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Com 16 metros de comprimento, radar AESA nacional e velocidade supersônica, a Coreia do Sul coloca o caça KF-21 Boramae em testes de voo e inicia a fase que pode levar o país ao seleto grupo da 5ª geração

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Escrito por Débora Araújo Publicado em 19/01/2026 às 12:58
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Com 16 metros de comprimento, radar AESA nacional e velocidade supersônica, a Coreia do Sul coloca o caça KF-21 Boramae em testes de voo e inicia a fase que pode levar o país ao seleto grupo da 5ª geração
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Do voo inaugural à produção em série, o KF-21 Boramae simboliza a maturidade tecnológica sul-coreana, redefinindo autonomia estratégica, ambição industrial e o papel do país no mercado global aeroespacial militar.

Quando a Defense Acquisition Program Administration (DAPA) confirmou, em 2022, o primeiro voo bem-sucedido do KF-21 Boramae, ficou claro que a Coreia do Sul já não é apenas um país comprador de sistemas de defesa, mas um ator industrial capaz de projetar, fabricar e testar uma aeronave supersônica de alto desempenho com ambições de 5ª geração. O programa, conduzido pela Korea Aerospace Industries (KAI) com apoio do governo sul-coreano, representa uma mudança estrutural na base tecnológica do país.

O protótipo, chamado oficialmente de KF-21, mede cerca de 16,9 metros de comprimento, com 11,2 metros de envergadura, e utiliza um radar AESA (Active Electronically Scanned Array) desenvolvido domesticamente — um dos componentes críticos que diferenciam aeronaves de 4ª e 5ª geração. A combinação entre sensores avançados, fusão de dados e redução de assinatura radar coloca o Boramae num segmento que muitos analistas chamam de “5ª geração transicional”, ou seja, aeronaves que carregam elementos stealth e eletrônicos próprios de um F-35, mas ainda sem o nível completo de integração furtiva.

Um programa que mira soberania industrial

O KF-21 não surgiu isolado. Ele faz parte de um projeto industrial mais amplo, destinado a reduzir dependências externas e consolidar uma cadeia aeronáutica nacional. Historicamente, a Coreia do Sul operou caças F-5, F-4, F-16 e agora investe tanto no F-35 quanto no desenvolvimento local. Essa combinação permite uma transição gradativa e tecnicamente segura.

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Segundo dados divulgados pela Yonhap News, o desenvolvimento envolveu mais de 200 empresas nacionais, o que inclui sistemas de radar, aviônica, sensores infravermelhos, glass cockpit e sistemas integrados. O motor ainda não é nacional — o programa utiliza dois turbofans General Electric F414, com empuxo suficiente para quebrar a barreira do som sem pós-combustor em determinadas condições.

Esse modelo de industrialização gradual — onde primeiro se nacionalizam sensores e aviônicos, depois motores e materiais — é semelhante ao visto no Japão e na Turquia, países que também buscam autonomia no setor aeroespacial.

O que significa estar “em testes”?

O primeiro voo, realizado em 19 de julho de 2022, na base aérea de Sacheon, representou apenas o início da campanha. Desde então, o programa entrou em uma sequência de voos de envelope, que testam:

  • estabilidade aerodinâmica
  • comportamento supersônico
  • integração de radar e sensores
  • integração de mísseis ar-ar
  • desempenho de sistemas eletrônicos

A DAPA confirmou múltiplos voos ao longo de 2023 e 2024, com planos de incorporar armas guiadas e mísseis ar-ar de médio alcance, incluindo variantes capazes de futura integração com vetores europeus e americanos.

Não se trata apenas de testar voo puro — o foco é certificar arquitetura de missão, sistemas de guerra eletrônica, fusão de dados e link tático, elementos que definem a nova geração de combate.

Um caça entre duas gerações

Especialistas da Jane’s Defence classificam o KF-21 como um “4.5+ com ambição de 5ª geração”. Isso significa que ele já incorpora:

  • Radar AESA nacional
  • Fusão de sensores
  • Arquitetura aberta
  • Glass cockpit
  • Capacidade supersônica
  • RCS reduzida (assinatura radar)

Mas ainda não possui:

  • baia interna de armamentos (apenas prevista para fases futuras)
  • stealth integral (como no F-35 ou B-21)

Essa característica “transicional” cria um cenário interessante: o KF-21 será entregue em lotes evolutivos, com a chamada Bloco 1 focando em missões ar-ar, e futuras Bloco 2 e 3 adicionando capacidades ar-terra e revisões furtivas mais profundas. Esse modelo de evolução por blocos é comum em programas caros — os F-16, Gripen e Rafale tiveram ciclos semelhantes.

Impacto regional e geopolítico

A entrada do KF-21 em testes ocorre em um momento delicado do leste asiático, com:

  • modernização acelerada da aviação chinesa (H-20, J-20, J-31)
  • programas stealth japoneses (F-X e GCAP)
  • reestruturação militar na Oceania

Para a Coreia do Sul, o Boramae não é apenas um caça: é um instrumento geopolítico que sinaliza capacidade industrial, reduz dependências estratégicas e cria potencial de exportação militar — algo que o país já faz com carros de combate, fragatas, mísseis, e sistemas de artilharia (como o K9 Thunder, vendido para Polônia, Noruega e Finlândia).

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A possibilidade de exportar o KF-21 para países como Indonésia — que é parceira no programa — amplia a relevância. A própria Indonésia deve receber unidades no futuro, após negociações industriais que incluem offsets tecnológicos e treinamento.

Linha do tempo resumida (confirmada)

  • 2015–2019: fase de desenvolvimento e engenharia
  • 2022: primeiro voo oficial em Sacheon
  • 2023–2026: testes de expansão de envelope + integração de armas
  • 2026–2028: início da produção limitada (estimada pela DAPA)
  • 2030+: possibilidade de blocos furtivos e exportações

Essas projeções foram discutidas por publicações como Yonhap, The Korea Herald, Aviation Week e Jane’s.

O que torna o Boramae um divisor de águas

Poucos países no mundo conseguem projetar, fabricar e testar um caça supersônico moderno. A lista inclui:

  • EUA
  • Rússia
  • China
  • França
  • Reino Unido
  • Suécia
  • Japão (em desenvolvimento)
  • Turquia (em desenvolvimento)
  • Coreia do Sul (agora incluída)

Para um país historicamente dependente de F-4 e F-5, este salto é enorme.

O que vem agora?

O futuro do KF-21 vai depender de:

  • certificação de armas
  • redução de RCS
  • custos de produção
  • decisões de exportação
  • parcerias tecnológicas

Mas o fato essencial é que o programa já saiu do papel, voou, e agora está em campanha real de testes, algo confirmado por DAPA, Yonhap e imprensa especializada.

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Alexandre
Alexandre
21/01/2026 09:06

Seria uma opção interessante para o Brasil, deixando o gripen como espinha dorsal e o KF21 como caça de superioridade aérea

Fonte
Débora Araújo

Débora Araújo é redatora no Click Petróleo e Gás, com mais de dois anos de experiência em produção de conteúdo e mais de mil matérias publicadas sobre tecnologia, mercado de trabalho, geopolítica, indústria, construção, curiosidades e outros temas. Seu foco é produzir conteúdos acessíveis, bem apurados e de interesse coletivo. Sugestões de pauta, correções ou mensagens podem ser enviadas para contato.deboraaraujo.news@gmail.com

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