Movimentações diplomáticas reacendem debate sobre BRICS, Mercosul e busca por novos mercados globais, em meio a incertezas econômicas, acordos comerciais em negociação e estratégias regionais para ampliar exportações, atrair investimentos e reduzir dependência histórica de parceiros tradicionais.
A possibilidade de aproximação entre países do Mercosul e o BRICS voltou ao centro do debate regional, em um momento em que governos sul-americanos buscam ampliar mercados e reduzir a exposição a parceiros tradicionais.
No entanto, até aqui, não há registro público e verificável de uma sinalização conjunta e formal de Argentina, Paraguai e Uruguai para entrar no BRICS como membros ou na categoria de “país parceiro”, criada recentemente pelo bloco.
Enquanto a discussão ganha espaço em análises e declarações pontuais, os fatos confirmados indicam um cenário mais fragmentado: a Argentina foi convidada a ingressar no BRICS como membro pleno, mas o presidente Javier Milei comunicou oficialmente, em dezembro de 2023, que o país não entraria no grupo; no caso uruguaio, o governo brasileiro convidou o Uruguai para participar de uma reunião de cúpula do BRICS em 2025; já sobre o Paraguai, há menções de interesse atribuídas a declarações diplomáticas, sem anúncio público de adesão ou pedido formal.
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Expansão do BRICS e criação do modelo de país parceiro
Formado inicialmente por Brasil, Rússia, Índia e China, o BRICS incorporou a África do Sul em 2011 e, desde então, vem ampliando sua projeção internacional como fórum de coordenação política e econômica entre países emergentes.
O grupo ganhou novo fôlego com a expansão decidida na cúpula de 2023 e com mudanças institucionais adotadas em 2024, quando os líderes endossaram a criação da categoria de “país parceiro”.
Essa modalidade permite que nações convidadas participem de reuniões e debates, mas sem poder de deliberação reservado aos membros.
Em janeiro de 2025, o governo brasileiro anunciou nove países como primeiros parceiros, inaugurando o modelo, com adesões em diferentes regiões.
Em 2025, o próprio Brasil também informou a entrada do Vietnã como país parceiro, mostrando que o mecanismo segue ativo e pode abrir portas para aproximações graduais.
Argentina entre convite formal e recusa ao ingresso no bloco
No caso argentino, o ponto mais sensível é que a informação publicamente confirmada vai na direção oposta à ideia de ingresso iminente.
Em agosto de 2023, a Argentina foi incluída entre os países convidados a se tornarem membros plenos a partir de 1º de janeiro de 2024.
Porém, já sob Javier Milei, o governo enviou carta aos líderes do bloco informando que Buenos Aires não participaria do BRICS, em decisão anunciada no fim de dezembro de 2023.
Na prática, isso não impede que a Argentina mantenha relações comerciais ou políticas com países do BRICS, nem que discuta cooperação com integrantes do bloco em fóruns paralelos.
Ainda assim, o gesto oficial registrado é de recusa ao ingresso como membro pleno, o que torna necessário diferenciar interesse econômico em ampliar comércio de um passo institucional de entrada no grupo.
Uruguai e Paraguai buscam diálogo sem pedido formal de adesão
A movimentação uruguaia, por outro lado, tem aparecido mais ligada à participação em agendas do BRICS do que a um processo formal de adesão.
Em março de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convidou Uruguai, Colômbia e México para participar de encontro ligado à cúpula do BRICS no Brasil.
O convite foi interpretado por analistas como sinal de abertura para ampliar o diálogo com países latino-americanos, ainda que sem equivaler a um convite para entrar no grupo como membro ou parceiro.
Já em relação ao Paraguai, o noticiário internacional registrou declarações que apontam “interesse” em BRICS, atribuídas a autoridades diplomáticas.
Ainda assim, não há anúncio de pedido formal de adesão, nem inclusão do país na lista de parceiros divulgada oficialmente.
Nesse contexto, aproximação tende a significar conversas políticas e cooperação econômica, e não necessariamente um caminho imediato para integrar a estrutura do bloco.
Mercosul, acordo com a União Europeia e estratégia de diversificação
A discussão sobre novas alianças acontece no rastro de negociações internacionais do Mercosul que avançaram nos últimos anos.
O acordo Mercosul–União Europeia teve suas negociações concluídas em 6 de dezembro de 2024, segundo comunicados oficiais do governo brasileiro.
Apesar disso, o processo ainda enfrenta obstáculos na Europa.
Em janeiro de 2026, o Parlamento Europeu aprovou o envio do texto ao Tribunal de Justiça da União Europeia para avaliação jurídica, medida que pode adiar a votação parlamentar do acordo.
Autoridades brasileiras, como o vice-presidente Geraldo Alckmin, têm defendido que a tramitação interna no Brasil pode ajudar a acelerar etapas do lado europeu.
Ainda assim, não há prazo fechado para a decisão final.
Esse cenário reforça a lógica de diversificação perseguida por governos sul-americanos.
Mesmo com tratativas avançadas com a União Europeia, a região busca alternativas para exportar e captar financiamento, reduzindo riscos em um ambiente econômico global mais instável.
Investimentos, exportações e limites das informações disponíveis
A ideia de que uma aproximação com o BRICS poderia impulsionar exportações e atrair investimentos aparece associada a setores tradicionais da América do Sul, como agronegócio, energia e infraestrutura.
No entanto, não há números, projetos ou compromissos confirmados que sustentem a expressão “investimentos bilionários” no contexto específico de Argentina, Paraguai e Uruguai em relação ao BRICS.
Quando se observa o comércio regional, há indicadores oficiais mostrando crescimento e relevância econômica, como dados do governo brasileiro sobre exportações e fluxo comercial com o Paraguai.
Isso ajuda a explicar por que Assunção é vista como parceiro estratégico e por que temas de integração produtiva seguem no radar.
Por outro lado, esses dados não confirmam a existência de uma negociação aberta para entrada paraguaia no BRICS.
O mesmo vale para a afirmação de que haveria uma estratégia explícita para romper dependência de Estados Unidos e Europa.
Há uma tendência histórica de diversificação de mercados e busca por autonomia na política externa regional.
Contudo, atribuir esse objetivo diretamente a decisões formais de adesão ao BRICS exige declarações oficiais, que não constam no material disponível.
No estágio atual, o quadro mais fiel é o de uma região que tenta ampliar sua margem de manobra.
O Mercosul acelera acordos e negociações, enquanto o BRICS cria formatos mais flexíveis, como o de país parceiro, que podem servir de ponte para novos diálogos.
A questão central é se algum dos três países citados transformará interesse econômico em um movimento institucional concreto, com pedido formal e negociação política dentro do bloco.
Se o BRICS continuar ampliando a rede de parceiros e a América do Sul mantiver a busca por novos mercados, qual será o primeiro passo real que Argentina, Paraguai ou Uruguai estariam dispostos a anunciar publicamente?

Ohhh, bando de ditadores. Que não tem ****. Cuidem de seus povos com democracia. Bando de canalhas, **** do povo ****.
Só vão querer entrar para pegar dinheiro emprestado e não pagar…E o que sabem fazer de melhor tão matando seu povo de fome três países picareta…
ARGENTINA NO BRICS?? DUVIDO!!
Vai entrar, questão de tempo. Sem o Brics e sem o Brasil ela não sobrevive. Os EUA sufocam e usam o Milei como boneco do posto, não há na Argentina nada que interesse tanto assim ao tio Sam…
Seu **** socialista. Monte uma empresa, e vá trabalhar de verdade.