representam diferentes partes do mundo, com soluções voltadas a problemas ambientais locais e globais.

Chinelos e produtos turísticos são alvo inicial da solução

Algas viram sargaço reaproveitado em biotecido no Earth Prize, com projeto de Porto Rico contra plástico no turismo.
Imagem: Reprodução/IA.

O primeiro mercado imaginado para o biotecido são produtos simples, de uso rápido e forte ligação com o turismo. Chinelos, calçados de spa, acessórios de praia e itens vendidos em lojas litorâneas aparecem como aplicações possíveis para um material feito a partir de algas.

A escolha faz sentido porque esses produtos circulam justamente nos ambientes afetados pelo sargaço. Em praias, hotéis, spas e pontos turísticos, alternativas biodegradáveis podem ter apelo ambiental direto e ajudar a reduzir o uso de plásticos descartáveis.

Há uma conexão simbólica forte: um resíduo que prejudica a praia pode virar matéria-prima para produtos usados na própria economia turística. Essa lógica transforma o problema local em solução com identidade territorial.

Para chegar ao mercado, porém, será necessário testar resistência, conforto, custo, segurança e capacidade de produção. Um material biodegradável precisa ser ambientalmente interessante, mas também deve funcionar bem no uso real para competir com opções sintéticas baratas.

Projeto também mira resíduos têxteis e microplásticos

Além do sargaço, a SargaTex PR responde a outro problema ambiental: o desperdício têxtil. Porto Rico recebe grande volume anual de resíduos desse tipo, enquanto uma parcela reduzida é reciclada, segundo os dados divulgados no material do prêmio.

Tecidos sintéticos também liberam microfibras plásticas durante a lavagem, contribuindo para a poluição dos oceanos. Ao propor um biotecido biodegradável, Helena tenta reduzir a dependência de materiais que permanecem no ambiente por muito tempo.

O projeto ganha força porque não olha apenas para as algas, mas para toda uma cadeia de descarte ligada ao consumo rápido. Produtos usados por pouco tempo podem gerar impacto duradouro quando feitos com materiais sintéticos.

Nesse sentido, o SargaTex PR se posiciona como uma solução de transição: reaproveita um recurso abundante e tenta criar alternativas menos agressivas para itens que hoje dependem de plástico ou fibras artificiais. O desafio será comprovar que essa alternativa funciona em escala.

Parcerias locais podem ampliar coleta e desenvolvimento

Com o apoio financeiro do Earth Prize, Helena pretende usar laboratórios universitários, incluindo estruturas ligadas à Universidade de Porto Rico, para desenvolver melhor o biotecido. Esse tipo de apoio pode permitir testes de resistência, biodegradação e formulação.

A jovem também planeja trabalhar com organizações locais, como a Scuba Dogs, para ampliar a coleta de sargaço. A aproximação com grupos que já atuam no território pode facilitar o acesso às algas e ajudar o projeto a se conectar com comunidades diretamente afetadas pelo problema.

A etapa de parcerias será decisiva para saber se a ideia consegue passar da bancada de testes para uma cadeia funcional. Sem coleta organizada, laboratório, produção e compradores, mesmo uma boa solução ambiental pode permanecer limitada a protótipos.

Também há possibilidade de diálogo com lojas de praia e empresas de turismo sustentável. Esses parceiros poderiam testar produtos feitos com o biotecido em ambientes reais, avaliando aceitação de consumidores, durabilidade e viabilidade comercial.

Material biodegradável ainda precisa provar escala fora do laboratório

Algas viram sargaço reaproveitado em biotecido no Earth Prize, com projeto de Porto Rico contra plástico no turismo.
Imagem: Divulgação/The Earth Prize.

Apesar do reconhecimento internacional, o SargaTex PR ainda está em desenvolvimento. A criação de protótipos é uma etapa importante, mas não encerra o caminho até um produto viável para uso amplo em praias, spas ou comércios turísticos.

A produção em escala exige padronização do material, fornecimento regular de matéria-prima, controle de qualidade e preço competitivo. Também será preciso garantir que o biotecido seja confortável, seguro e resistente o suficiente para as aplicações pretendidas.

O maior desafio pode ser transformar uma invenção premiada em uma solução acessível para o mercado. Muitos materiais sustentáveis enfrentam barreiras quando saem do laboratório e precisam competir com plásticos de baixo custo.

Ainda assim, a proposta de Helena tem um ponto forte: usa um problema abundante como base produtiva. Se as algas que chegam às praias puderem ser coletadas e reaproveitadas com eficiência, o projeto pode unir limpeza costeira, inovação jovem e redução de resíduos.

Algas deixam de ser só invasoras e viram aposta contra plástico

A história do SargaTex PR mostra como um problema ambiental pode ganhar outro significado quando visto como matéria-prima. O sargaço que invade praias, causa mau cheiro e afeta o turismo passa a ser estudado como base para um biotecido biodegradável.

A invenção de Helena do Rego não elimina a necessidade de políticas públicas para gestão costeira, redução de plástico e controle de resíduos. Mas aponta uma rota prática: transformar excesso de algas em produtos úteis, especialmente em setores que também dependem da saúde das praias.

O projeto chama atenção porque troca a lógica do descarte pela lógica do reaproveitamento. Em vez de apenas remover sargaço da areia, a proposta tenta dar função econômica e ambiental ao material.

Você acredita que produtos feitos com algas podem substituir plástico em chinelos, itens de praia e acessórios turísticos, ou ainda falta escala para competir com materiais tradicionais? Deixe sua opinião nos comentários e participe do debate.

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Carla Teles

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