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Caminhoneiros brasileiros começam a ser liberados após impasse que travou cargas por mais de 20 dias e expôs um problema envolvendo quase 1 milhão de registros

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 04/06/2026 às 18:10
Atualizado em 04/06/2026 às 18:17
Assista o vídeoCaminhoneiros são liberados em Teresina após impasse no novo CIOT travar cargas, cancelar notas fiscais e expor falhas no sistema.
Caminhoneiros são liberados em Teresina após impasse no novo CIOT travar cargas, cancelar notas fiscais e expor falhas no sistema.
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Impasse no transporte de cargas em Teresina expôs dificuldades na implantação do novo CIOT, afetou motoristas parados por semanas e levou empresas a refazer documentos fiscais para destravar operações em meio à adaptação às novas regras da ANTT.

Caminhoneiros que aguardavam havia mais de 20 dias no Polo Empresarial Sul, em Teresina, começaram a ser liberados de forma gradual após um impasse relacionado à emissão do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), documento exigido nas operações de transporte rodoviário remunerado de cargas abrangidas pelas novas regras da Agência Nacional de Transportes Terrestres.

A retenção das cargas levou empresas do setor a cancelar mais de 300 notas fiscais já emitidas e a refazer a documentação por outra plataforma, segundo representantes das transportadoras.

A liberação dos veículos passou a ocorrer aos poucos, enquanto equipes tentavam regularizar os registros necessários para permitir a continuidade das viagens.

O problema atingiu principalmente caminhoneiros que já estavam carregados e dependiam da documentação fiscal e operacional para seguir viagem.

No caso registrado em Teresina, motoristas permaneceram parados nas proximidades de uma indústria de ferro no Distrito Industrial, à espera da liberação das cargas.

A obrigatoriedade de geração do CIOT para as operações enquadradas nas novas regras entrou em vigor em 24 de maio de 2026, às 18h, conforme informou a ANTT.

A agência afirma que o código passou a ser exigido para identificar e acompanhar as operações de transporte rodoviário remunerado de cargas, dentro do modelo previsto pela regulamentação federal.

Cargas começaram a ser liberadas em Teresina

Representantes do setor afirmaram que equipes trabalharam durante a madrugada para cancelar documentos fiscais que já haviam sido gerados e emitir novas notas por meio de outro sistema.

A medida foi adotada para destravar operações que estavam paradas e permitir que os caminhoneiros deixassem o local gradualmente.

A expectativa informada por entidades empresariais é que a normalização ocorra de forma escalonada, com a conclusão das liberações ao longo de três a quatro dias.

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O prazo, no entanto, depende da regularização documental de cada operação e da capacidade de reemissão dos registros exigidos.

O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística do Estado do Piauí (Sindicapi), Humberto Lopes, afirmou que o impasse não se restringiu ao Piauí.

Segundo ele, a implantação do sistema ocorreu sem um período considerado suficiente para adaptação das empresas, o que teria provocado reflexos em diferentes estados.

Lopes disse ainda que entidades ligadas ao transporte de cargas acionaram a Justiça e solicitaram à ANTT um prazo de 60 dias para adequação.

A reivindicação, segundo o representante do setor, busca reduzir prejuízos acumulados por empresas e motoristas durante a fase de implementação das novas exigências.

ANTT fala em instabilidades pontuais no CIOT

A ANTT informou que foram registradas instabilidades pontuais nos primeiros dias de implantação, mas afirmou que esses problemas já foram superados.

A agência declarou também que a maior parte das operações não precisou recorrer ao modo de contingência previsto na regulamentação.

Segundo a agência, aproximadamente 1 milhão de CIOTs já haviam sido gerados desde o início da operação do novo modelo.

Desse total, mais de 80% teriam sido registrados sem necessidade de uso da contingência, mecanismo criado para situações excepcionais de indisponibilidade ou dificuldade operacional.

A ANTT sustenta que a contingência foi prevista justamente para evitar paralisações no transporte de cargas.

