RPPN Cerrado garante proteção definitiva à Cachoeira do Label e fortalece a conservação ambiental na Chapada dos Veadeiros.
A Cachoeira do Label, localizada em São João d’Aliança (GO), passou a integrar oficialmente o sistema nacional de áreas protegidas ao receber o título de RPPN Cerrado, garantindo a preservação perpétua de 50,5 hectares no coração da Chapada dos Veadeiros.
Assim, a medida, reconhecida por portaria federal publicada no fim de janeiro, fortalece a conservação ambiental, protege nascentes estratégicas e amplia a defesa da biodiversidade do Cerrado, um dos biomas mais ameaçados do país.
O reconhecimento foi concedido pelo ICMBio por meio da Portaria nº 484, publicada no Diário Oficial da União em 29 de janeiro.
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A área passa a se chamar Reserva Bellatrix e abriga a mais alta queda d’água de Goiás, com 187 metros de altura.
Assim, a iniciativa partiu do proprietário da área, o turismólogo e agroecologista Marcello Clacino, que buscava formalizar a proteção desde a aquisição do imóvel, em 2017.
RPPN Cerrado garante proteção definitiva à Cachoeira do Label
Ao contrário de parques públicos, a RPPN Cerrado mantém o domínio privado da terra, mas impõe um compromisso permanente com a conservação.
Assim, mesmo em caso de venda ou herança, a área não pode ser destinada a atividades como agropecuária, mineração ou desmatamento.
Segundo Marcello Clacino, o processo foi marcado por desafios fundiários.
“Desde que adquirimos a propriedade, em 2017, esse era o grande objetivo.
O principal desafio foi superar a regularização fundiária, pois há diversos conflitos de sobreposição de títulos, um problema sério no Goiás.
Existem muitas pressões feitas por grandes fazendeiros, que não respeitam posseiros e pessoas mais simples. Então, às vezes, atropelam alguns processos e a gente esbarrou nessa questão.
A Justiça é lenta, tem problemas estruturais de operação nesse tipo de causa. Vencida essa etapa, o registro da RPPN transcorreu com facilidade”, afirma.
Além da proteção ambiental, o modelo oferece benefícios como isenção do Imposto Territorial Rural (ITR), acesso prioritário a fundos ambientais e apoio de órgãos de fiscalização contra incêndios e invasões.
Chapada dos Veadeiros ganha reforço na conservação ambiental
Assim, a criação da Reserva Bellatrix amplia o mosaico de áreas protegidas da Chapada dos Veadeiros, reconhecida como Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco. Para Clacino, a titulação fortalece esse selo internacional.
“Sinto o orgulho de dizer que estamos, de fato, integrados ao Patrimônio Natural da Humanidade.
Na condição de RPPN, podemos afirmar que contribuímos para manter e fortalecer essa distinção para áreas com formações biológicas ou geológicas de valor universal excepcional.
Por ser um selo de qualidade global, gera diversos benefícios econômicos diretos e indiretos para a região e o país”, destaca.
Assim, a Cachoeira do Label tornou-se, nos últimos anos, um dos principais destinos de ecoturismo do nordeste goiano, atraindo visitantes interessados em natureza preservada, trilhas e turismo de base comunitária.
Biodiversidade do Cerrado protegida além dos limites da reserva
O impacto positivo da nova RPPN Cerrado também é sentido no entorno.
Para a empresária e ambientalista Silvia Mesquita, moradora da região do Vale do Paranã, a reserva aumenta a segurança ambiental coletiva.
“Para além da Reserva Bellatrix, temos ainda nos arredores muitas áreas privadas bastante preservadas.
Ter uma RPPN como vizinha acaba oferecendo proteção para todos nós, que sofremos com ameaças de incêndio a cada temporada de seca.
Serve também de incentivo para que mais propriedades possam aderir ao modelo de RPPN”, afirma.
Segundo ela, a experiência da Cachoeira do Label pode estimular outras comunidades a formalizar áreas preservadas e fortalecer a conectividade ecológica.
Reservas privadas ganham protagonismo na Chapada dos Veadeiros
Atualmente, a Chapada dos Veadeiros reúne cerca de 273 mil hectares de áreas protegidas.
Desse total, aproximadamente 27 mil hectares correspondem a RPPNs, que funcionam como corredores ecológicos complementares ao Parque Nacional.
Então entre os pioneiros da conservação privada está o jornalista Cid Queiroz, responsável por três RPPNs que somam cerca de 2 mil hectares.
“São João d’Aliança é muito abençoado, pois é palco de preservação e de um setor produtivo pujante.
Desde sempre, defendo a importância desse diálogo. Se não houver diálogo, o Cerrado vai desaparecer e o próprio setor produtivo será prejudicado”, alerta.
Conservação ambiental depende de incentivos econômicos
Parceira histórica na criação de reservas privadas, a Funatura defende a ampliação de incentivos financeiros.
Para Pedro Bruzzi, superintendente executivo da entidade, mecanismos como pagamento por serviços ambientais (PSA) são fundamentais.
“Precisamos facilitar ainda mais o acesso aos créditos ambientais, para que as famílias se sintam estimuladas a investir em RPPNs.
Não é uma decisão simples destinar o patrimônio à conservação”, afirma.
“Há quase quatro décadas, a Funatura atua no fortalecimento da conservação privada, especialmente no Cerrado, onde essas áreas cumprem papel estratégico na proteção da biodiversidade, da água e na regulação do clima”, completa.
RPPNs crescem no Brasil e fortalecem a biodiversidade do Cerrado
O Brasil conta hoje com mais de 1.900 RPPNs, que protegem cerca de 837 mil hectares. Embora a Mata Atlântica concentre o maior número de reservas, o Cerrado está entre os biomas mais beneficiados em área protegida por iniciativas privadas.
Para o presidente do ICMBio, Mauro Pires, o modelo é essencial. “RPPNs são unidades de conservação que nascem de um gesto voluntário e de muita responsabilidade: proteger áreas, em caráter permanente, um patrimônio natural que é também de interesse público.”
Com a nova titulação, a Cachoeira do Label consolida-se não apenas como símbolo paisagístico, mas como referência nacional em conservação ambiental e proteção da biodiversidade do Cerrado.
Veja mais em: Cachoeira do Label recebe título de RPPN e amplia proteção ao Cerrado

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