Plano discutido para 9 de julho pode atingir unidades em Hanover, Zwickau, Emden e Neckarsulm, em meio à pressão chinesa, queda da demanda europeia e resistência de sindicatos
Segundo a Reuters informa em artigo publicado na semana passada (AQUI), a Volkswagen considera fechar quatro fábricas na Alemanha e ampliar os cortes para até 100 mil empregos. O plano, que pode ser discutido em 9 de julho, surge em meio à pressão de rivais chineses, tarifas nos Estados Unidos e queda da demanda na Europa.
Plano pode atingir quatro fábricas na Alemanha
As fábricas citadas são Hanover, Zwickau, Emden e a unidade da Audi em Neckarsulm. Juntas, elas colocariam mais de 45 mil empregos em risco, segundo as fontes.
Esse número se somaria aos 50 mil cortes já planejados pela montadora. Em termos absolutos, a demissão de 100 mil pessoas e o fechamento de quatro fábricas de montagem representariam a maior reestruturação da história da indústria automotiva.
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Os membros do conselho de supervisão da Volkswagen foram informados sobre os planos. A proposta deve ser discutida em uma reunião marcada para 9 de julho.

Pressão chinesa e queda da demanda pesam sobre a Volkswagen
A montadora afirma que seu modelo de negócios se tornou insustentável diante de um conjunto de pressões.
Entre elas estão a concorrência crescente de rivais chineses, tarifas elevadas sobre importações de carros para os Estados Unidos e a queda da demanda na Europa.
Na China, a Volkswagen perdeu espaço. Depois de liderar o mercado por anos, foi ultrapassada pela BYD em 2024 e caiu para o terceiro lugar em 2025.
A participação das montadoras não chinesas no mercado chinês caiu de 57% em 2020 para 32% em 2025, segundo a AlixPartners.

Sindicatos e Baixa Saxônia prometem resistir
O conselho de fábrica da Volkswagen e o sindicato IG Metall prometeram resistir às medidas. Em comunicado conjunto, afirmaram que farão tudo ao alcance para impedir os planos, caso avancem.
O estado alemão da Baixa Saxônia, segundo maior acionista da montadora, também se posicionou contra. O primeiro-ministro estadual disse que não concordaria com o plano.
A estrutura de governança da Volkswagen dá influência relevante a representantes dos trabalhadores e à Baixa Saxônia, o que pode tornar a reestruturação mais difícil.
Investimentos também podem ser reduzidos
A revista Manager Magazin informou primeiro sobre a reestruturação. A publicação também afirmou que a Volkswagen reduziria seus investimentos em cerca de 15%, para pouco mais de € 130 bilhões, ou US$ 148 bilhões, nos próximos cinco anos.
O CEO Oliver Blume e o diretor financeiro Arno Antlitz também pretendem reestruturar a empresa de 89 anos, incluindo a separação da marca principal VW e das operações de peças em entidades distintas.
As ações da Volkswagen eram negociadas em mínimas de 16 anos na sexta-feira, com queda de 3,4% às 13h35 GMT.
Crítica aponta vendas fracas como problema central
Ingo Speich, da Deka, acionista da Volkswagen, afirmou à Reuters que os custos elevados são apenas um sintoma. Para ele, a causa principal são as vendas fracas.
A Volkswagen afirmou, por meio de porta-voz, que não comentaria documentos confidenciais. O representante disse que todo o grupo, incluindo marcas e subsidiárias, precisa passar por mudanças profundas.
No exercício financeiro de 2025, a força de trabalho global do grupo era de 667.164 pessoas. Quase 43% estavam empregadas na Alemanha.
Esta matéria foi elaborada com base em informações da Reuters e da Manager Magazin, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