Nesse modelo, o transportador pode registrar a operação localmente e iniciar a viagem, desde que transmita posteriormente as informações à agência dentro do prazo regulamentar.

O prazo máximo para regularização é de 168 horas, equivalente a sete dias.

Mesmo nesses casos, permanecem válidas as demais obrigações legais e regulatórias, como regularidade cadastral dos envolvidos, declaração correta das informações da operação e cumprimento do Piso Mínimo de Frete quando aplicável.

Novo CIOT ampliou controles sobre o frete

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O CIOT é utilizado para identificar a operação de transporte e acompanhar dados relacionados à contratação do frete.

Com as novas regras, o sistema passou a ter papel mais amplo na fiscalização eletrônica, incluindo a verificação de informações declaradas e a integração com obrigações relacionadas ao transporte de cargas.

A regulamentação que ampliou a exigência foi publicada em 2026 e teve como base mudanças promovidas pela Resolução ANTT nº 6.078, de 24 de março de 2026.

A norma alterou regras anteriores sobre o cadastro da operação de transporte necessário para a geração do código.

Na prática, empresas e transportadores passaram a lidar com um processo mais rígido de validação antes do início da viagem.

Esse novo formato aumentou a dependência de sistemas integrados e de plataformas habilitadas, o que ajuda a explicar os impactos operacionais relatados durante os primeiros dias de vigência.

A ANTT afirma que a obrigatoriedade começou apenas em 24 de maio de 2026.

Por isso, a agência diz não haver relação direta entre a nova exigência e relatos de paralisações que teriam ocorrido antes dessa data, ainda que empresas relatem dificuldades de adaptação no período de transição.

Empresas relatam prejuízos durante adaptação

Para o setor de transporte de cargas, a principal crítica está no tempo de preparação para cumprir a nova regra.

Transportadoras afirmam que a mudança exigiu ajustes em sistemas, readequação de rotinas internas e revisão de procedimentos fiscais em um intervalo considerado curto pelas entidades empresariais.

Além da espera dos caminhoneiros, as empresas relataram custos com retrabalho documental, reorganização de cargas e atraso na entrega de mercadorias.

O cancelamento de mais de 300 notas fiscais em Teresina se tornou o principal exemplo local do impacto operacional provocado pelo impasse.

Motoristas também foram afetados pela demora, já que a permanência por vários dias em áreas de carregamento pode gerar gastos extras com alimentação, estadia, manutenção do veículo e perda de novas viagens.

Representantes do setor afirmam que esses prejuízos ainda serão calculados pelas empresas envolvidas.

Embora a ANTT destaque o uso da contingência como alternativa para evitar bloqueios, transportadoras afirmam que a aplicação prática do procedimento gerou dúvidas no início da implantação.

A agência, por sua vez, disponibilizou orientações e perguntas frequentes sobre o CIOT para orientar empresas, motoristas e demais usuários.

Liberação das cargas deve avançar de forma gradual

A saída dos caminhoneiros do Polo Empresarial Sul passou a depender da conclusão das etapas de reemissão documental e validação das operações.

Como parte das cargas já estava vinculada a documentos fiscais cancelados, a regularização precisou ocorrer antes da retomada das viagens.

O setor espera que a liberação seja concluída de maneira progressiva, sem novo bloqueio generalizado das operações.

Ainda assim, entidades empresariais defendem um período adicional de adaptação, sob o argumento de que as empresas precisam de mais tempo para ajustar sistemas e treinar equipes.

A ANTT mantém o entendimento de que a regulamentação já prevê mecanismos suficientes para assegurar a continuidade do transporte, inclusive nos casos de instabilidade.

A agência também reforça que o modo de contingência não elimina as obrigações previstas na norma, apenas permite a continuidade da viagem em situações excepcionais.

Com a liberação gradual em Teresina, o impasse entra em fase de normalização operacional, mas deixa em aberto a discussão sobre os efeitos da implantação do novo CIOT no transporte rodoviário de cargas.

Para empresas e caminhoneiros, o ponto central permanece no equilíbrio entre fiscalização, adaptação tecnológica e continuidade logística.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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