Impasse no transporte de cargas em Teresina expôs dificuldades na implantação do novo CIOT, afetou motoristas parados por semanas e levou empresas a refazer documentos fiscais para destravar operações em meio à adaptação às novas regras da ANTT.
Caminhoneiros que aguardavam havia mais de 20 dias no Polo Empresarial Sul, em Teresina, começaram a ser liberados de forma gradual após um impasse relacionado à emissão do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), documento exigido nas operações de transporte rodoviário remunerado de cargas abrangidas pelas novas regras da Agência Nacional de Transportes Terrestres.
A retenção das cargas levou empresas do setor a cancelar mais de 300 notas fiscais já emitidas e a refazer a documentação por outra plataforma, segundo representantes das transportadoras.
A liberação dos veículos passou a ocorrer aos poucos, enquanto equipes tentavam regularizar os registros necessários para permitir a continuidade das viagens.
-
A estrada que cruza 8 estados, tem quase 4.000 km e se tornou símbolo dos Estados Unidos: a Route 66 liga Chicago à Califórnia e preserva um século de história nos EUA
-
Dois estudantes brasileiros criaram uma maca hospitalar que se ajusta apenas pela voz do paciente, sem manivelas nem telas, e levaram o prêmio de melhor projeto internacional na Mostra de Ciência 2026 de Portugal, dando mais autonomia a idosos, pessoas com mobilidade reduzida e até tetraplégicos
-
Eleita a melhor ilha do mundo 11 vezes seguidas, este paraíso português no meio do Atlântico virou paixão dos brasileiros: território vulcânico de 737 km² guarda uma floresta de 20 milhões de anos, Patrimônio Mundial da UNESCO, vinhos históricos e a terra natal de Cristiano Ronaldo
-
Depois de 2 anos na cabana, casal precisa sair do lar que construiu para enfrentar a maior reforma do refúgio: tempo e infiltrações danificaram telhado, forro e postes, e tiny house da família vira base temporária até o reencontro
O problema atingiu principalmente caminhoneiros que já estavam carregados e dependiam da documentação fiscal e operacional para seguir viagem.
No caso registrado em Teresina, motoristas permaneceram parados nas proximidades de uma indústria de ferro no Distrito Industrial, à espera da liberação das cargas.
A obrigatoriedade de geração do CIOT para as operações enquadradas nas novas regras entrou em vigor em 24 de maio de 2026, às 18h, conforme informou a ANTT.
A agência afirma que o código passou a ser exigido para identificar e acompanhar as operações de transporte rodoviário remunerado de cargas, dentro do modelo previsto pela regulamentação federal.
Cargas começaram a ser liberadas em Teresina
Representantes do setor afirmaram que equipes trabalharam durante a madrugada para cancelar documentos fiscais que já haviam sido gerados e emitir novas notas por meio de outro sistema.
A medida foi adotada para destravar operações que estavam paradas e permitir que os caminhoneiros deixassem o local gradualmente.
A expectativa informada por entidades empresariais é que a normalização ocorra de forma escalonada, com a conclusão das liberações ao longo de três a quatro dias.
O prazo, no entanto, depende da regularização documental de cada operação e da capacidade de reemissão dos registros exigidos.
O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística do Estado do Piauí (Sindicapi), Humberto Lopes, afirmou que o impasse não se restringiu ao Piauí.
Segundo ele, a implantação do sistema ocorreu sem um período considerado suficiente para adaptação das empresas, o que teria provocado reflexos em diferentes estados.
Lopes disse ainda que entidades ligadas ao transporte de cargas acionaram a Justiça e solicitaram à ANTT um prazo de 60 dias para adequação.
A reivindicação, segundo o representante do setor, busca reduzir prejuízos acumulados por empresas e motoristas durante a fase de implementação das novas exigências.
ANTT fala em instabilidades pontuais no CIOT
A ANTT informou que foram registradas instabilidades pontuais nos primeiros dias de implantação, mas afirmou que esses problemas já foram superados.
A agência declarou também que a maior parte das operações não precisou recorrer ao modo de contingência previsto na regulamentação.
Segundo a agência, aproximadamente 1 milhão de CIOTs já haviam sido gerados desde o início da operação do novo modelo.
Desse total, mais de 80% teriam sido registrados sem necessidade de uso da contingência, mecanismo criado para situações excepcionais de indisponibilidade ou dificuldade operacional.
