Diplomata brasileiro é indicado para missão estratégica em Pyongyang após aprovação em comissão do Senado e pode liderar nova fase de diálogo político, agrícola e econômico entre os dois países
Um diplomata brasileiro poderá em breve assumir uma das missões mais sensíveis da política externa nacional. O diplomata Ricardo Primo Portugal foi aprovado pela Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado para ocupar o cargo de embaixador do Brasil na Coreia do Norte, com sede na capital Pyongyang. A indicação recebeu 12 votos favoráveis e nenhum contrário durante a sabatina realizada no final de fevereiro e agora segue para análise final do Plenário do Senado.
Caso o nome seja confirmado pelos parlamentares, o diplomata passará a representar oficialmente o Brasil na República Popular Democrática da Coreia, considerada um dos países mais fechados do mundo em termos diplomáticos, políticos e comerciais. Ao mesmo tempo, a missão poderá abrir espaço para a retomada gradual de canais de diálogo entre os dois países.
A informação foi divulgada pelo portal do Senado, que detalhou os principais pontos da sabatina e os planos apresentados pelo diplomata durante a avaliação no Senado.
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Plano de trabalho prevê retomada de investimentos e cooperação agrícola entre Brasil e Coreia do Norte

Durante a sabatina na Comissão de Relações Exteriores, Ricardo Primo Portugal apresentou um plano de trabalho que pretende fortalecer as relações bilaterais entre Brasil e Coreia do Norte. Segundo ele, a missão diplomática poderá atuar para reconstruir pontes de cooperação que foram interrompidas ao longo dos últimos anos.
Entre as prioridades apresentadas pelo diplomata estão três frentes principais de atuação internacional.
A primeira envolve a tentativa de retomar investimentos interrompidos por sanções internacionais e barreiras comerciais que impactaram as relações entre Pyongyang e diversos países ao longo da última década.
Além disso, o plano inclui a proposta de reativar acordos de cooperação agrícola, área em que o Brasil possui forte capacidade tecnológica e produtiva. A cooperação agrícola pode se tornar um dos caminhos mais viáveis para restabelecer relações comerciais gradualmente.
Outro ponto destacado durante a sabatina foi a necessidade de ampliar o diálogo diplomático entre os dois países, criando canais institucionais que permitam conversas sobre comércio, segurança alimentar e cooperação internacional.
O parecer favorável à indicação foi apresentado pelo senador Esperidião Amin (PP-SC). Segundo o parlamentar, a presença diplomática brasileira na Coreia do Norte está alinhada aos princípios constitucionais da política externa brasileira, que buscam manter diálogo aberto com diferentes nações.
Relações diplomáticas entre Brasil e Coreia do Norte começaram em 2001 e comércio já chegou a US$ 375 milhões
Apesar da distância geográfica e das diferenças políticas, Brasil e Coreia do Norte mantêm relações diplomáticas desde 2001. Essa relação institucional evoluiu ao longo dos anos seguintes.
Em 2005, foi aberta a embaixada norte-coreana em Brasília, ampliando os canais oficiais de comunicação entre os dois países. Pouco tempo depois, em 2009, o Brasil também passou a manter representação diplomática em Pyongyang.
Entretanto, o funcionamento da missão brasileira sofreu interrupções. Entre janeiro de 2020 e junho de 2024, a representação do Brasil no país asiático ficou suspensa devido ao fechamento das fronteiras norte-coreanas durante a pandemia de covid-19.
Historicamente, o intercâmbio comercial entre as duas nações já teve momentos mais relevantes. Em 2008, o volume de comércio bilateral chegou a US$ 375 milhões, representando o auge das trocas econômicas.
Nos anos seguintes, porém, houve uma queda significativa. Em 2012, o comércio bilateral havia recuado para cerca de US$ 45 milhões, refletindo mudanças no cenário internacional e nas relações econômicas.
Atualmente, as trocas comerciais entre Brasil e Coreia do Norte estão praticamente paralisadas. No período em que o comércio era mais ativo, o Brasil exportava principalmente alimentos e matérias-primas, enquanto importava produtos industrializados.
Diplomata tem mais de duas décadas de experiência em relações internacionais
O diplomata Ricardo Primo Portugal nasceu em 1962, na cidade de Porto Alegre, e ingressou na carreira diplomática em 1998. Ao longo de sua trajetória no Itamaraty, acumulou experiência em diferentes missões internacionais.
Em 2019, ele foi promovido ao cargo de ministro de segunda classe, posição que representa um dos níveis mais elevados da carreira diplomática brasileira.
Durante sua trajetória profissional, o diplomata atuou em missões diplomáticas em Quito, no Equador, e em Bruxelas, na Bélgica, ampliando sua experiência em negociações e cooperação internacional.
Desde 2022, Ricardo Portugal ocupa o cargo de ministro-conselheiro em Tirana, capital da Albânia. A função envolve atuação direta em assuntos diplomáticos, políticos e econômicos.
Se a indicação for confirmada pelo Plenário do Senado, ele passará a liderar a representação diplomática brasileira em Pyongyang, com a missão de reativar o diálogo político e econômico entre Brasil e Coreia do Norte e tentar reconstruir gradualmente a cooperação entre os dois países.

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