Participação dos carros eletrificados produzidos no Brasil disparou em maio e já mostra como os investimentos das montadoras começam a mudar o peso da indústria local nas vendas do segmento.
Os carros eletrificados fabricados ou montados no Brasil passaram a responder por 39% das vendas do segmento em maio de 2026, um salto que mostra a mudança rápida da indústria no país. Há um ano, essa fatia era de apenas 6%, o que deixa claro como a produção local ganhou espaço em pouco tempo.
Os dados foram divulgados pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico, a ABVE, e aparecem em meio à expansão da eletromobilidade no mercado brasileiro. O avanço não veio sozinho: ele acompanha novos investimentos das montadoras e um aumento forte na oferta de modelos nacionais.
Em maio, o país registrou 44.981 veículos eletrificados leves emplacados, o maior volume já visto para o mês. Na comparação com maio de 2025, o crescimento foi de 170,3%, enquanto a presença dos modelos feitos no Brasil ajudou a reduzir a dependência de importados.
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Importados encolhem enquanto a produção local avança
O movimento mais forte da virada industrial está na mudança da origem dos carros vendidos. Segundo a ABVE, a participação dos veículos importados caiu de 94% para 61% entre maio de 2025 e maio de 2026.
No caminho oposto, os modelos fabricados ou montados no Brasil saíram de 6% para 39% no mesmo intervalo. Para a entidade, isso mostra que os aportes feitos pelas montadoras começam a aparecer de forma concreta nas vendas.
Entre as marcas com produção local de eletrificados estão BYD, GWM, GM, BMW, Toyota e a brasileira Hitech. As fábricas ficam em Camaçari (BA), Iracemápolis (SP), Horizonte (CE), Araquari (SC), Sorocaba (SP) e Campo Largo (PR).
Mercado de eletrificados já responde por 17% das vendas totais
O avanço da produção nacional veio junto com uma expansão mais ampla da eletromobilidade. Em maio, os veículos eletrificados representaram 17% das vendas de automóveis e comerciais leves no Brasil, mais que o dobro da fatia de 7,8% registrada no mesmo mês de 2025.
Na avaliação da ABVE, a expansão da produção local começa a gerar efeitos que vão além da montagem dos veículos. A entidade cita impacto também em infraestrutura de recarga, baterias, componentes e autopeças.
É esse encadeamento que ajuda a sustentar a leitura de que a eletrificação deixa de depender apenas da importação e passa a entrar de vez nos planos industriais das empresas instaladas no país.
Maior oferta de modelos e novas fábricas no radar
Outro dado que reforça a mudança é a variedade de opções disponíveis. Em maio de 2026, o mercado brasileiro contava com 229 modelos eletrificados, sendo 21 fabricados ou montados no país. Um ano antes, eram 174 modelos, com apenas cinco nacionais.
Nas vendas de varejo, voltadas ao consumidor final, o top 3 do mercado em maio foi formado apenas por veículos 100% elétricos: BYD Dolphin Mini, Geely EX2 e BYD Dolphin.
Além disso, a ABVE já fala em novas marcas com produção local no horizonte, como Geely, em São José dos Pinhais (PR), ainda em 2026, e GAC, em Catalão (GO), a partir de 2027. A entidade também cita a expectativa de produção de veículos eletrificados da Leapmotor, do grupo Stellantis, em plantas no Brasil.
ABVE vê início de um ciclo que pode puxar outros setores
“Estamos testemunhando o início de um notável círculo virtuoso”, afirmou Ricardo Bastos, presidente da ABVE. Para ele, a produção nacional já começa a impulsionar a eletrificação da frota brasileira e a gerar efeitos positivos em outros segmentos ligados à mobilidade elétrica.
Na prática, a leitura da entidade é que o avanço das montadoras instaladas no país pode consolidar uma cadeia mais ampla de negócios em torno dos eletrificados. O movimento, por enquanto, já aparece nas vendas, na oferta de modelos e no peso crescente da indústria local dentro do segmento.
Com números fortes e uma mudança clara na origem dos veículos vendidos, a eletromobilidade no Brasil entra em uma nova fase. Se a produção local continuar avançando, a disputa no mercado deve ficar ainda mais acirrada nos próximos meses. E você, acha que os eletrificados feitos no Brasil vão ganhar ainda mais espaço? Comente e compartilhe a matéria.