A ANTT sustenta que a contingência foi prevista justamente para evitar paralisações no transporte de cargas.
Nesse modelo, o transportador pode registrar a operação localmente e iniciar a viagem, desde que transmita posteriormente as informações à agência dentro do prazo regulamentar.
O prazo máximo para regularização é de 168 horas, equivalente a sete dias.
Mesmo nesses casos, permanecem válidas as demais obrigações legais e regulatórias, como regularidade cadastral dos envolvidos, declaração correta das informações da operação e cumprimento do Piso Mínimo de Frete quando aplicável.
Novo CIOT ampliou controles sobre o frete
O CIOT é utilizado para identificar a operação de transporte e acompanhar dados relacionados à contratação do frete.
Com as novas regras, o sistema passou a ter papel mais amplo na fiscalização eletrônica, incluindo a verificação de informações declaradas e a integração com obrigações relacionadas ao transporte de cargas.
A regulamentação que ampliou a exigência foi publicada em 2026 e teve como base mudanças promovidas pela Resolução ANTT nº 6.078, de 24 de março de 2026.
A norma alterou regras anteriores sobre o cadastro da operação de transporte necessário para a geração do código.
Na prática, empresas e transportadores passaram a lidar com um processo mais rígido de validação antes do início da viagem.
Esse novo formato aumentou a dependência de sistemas integrados e de plataformas habilitadas, o que ajuda a explicar os impactos operacionais relatados durante os primeiros dias de vigência.
A ANTT afirma que a obrigatoriedade começou apenas em 24 de maio de 2026.
Por isso, a agência diz não haver relação direta entre a nova exigência e relatos de paralisações que teriam ocorrido antes dessa data, ainda que empresas relatem dificuldades de adaptação no período de transição.
Empresas relatam prejuízos durante adaptação
Para o setor de transporte de cargas, a principal crítica está no tempo de preparação para cumprir a nova regra.
Transportadoras afirmam que a mudança exigiu ajustes em sistemas, readequação de rotinas internas e revisão de procedimentos fiscais em um intervalo considerado curto pelas entidades empresariais.
Além da espera dos caminhoneiros, as empresas relataram custos com retrabalho documental, reorganização de cargas e atraso na entrega de mercadorias.
O cancelamento de mais de 300 notas fiscais em Teresina se tornou o principal exemplo local do impacto operacional provocado pelo impasse.
Motoristas também foram afetados pela demora, já que a permanência por vários dias em áreas de carregamento pode gerar gastos extras com alimentação, estadia, manutenção do veículo e perda de novas viagens.
Representantes do setor afirmam que esses prejuízos ainda serão calculados pelas empresas envolvidas.
Embora a ANTT destaque o uso da contingência como alternativa para evitar bloqueios, transportadoras afirmam que a aplicação prática do procedimento gerou dúvidas no início da implantação.
A agência, por sua vez, disponibilizou orientações e perguntas frequentes sobre o CIOT para orientar empresas, motoristas e demais usuários.
Liberação das cargas deve avançar de forma gradual
A saída dos caminhoneiros do Polo Empresarial Sul passou a depender da conclusão das etapas de reemissão documental e validação das operações.
Como parte das cargas já estava vinculada a documentos fiscais cancelados, a regularização precisou ocorrer antes da retomada das viagens.
O setor espera que a liberação seja concluída de maneira progressiva, sem novo bloqueio generalizado das operações.
Ainda assim, entidades empresariais defendem um período adicional de adaptação, sob o argumento de que as empresas precisam de mais tempo para ajustar sistemas e treinar equipes.
A ANTT mantém o entendimento de que a regulamentação já prevê mecanismos suficientes para assegurar a continuidade do transporte, inclusive nos casos de instabilidade.
A agência também reforça que o modo de contingência não elimina as obrigações previstas na norma, apenas permite a continuidade da viagem em situações excepcionais.
Com a liberação gradual em Teresina, o impasse entra em fase de normalização operacional, mas deixa em aberto a discussão sobre os efeitos da implantação do novo CIOT no transporte rodoviário de cargas.
Para empresas e caminhoneiros, o ponto central permanece no equilíbrio entre fiscalização, adaptação tecnológica e continuidade logística.


Seja o primeiro a reagir!